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Mais de 11.000 cientistas declaram emergência climática. O que isso significa?

Mais de 11.000 cientistas declaram emergência climática. O que isso significa?Foto: Pixabay

Mais de 11 mil cientistas assinaram um alerta que ressalta emergência climática no planeta e a necessidade urgente de agir para combater as mudanças do clima

Larissa Fereguetti-showmetech - 06/11/2019 - 06:50:14

Os problemas climáticos que o planeta enfrenta não são recentes. Vemos, há anos, chamados que ressaltam a necessidade de medidas radicais para garantir nossa sobrevivência na Terra. Agora, a situação chegou ao limite e, para conseguir chamar atenção para o problema, os cientistas emitiram um alerta crítico sobre a emergência climática que vivemos.

Parece um filme de ficção típico: um cientista alertando a sociedade sobre um determinado perigo, ninguém dá ouvidos e depois todo mundo sofre as consequências. Porém, infelizmente, desta vez não é ficção, estamos falando da realidade do nosso planeta. Além disso, não é um cientista sem créditos com a sociedade tentando fazer alarde: mais de 11 mil cientistas com diversas pesquisas tentando mostrar a realidade que muitos não querem enxergar.

Esses cientistas, que cumprem com seu papel de alertar a sociedade para os riscos que corremos, publicaram hoje (5) um alerta na revista BioScience que traz informação sobre a pesquisa climática nos últimos 40 anos e prova que aquecimento global não é “fake news” (notícia falsa).

Em 1979, pesquisadores de 50 países se reuniram na First World Climate Conference (Primeira Conferência Mundial sobre o Clima) em Genebra, na Suíça, e concordaram que era necessário agir para combater as mudanças climáticas. Tal necessidade também foi pauta de conferências e acordos posteriores, como na Conferência do Rio em 1992 (Eco 92), no Protocolo de Kyoto de 1997 e mais recentemente no Acordo de Paris , em 2015, no qual vários países se propuseram a reduzir a emissão de gases do efeito estufa a partir de 2020.

O problema é que, mesmo com tantos alertas e acordos, as emissões de gases do efeito estufa continuam a todo vapor.

Com um grande número de material bibliográfico em mãos, os cientistas fizeram um resumo na forma de gráficos e informações que ressaltam aquilo que já ficou muito claro: é preciso agir. Os esforços precisam vir de todos os países, em conjunto e também com ações individuais.

O resultado desse alerta sobre a emergência climática visa ser útil para os tomadores de decisão, para os que se empenham na implementação do Acordo de Paris , para as organizações e também para o público. Os cientistas sugerem seis etapas críticas para tentar reduzir as mudanças climáticas que podem ser tomadas pela sociedade, governantes e outros:

  • Energia: é preciso implementar rapidamente práticas de eficiência energética que envolvam fontes renováveis de energia e outras fontes mais limpas. Os subsídios aos combustíveis fósseis devem ser eliminados e as nações mais ricas devem auxiliar as menos desenvolvidas na transição desses combustíveis fósseis para fontes menos poluentes;
  • Poluentes de curta duração: é preciso reduzir as emissões de poluentes como metano, fuligem, hidrofluorcarbonetos e mais. Isso pode ajudar a reduzir a tendência de aquecimento de curto prazo em mais de 50% nas próximas décadas;
  • Cuidar da natureza: devemos proteger e restaurar os ecossistemas da Terra. Fitoplâncton, recifes de corais, florestas, pântanos, manguezais e todos os outros ecossistemas contribuem para o sequestro de carbono atmosférico. É preciso reduzir a perda de habitat e de biodiversidade, protegendo o que ainda resta do nosso planeta.
  • Comida: é preciso reduzir o consumo global de produtos de origem animal, principalmente de gado. A produção desse tipo de carne, por exemplo, tem um gasto absurdo de água e ocupa uma área cultivável muito grande;
  • Economia: a superexploração de ecossistemas e a extração excessiva de materiais devem ser reduzidas. Apesar do crescimento econômico que propiciam, é preciso adotar práticas mais sustentáveis;
  • População: é preciso estabilizar a população mundial com políticas que respeitam os direitos humanos e contribuem para a redução do impacto do crescimento populacional nas emissões de gases do efeito estufa e na perda da biodiversidade. Tais políticas consideram serviços de planejamento familiar, promovem a equidade de gênero e incluem a educação primária e secundária para todos.

Vale ressaltar que esses pontos são importantes, mas que a ação não deve se restringir a eles, é possível fazer muito mais. Podem parecer radicais, mas não impõem que todos parem de ter filhos ou de comer carne: tais sugestões visam o desenvolvimento sustentável, que envolve os âmbitos, social, econômico e ambiental. No total, o alerta foi assinado por 11.258 cientistas de 153 países diferentes. Eles são de várias áreas da ciência.

Vivendo sob uma emergência climática

Você deve ter reparado que, nos últimos anos, o termo aquecimento global começou a ser substituído por mudança climática ou crise climática. Agora, um dos termos mais usados é emergência climática, que denota a gravidade da situação.

Quando uma nação decreta uma emergência climátic a, é como um chamado para alertar sobre a necessidade de agir para reduzir os efeitos das mudanças climáticas. Em maio, o parlamento britânico e a Irlanda decretaram estado de emergência climática. Seguindo o exemplo, a cidade sede do último acordo climático, Paris, fez o mesmo em julho.

Em contrapartida, alguns países parecem ir na contramão. Ontem (dia 4), a Revista Nature publicou uma notícia em seu site sobre o fato de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, ter iniciado o processo para sair do Acordo de Paris . A justificativa foi de que permanecer no acordo prejudica o país economicamente.

Aqui no Brasil, nos últimos meses, vimos a Amazônia pegar fogo e o óleo tomar as praias do Nordeste. Se voltarmos um pouco mais, vimos os resíduos de uma barragem destruir um rio e todo seu equilíbrio ambiental. Esses acontecimentos têm consequências graves não só para a situação climática do planeta, mas também diretamente no meio em que vivemos.

Mediante tal situação de emergência climática, é quase um clichê dizer que fazemos uma autodestruição ao não cuidar do planeta. Estamos há 40 anos “procrastinando” para começar a agir.

Ainda, não é preciso esperar que só os governantes ajam, você pode começar com algumas ações básicas, como separando seus resíduos para a reciclagem, recusando a sacola plástica no supermercado, optando por embalagens retornáveis, comprando produtos provenientes de fontes sustentáveis e outras ações. Já passou da hora de agir.

Você pode conferir o alerta na íntegra acessando o site da BioScience.

Fontes: Cnet ; Independent .

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