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Jogo de vida e morte para a cidade

Jogo de vida e morte para a cidadeFoto: Pública

O que é fato é que cidade alguma, em tempo algum, jamais logrou sobreviver em meio à desordem e ao caos urbano.

Circe Cunha-correio Braziliense - 18/12/2019 - 11:05:35

Quando o direito legal de fiscalizar as atividades urbanas deixa de ser realizado com firmeza, impedindo que caos vá, dia a dia, dinamitando a vida civilizada nos espaços públicos, o que passa a ocorrer é a morte lenta da cidade, transformada, sob os olhos de todos, em um lugar inóspito onde moradores evitam transitar sob pena de serem tragados pela violência e pelo lixo. A desordem urbana se alimenta justamente dessa falta de observância estreita dos órgãos de fiscalização, pagos pelo contribuinte justamente para impor a ordem e garantir o direito de todos a espaços saudáveis e seguros.

Não é preciso dizer que o caos medra como as heras onde falta a luz saneadora de um Estado responsável. Deixar o problema da desordem na ocupação desses espaços públicos se acumulando dia após dia sem uma solução definitiva e racional só faz aumentar em volume uma questão que poderia ter uma solução simples, caso houvesse a intervenção rápida do Estado.

O abandono dos espaços urbanos, entregues a uma infinidade de comerciantes que vendem de tudo e de qualquer maneira, inclusive alimentos sem fiscalização dos órgãos de vigilância sanitária, pode resolver esse ou aquele problema de ordem social, mas a um custo a prejudicar toda a comunidade, que passa a viver, literalmente, numa grande feira, um “Calcutá modernista”, aberto a todo o tipo de comércio, incluindo aí drogas, objetos furtados e contrabandeados ou frutos do descaminho.

A proliferação de quiosques ao longo não apenas das W3 Sul e Norte, mas também por entre as Superquadras, há muito deixou de ser um problema menor para se tornar uma questão do mais alto interesse de todos os moradores da área tombada, sob pena de pôr abaixo toda a ideia de uma cidade planejada, com prejuízos incalculáveis para todos. O fenômeno insidioso da decadência que aos poucos vai tomando conta das principais áreas centrais da capital não pode prosseguir.

Paralelamente a essa situação, assiste-se à desvalorização venal dos imóveis localizados nessas áreas abandonadas pelo poder público, com reflexos para todo o entorno. Numa situação dessa natureza, em que esses amplos espaços abertos, que fazem parte integrante do projeto de concepção da cidade, vão sendo literalmente invadidos e apossados por comerciantes, coloca o próprio governo numa posição delicada: de que lado desse problema ele pode se posicionar, sem ter que descumprir o mínimo de obrigações?

O que não se pode permitir é que os contribuintes e pagadores dos mais altos impostos deste país venham a ser penalizados e abandonados em meio ao caos permitido governo após governo. O que é fato é que cidade alguma, em tempo algum, jamais logrou sobreviver em meio à desordem e ao caos urbano.



A frase que foi pronunciada

“Fracassei em tudo o que tentei na vida./ Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. / Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. / Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. / Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.”

Darcy Ribeiro, escritor, político e antropólogo.

Agenda

» Dia 21 tem crônica na Banca da Conceição. Marina Andrade, voz e violão complementa a inauguração da estante preta, com Waleska Barbosa apresentando o livro Que o nosso olhar não se acostume às ausências.

Boa

» Esta é bem do Alexandre Ribondi, mestre do teatro e de inglês. “O Flamengo que vá se Catar!” Reconheça, Ribondi. Foi um jogo bonito.

Verdade

» E esta é do Ricardo Ghirlanda: “Dá um peixe ao homem e ele irá se alimentar. Ensina-o a pescar e ele não passará mais fome. Mostra-lhe a internet e ele não terá mais paz”.

Prata da Casa

» Tania Fontenele radiante com a exibição do filme sobre o nascimento de Brasília pelas mãos das mulheres Poeira e Batom. Dessa vez em Paris, na Sorbonne. Sucesso total.

Diga lá

» Valeria a pena uma pesquisa junto à população. Uma noite com Luan Santana na virada do ano ou uma semana de pronto-socorro funcionando?

Cariocas

» Nada tira o humor no Rio de Janeiro. A árvore de Natal instalada na Lagoa já foi apelidada de “Maconhão”!


História de Brasília

A aviação comercial brasileira, quando se reúne, é um Deus nos acuda; para o governo, por causa das subvenções, e para o povo, por causa dos aumentos de tarifas.

(Publicado em 12/12/1961)

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