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Mais uma morte após lipoescultura em Brasília. Conselho instaura sindicância

Mais uma morte após lipoescultura em Brasília. Conselho instaura sindicânciaFoto: Correio Braziliense

A vítima Fabiana Vieira dos Reis Bezerra, 35 anos Dona de casa Morava na Ponte Alta do Gama Era casada Tinha dois filhos, menino de 14 anos e uma menina de 6

Por Isa Stacciarini - Correio Braziliense - 11/03/2019 - 09:27:06

da cardíaca logo após uma cirurgia, no Hospital da Plástica de Brasília, na Asa Sul, que não tem UTI. Caso é investigado pela Polícia Civil, que aguarda laudo cadavérico.

A Polícia Civil investiga a morte de uma mulher de 35 anos após uma cirurgia de lipoescultura e abdominoplastia em uma clínica da Asa Sul. Fabiana Vieira dos Reis Bezerra fez a operação na segunda-feira com um cirurgião geral e um anestesista. Mas, uma hora e meia depois, a paciente teve uma parada cardíaca e morreu na unidade de saúde.

Fabiana entrou no centro cirúrgico do Hospital da Plástica de Brasília, na 616 Sul, às 16h de segunda-feira. O procedimento terminou às 22h. A paciente, então, foi levada à sala de recuperação, mas, minutos depois, começou a apresentar sinais de parada cardíaca e morreu às 23h30. O hospital não tem UTI.

Um representante da clínica foi à 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), por volta de 0h30 de terça-feira, e registrou boletim de ocorrência. Em depoimento, ele disse que, quando Fabiana começou a ter parada cardíaca, uma equipe médica verificou o pulso dela e constatou a falta de batimento cardíaco. Nesse momento, segundo o dono da clínica, um anestesista e outro profissional de plantão tentaram reanimá-la por cerca de uma hora, sem sucesso.

No entanto, uma amiga que acompanhava Fabiana, disse à polícia que, quando a paciente começou a passar mal, uma enfermeira fez massagem cardíaca nela. Ela também contou ter visto enfermeiras chorando e que a UTI móvel só chegou ao local quase meia hora após a parada cardíaca.

O delegado Gerson Salles, chefe da 1ªDP, aguarda o resultado do laudo cadavérico e toxicológico do Instituto de Medicina Legal (IML) para saber a causa da morte. Gerson oficiou o Conselho Regional de Medicina (CRM-DF) e a Secretaria de Saúde. “Queremos saber a regularidade da clínica e descobrir os requisitos para a realização de cirurgias desse porte”, explicou. O Hospital da Plástica de Brasília funciona na L2 Sul desde 2016 e cede o espaço para médicos realizarem cirurgia.

Segundo a Diretoria de Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde, a clínica tem licença sanitária válida, renovada em fevereiro, com vencimento em 2020. A pasta também informou que o estabelecimento é licenciado para cirurgia plástica tipo 3 e cirurgia ambulatorial, “atividades médico-ambulatoriais, com recursos para realização de procedimentos cirúrgicos, e clínica com realização de procedimentos cirúrgicos em ambiente não hospitalar.” Ainda de acordo com a Secretaria de Saúde, o estabelecimento recebe inspeções de rotina da Vigilância Sanitária. A mais recente aconteceu em outubro.

Venda de lote

Segundo colegas de Fabiana, ela se preparava para fazer a cirurgia há ao menos três anos. A empresária Karine Martins Silva, 46 anos, contou que a amiga pagou aproximadamente R$ 18 mil à vista pela operação, incluindo os custos com a clínica e o trabalho do médico, o cirurgião plástico Eric Yin Vieira Borges.

Karine passou pelo mesmo procedimento de abdominoplastia em dezembro 2017, mas em outro estabelecimento, em Taguatinga. “Na época, ela também queria fazer a cirurgia, mas não deu certo. Agora, ela estava feliz, porque realizaria um sonho”, contou Karine.

Outra amiga de Fabiana, que é enfermeira, foi quem indicou Eric à dona de casa. A mulher de 33 anos fez abdominoplastia e mamoplastia com o médico na mesma clínica, em outubro. “Comigo deu tudo certo. Eles explicam que a clínica fornece todo o aparato para suporte de UTI e, se precisar, uma ambulância chega em dois minutos para levar a paciente até um hospital mais próximo. Mas a verdade é que ninguém vai pensando que alguma coisa dessa pode acontecer”, lamentou a mulher, que pediu para não ter o nome publicado.

A amiga contou que o marido de Fabiana vendeu um lote para realizar o sonho da mulher. “Quando recebi a notícia, fiquei arrependida e me sentindo culpada, porque fui eu quem indiquei o médico para ela, devido às outras referências que também tive”, reforçou a enfermeira. Ela explicou que, após a morte de Fabiana, conversou com o cirurgião-geral e ele contou que, antes de sair da mesa de cirurgia para a maca, a paciente conversou com a equipe e disse se sentir bem. “Quero acreditar que ocorreu uma fatalidade”, completou a amiga da vítima.

Fabiana morava em um condomínio na Ponte Alta Norte do Gama com o marido e os filhos, um menino de 14 anos e uma menina de 6. O Correio esteve na casa da família, mas ninguém quis conceder entrevista.

R$ 18 mil

Valor do procedimento que terminou em morte

Presidente do CRM-DF, o médico Farid Buitrago Sánchez disse que abriu sindicância ontem para apurar o caso. “Essa sindicância pode gerar um processo ético-profissional e ele culmina com o julgamento das pessoas envolvidas. Em tese, quem for considerado culpado pode sofrer as penas previstas em lei que vai da advertência até a cassação do registro, dependendo da gravidade do caso”, esclareceu.

Por mensagem enviada pelo telefone celular, Eric Yin disse que o posicionamento dele é de pesar e tristeza. Também informou que aguarda o laudo do IML para saber a causa da morte. “Somente após isso poderemos nos posicionar sobre os fatos. Nada mais a declarar”, escreveu o médico.

Por meio de nota oficial, o Hospital da Plástica de Brasília lamentou a morte da paciente e afirmou que Fabiana “esteve todo o tempo acompanhada por equipe médica completa”, com o cirurgião responsável pela operação, o anestesista e o médico plantonista. Disse, também, que “a equipe de profissionais não mediu esforços para reverter o quadro da paciente sem, contudo, lograr êxito”.

Por fim, a clínica reforçou que tem todas as autorizações de funcionamento regulares e destacou que, além de prestar assistência aos familiares, também acionou a Vigilância Sanitária, o CRM-DF e a Polícia Civil.

Também por meio de nota, a empresa UTI Vida disse não ter sido notificada por nenhum órgão e que levou menos de 17 minutos entre o momento em que foi acionada, na Epia Norte, até a chegada ao hospital, na Asa Sul, onde estava a paciente.

Memória

 (Oswaldo Reis/Reprodução/Esp. CB/D.A Press - 9/5/14
)

2014

  • 'Aos 32 anos, por R$ 18 mil, Railma Rodrigues Soares de Siqueira fez lipoaspiração, abdominoplastia e trocou as próteses de silicone dos seios em 26 de abril. Quatro dias depois da operação, teve de ser transferida para um hospital particular da Asa Sul. Em 6 de maio, oito dias após a internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), teve morte cerebral. Ela também sofreu uma parada cardíaca e não resistiu. O marido denunciou o caso à época por negligência
 (Reprodução - 31/1/10
)

2010

  • A jornalista Lanusse Martins Barbosa, 27 anos, morreu por volta das 14h de 25 de janeiro, enquanto passava por uma cirurgia de lipoaspiração no hospital Pacini, na 915 Sul. Ela teria sofrido uma parada cardiorrespiratória. O cirurgião plástico Haeckel Cabral Moraes foi indiciado. A investigação policial concluiu que houve erro médico. A autópsia revelou uma perfuração da veia renal direita de Lanusse durante a lipo. Com isso, ela teve hemorragia interna e diversas paradas cardiorrespiratórias.
  • Por volta das 12h30 de 2 de abril, morreu Kelma Macedo Ferreira Gomes, 33 anos, assessora do então ministro das Cidades, Márcio Fortes. Ela estava internada no Hospital São Francisco, em Ceilândia. A causa seria uma pneumonia. Sete dias antes, Kelma havia passado por uma lipoescultura no Hospital Goiânia Leste, no Setor Universitário da capital goiana.
  • A tesoureira Marinalda Araújo Neves Ribeiro, 46 anos, morreu às 12h de 9 de julho, na Clínica Magna, localizada no Edifício das Clínicas, na Asa Norte, durante um procedimento cirúrgico. Ela faria uma lipoaspiração nos culotes e no abdômen, além de retirar excesso de pele nos seios e de uma reparação nas pálpebras. Durante a cirurgia, ela sofreu uma redução dos batimentos cardíacos.
 (Arquivo Pessoal - 7/3/09
)

2005

  • A funcionária do Banco do Brasil Patrícia Regina de Freitas Cavaliére, 46 anos, morreu durante cirurgia plástica realizada pelo médico Silvio Ferreira, em uma clínica na 606 Sul. Ela faria procedimentos para retirada de gordura e redução do culote. O médico não tinha licença da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica para fazer tal procedimento.
 (Nehil Hamilton/CB/D.A Press - 3/2/02)

2003

  • O ex-médico Denísio Marcelo Caron foi acusado pela morte de cinco mulheres em decorrência de cirurgias plásticas. Entre as vítimas há pacientes do Distrito Federal. Ele usava diploma falso de especialização em operações estéticas. Em maio do mesmo ano, o Tribunal de Justiça do DF decidiu levar Caron a júri popular sob acusação de homicídio doloso, quando se assume o risco de matar. Em julho de 2009, a Justiça de Brasília o condenou a 30 anos de prisão.

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