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Mandetta não aceita demissão de Wanderson: ‘Entramos juntos, sairemos juntos’

Mandetta não aceita demissão de Wanderson: ‘Entramos juntos, sairemos juntos’Foto: Marcello Casal / Agência Brasil

Ministro afirma ainda que há um ‘descompasso’ entre as diretrizes da pasta e o presidente Jair Bolsonaro

Estadão Conteúdo - 15/04/2020 - 18:43:12

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta , afirmou nesta quarta-feira, 15, que não aceitou o pedido de demissão do secretário nacional de vigilância da pasta, Wanderson de Oliveira . Ao lado de Wanderson e do secretário executivo do ministério da Saúde , João Gabbardo, Mandetta afirmou que ele e sua equipe entraram juntos e só deixarão a pasta juntos.

“Entramos no ministério juntos, estamos no ministério juntos e sairemos do ministério juntos”, disse Mandetta durante entrevista coletiva à imprensa sobre novo coronavírus que ocorre diariamente no Palácio do Planalto . “Estamos todos aqui juntos e misturados, mais um pouco”, afirmou em outro momento.

Apontado como um dos principais mentores da estratégia de combate ao novo coronavírus no governo, Wanderson enviou uma mensagem de despedida aos colegas pela manhã. Na carta, ele afirma que teve reunião com Mandetta e “sua saída estava programada para as próximas horas ou dias”. Oliveira diz que até uma demissão do ministro da Saúde pelo Twitter pode ocorrer.

“Hoje teve muito ruído por conta do Wanderson, por causa de toda essa ambiência ele falou para o setor que ia sair, aquilo virou, chegou lá para mim, eu já falei que não aceito, o Wanderson está aqui. Nós vamos trabalhar juntos até o momento de sairmos juntos do Ministério da Saúde. Por isso fiz questão de vir nessa coletiva de hoje”, declarou Mandetta no início.

Mandetta cita ‘descompasso’ entre diretrizes da pasta com Bolsonaro

Mandetta admitiu ainda que “há um descompasso” entre as diretrizes da pasta e o presidente Jair Bolsonaro, mas garantiu que ficará o tempo necessário para uma eventual transição. O ministro também afirmou que Bolsonaro “claramente externa que quer outro tipo de posição” em relação ao combate da covid-19.

“Parece que eu sou contra o Presidente, e o Presidente é contra mim. Mas são visões diferentes do mesmo problema. Se tivesse uma visão única seria um problema muito fácil de solucionar, e não é”, disse Mandetta durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto. O ministro enfatizou, ainda, que ele e sua equipe “não são insubstituíveis”. “Nunca falei que somos (insubstituíveis). São visões diferentes”, reforçou.

Questionado sobre a sua permanência na pasta diante das divergências entre ele e o presidente, Mandetta respondeu que “claramente, isso não é desconhecido, há um descompasso entre o Ministério da Saúde”, sem completar a frase. “Isso aí a gente colocou e deixa muito claro que vai trabalhar até 100% dos limites da nossa possibilidade. Lá, enquanto eu estiver, nada muda. Seguiremos trabalhando”, acrescentou na sequência.

Inicialmente, o Palácio do Planalto havia proibido perguntas de jornalistas na entrevista. Pela segunda vez, no entanto, Mandetta quebrou o protocolo e autorizou os questionamentos da imprensa, que incluíram dúvidas sobre a situação do ministro à frente da pasta.

“Aceitamos todo tipo de crítica, têm coisas certas e outras errados, não temos problemas em encará-las. Não estamos aqui para dificultar a vida de ninguém, mas claramente esse não é um caminho que tenha ressonância para que seja conduzido dessa maneira”, afirmou sobre a sua linha de atuação.

Segundo apurou o Estado, o ministro descobriu que seria demitido após ligações de colegas médicos que haviam sido sondados ao cargo. Na sequência, Mandetta iniciou uma operação de bastidores para anunciar a sua saída a subordinados do ministério e evitar desgaste político. Ele ainda aguarda decisão oficial de Bolsonaro.

“Eu deixo muito claro, eu deixo o Ministério da Saúde em três situações: uma é quando o presidente não quiser mais o meu trabalho; a segundo é se eu pegar uma gripe dessas e tenho que ser afastado por forças alheias; e a terceira é quando eu sentir que o trabalho feito já não é mais necessário porque de alguma maneira passamos por esse estresse. Todas essas alternativas continuam e são válidas”, afirmou nesta quarta-feira.

A possível demissão de Mandetta gerou uma corrida nos bastidores entre aliados do presidente Jair Bolsonaro para escolha do sucessor no comando da pasta. Uma ala do Planalto e do Congresso acha que uma solução temporária seria deixar no comando do ministério o atual “número 2” da pasta, o secretário executivo João Gabbardo. Ele foi secretário de saúde na gestão do deputado federal Osmar Terra (MDB) na prefeitura de Santa Rosa (RS), na década de 1990.

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