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Mais debate sobre a W3 Sul. Fecomércio defende interdição para fins culturais

Mais debate sobre a W3 Sul. Fecomércio defende interdição para fins culturaisFoto: CorreioWeb

Ibaneis Rocha diz que governo vai se reunir com empresários, mas avisa que fará pesquisa com a população para decidir pelo fechamento da avenida para o lazer. Fecomércio defende interdição para fins culturais

Washington Luiz - Correioweb - 14/10/2020 - 10:19:51

Em busca de uma solução para a questão que envolve o fechamento da W3 Sul aos domingos e feriados, o Governo do Distrito Federal (GDF) pretende realizar uma pesquisa de opinião com moradores, comerciantes e pessoas que frequentam o local. A ideia, segundo o governador Ibaneis Rocha (MDB), é usar o resultado para tomar uma decisão e atender ao “interesse da comunidade”.

“Os comerciantes (que reclamam), na verdade, são três comerciantes só, donos de supermercados. O restante não tem reclamação. Vamos mandar fazer uma pesquisa, ouvir a comunidade. Em primeiro lugar, o interesse da comunidade, não só dos comerciantes”, afirmou, ontem, após a inauguração da Praça dos Direitos, no Itapoã.

O decreto que autorizou a interdição da avenida para a realização de atividades recreativas foi assinado pelo governador, em 9 de junho. Desde então, tem sido alvo de questionamento por parte de donos de estabelecimentos, que criticam as mudanças e se mostram preocupados quanto à queda no varejo nesse período de pandemia. Dados do Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista) estimam que houve uma redução de, aproximadamente, 70% nas vendas nos dias em que a avenida ficou fechada para carros.

Hoje, empresários e representantes de sindicatos ligados ao comércio se reunirão com o secretário de Empreendedorismo do Distrito Federal, Mauro Roberto da Mata, para tratar de questões ligadas à melhoria da via, entre elas, o fechamento das pistas.

Presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio), Francisco Maia é a favor da utilização da W3 Sul para atividades recreativas. Ele pondera, porém, que essa nova modalidade de uso deve vir acompanhada de revitalizações que estimulem o comércio da região.

“Não vai ter carros, mas vai ter gente circulando. As pessoas vão sair dos seus apartamentos, vão ali comprar verduras, vão levar as crianças para brincarem. Queremos que os moradores coloquem cadeiras do lado de fora, como é o Pelourinho em Salvador. Mas, para isso, precisa ter um foco maior na área cultural”, destaca Maia.


Nova praça
Na manhã de ontem, Ibaneis participou da inauguração da Praça dos Direitos no Itapoã. Localizado na Quadra 203, o espaço vai oferecer ações de saúde, esporte, educação, lazer, profissionalização, cultura e de promoção dos direitos humanos aos moradores da região.


>> entrevista Janine Brito / conselheira do Sindivarejista

 (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Impactos da pandemia

» Cibele Moreira

A pandemia da covid-19 impactou diretamente o setor produtivo. Muitas empresas precisaram fechar, temporariamente, as portas e enfrentaram a queda no faturamento e corte de pessoal. A Conselheira Superior do Sindicato do Varejo do Distrito Federal (Sindivarejista), Janine Brito, destaca que o maior impacto gerado ao longo dos últimos seis meses foi o desemprego no setor. “Afetou demais, mas eu acredito em uma retomada”, pontuou Janine durante entrevista ao programa CB.Poder — parceria do Correio com a TV Brasília. Para a empresária e integrante da Câmara de Mulheres Empreendedoras da Fecomércio e do Conselho de Mulheres Notáveis do DF, Janine acredita em um aquecimento de 2% nas vendas para o Natal deste ano.

Qual a sua opinião sobre o fechamento da W3
aos domingos e feriados para o lazer?

Eu tenho a certeza de que os empresários estão atravessando a fase mais difícil de suas vidas. O comércio foi sacrificado demais durante a pandemia, desnecessário esse fechamento da W3, tendo ao lado um dos maiores parques da América Latina, senão o maior, que é o Parque da Cidade. Um espaço totalmente disponível para o lazer, totalmente adequado, e a poucos metros da W3, com ciclovia, com área para pedestre andar com todo o apoio necessário. E, do outro lado, nós temos o Eixão do Lazer. A gente não consegue entender por que fechar a W3, isso acaba prejudicando todo o comércio ao longo daquela avenida (nesse momento de pandemia).

Quais foram os principais impactos e maiores
dificuldades enfrentadas pelo setor
durante a pandemia?

O maior impacto foi o desemprego. O desemprego afetou demais a sociedade. As áreas de gastronomia, turismo e eventos terão uma dificuldade enorme para retornar à sua normalidade. Não será fácil, porém, eles estão fazendo todo o possível. Eu acredito numa retomada em forma de V. Desceram ao fundo, mas vão subir também como um foguete.

Quais são os principais desafios nesse momento de retomada?

Um dos maiores problemas que nós vamos enfrentar é justamente a questão da empregabilidade e do abastecimento. Nós temos que lembrar que é preciso que o governo se sensibilize com relação aos encargos trabalhistas. O empregador quer gerar emprego, mas ele não pode fazer isso sem muita cautela. É muito importante que o Estado se lembre que quem gera emprego é justamente o setor produtivo.

O Refis (Programa de Regularização Fiscal)

poderia ser uma alternativa?

O Refis ajuda porque facilita a condição do empresário de retornar ao mercado. Contribui para que ele possa participar das ações, para que possa colocar a vida financeira em dia e possa saudar os débitos junto ao governo e, com isso, respirar um pouquinho. Só há uma forma de retornar ao crescimento, que é apoiando o setor produtivo.

Como está a expectativa

do varejo para o fim do ano?

Nós imaginamos que haverá um pequeno aumento, um aumento menor do que houve no ano passado, em virtude da pandemia, mas, ainda assim, um aumento em torno de 2% a 3%. No ano passado o aumento foi de 5%.

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