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Jornalista que viveu na África recomenda a Damares: faça uma visita para ver o perigo da política de abstinência sexual

Jornalista que viveu na África recomenda a Damares: faça uma visita para ver o perigo da política de abstinência sexualFoto: 247

“Recomendo à ministra Damares uma visita à Africa Subsaariana para compreender como podem ser perigosos os efeitos da política de abstinência sexual no combate à gravidez precoce e à Aids”, criticou a jornalista.

Revista Fórum - 13/01/2020 - 06:55:46

Método era usado por uma missão religiosa em Moçambique e proibiam o uso de camisinhas. Na época, o país tinha 270 mortes por dia por conta do vírus HIV

A jornalista Letícia Duarte, que foi xingada por Olavo de Carvalho durante uma entrevista, foi às redes sociais neste domingo (12) para criticar a política de abstinência sexual defendida pela ministra Damares Alves como forma de evitar gravidez na adolescência. De acordo com a jornalista, que morou durante um ano na África Subsaariana e viu o método ser utilizado por uma missão religiosa, a política de Damares é ineficaz.

“Recomendo à ministra Damares uma visita à Africa Subsaariana para compreender como podem ser perigosos os efeitos da política de abstinência sexual no combate à gravidez precoce e à Aids”, criticou a jornalista.

Letícia conta que atuou em 2006 como professora voluntária de português em uma escola pública de Moçambique. Na época, religiosos promoviam a abstinência sexual e eram contra o preservativo, alegando que o método estimulava a promiscuidade.

“Na 8a classe, onde eu dava aula, a idade média dos alunos era de 18 anos. Na catequese, que eram obrigados a frequentar, todos juravam que faziam abstinência sexual. Na vida real, seguiam transando sem camisinha. Cerca de 10 alunas foram expulsas ao longo do ano por engravidarem”, contou.

A jornalista prossegue no relato e diz que, naquele ano, Moçambique tinha 270 mortes por dia por conta do vírus HIV. O governo distribuía camisinhas, mas os religiosos da missão onde ela morava não permitiam que os jovens tivessem acesso ao método contraceptivo.

“Era corrente a ideia de que os EUA tinham implantado o HIV no preservativo para matar os africanos”, conta. “Na mesma missão, também trabalhava um religioso que eu e outros professores descobrimos que era pedófilo. Encontramos mais de cem fotos de alunas seminuas no seu computador”, revela.

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