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Mandetta lamenta a demissão de Teich: “Foi um mês perdido, jogado na lata do lixo”

Mandetta lamenta a demissão de Teich: “Foi um mês perdido, jogado na lata do lixo”Foto:

Mandetta afirma que o futuro dirá quem ficou do lado certo

Vinícius Valfré - Estadão / Tribuna Da Internet - 15/05/2020 - 17:28:25

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta classificou a nova baixa na pasta, anunciada nesta sexta-feira, 15, como uma perda de tempo prejudicial ao País durante a pandemia de covid-19. “A única coisa que sei é que foi um mês perdido, jogado na lata do lixo”, disse ao Estadão. Seu sucessor, Nelson Teich, pediu demissão do cargo menos de um mês após assumir.

A exemplo de Mandetta, Teich deixou o governo após confrontos com o presidente Jair Bolsonaro sobre a melhor estratégia de combate à pandemia do novo coronavírus.

ESTÁ TUDO NO AR – Para o ex-ministro, que ocupou o cargo de janeiro do ano passado até abril deste ano, ainda não é possível fazer um prognóstico sobre como ficará o combate à doença, que matou quase 14 mil pessoas no País até agora. Quando Mandetta foi demitido, o número de óbitos era de 1.736.

“Não dá para falar nada. Não sei quem vai ser o novo ministro. O momento é de oração. Gostaria de dizer para você que estou rezando um terço agora”, afirmou.

Mais cedo, logo após a notícia da demissão de Teich, Mandetta foi ao Twitter desejar “força” ao Sistema Único de Saúde (SUS).

CONSULTOR NA CAMPANHA – Teich, que é médico oncologista, participou como consultor da área de saúde da campanha de Bolsonaro e foi indicado ao cargo por associações médicas e pelo secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten.

Na ocasião, o Palácio do Planalto procurava um nome para substituir o então ministro Luiz Henrique Mandetta, com quem Bolsonaro também divergia sobre a melhor estratégia no enfrentamento da pandemia.

Entre os principais pontos de conflito estão a defesa do isolamento social, considerado por especialistas e organizações de saúde do mundo todo como a forma mais eficaz de se evitar a propagação da covid-19. Enquanto os ministros-médicos recomendavam que as pessoas ficassem em casa, Bolsonaro deu diversas declarações defendendo a volta à normalidade.

PRESSÃO DE BOLSONARO – As demissões de Teich e de Mandetta também se deram após pressão de Bolsonaro para que a pasta alterasse protocolos envolvendo o uso de cloroquina em pacientes da covid-19. Atualmente, a recomendação do Ministério da Saúde – publicada ainda na gestão Mandetta – é a utilização apenas em casos graves e de internação.

Bolsonaro, porém, tem defendido a prescrição ampla da substância, cuja eficácia contra a doença não tem comprovação científica.

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NOTA DA REDAÇÃO
– Na sua privilegiada ignorância, Bolsonaro desenvolve teorias científicas e até se torna garoto propaganda de medicamentos, sem perceber que essa não é bem a função do presidente da República. Se tropeçar e cair de quatro no jardim do Palácio da Alvorada, é capaz de começar a grama, porque seu despreparo é algo aterrador. E agora, quem irá aceitar a nomeação em plena pandemia? Talvez o Osmar Terra, que não é terraplanista, mas já demonstrou ser amoldável. (C.N.)

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