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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 15 de dezembro de 2018


Marília Arraes: “Político precisa ter lado”

Marília Arraes: “Político precisa ter lado”

Neta de Arraes diz que sabe muito bem qual seria posição de seu avô neste momento

Por Kátia Guimarães - Jornal Do Brasil - 05/03/2018 - 07:07:58

Aos 33 anos, Marília Arraes, neta de Miguel Arraes e prima de Eduardo Campos, despontou liderança em Pernambuco e é pré-candidata do PT ao governo estadual. Crítica do partido fundado por seu avô, vereadora de três mandatos, ela afirma que o PSB abandonou suas origens. A ideia da pré-candidatura surgiu no momento em que o PT resolveu sair do abatimento provocado pelo impeachment de Dilma e reagiu ao governo Temer. Na primeira pesquisa de intenção de voto, feita pelo “Instituto Múltipla”, ela surgiu em terceiro lugar, com 14,5%. O senador Armando Monteiro (PTB) lidera com 20,5%, seguido pelo governador Paulo Câmara (PSB), com 16%.

Você nasceu em um ambiente político em que o protagonista foi o seu avô, Miguel Arraes. Como foi a influência de Arraes na sua carreira politica? 

Nasci na época da redemocratização, da campanha por Diretas Já, minha família sempre teve esse engajamento, até pela militância política de uma vida toda que meu avô teve. E eu tinha o sentimento de querer transformar a sociedade de alguma maneira e isso podia ser por qualquer via, pela via profissional, tradicional digamos assim, mas veio de uma forma natural com meu engajamento na política, terminou desencadeando no meu primeiro mandato de vereadora, há 10 anos atrás.

Como avalia a postura do PSB hoje, partido ao qual você já foi filiada? 

O PSB já foi um partido de esquerda. O PSB tem uma história de militância, de intelectuais, que já foram de esquerda e hoje em dia passou a ser um partido que tem simplesmente um projeto de poder. E muito do que nós estamos vivendo hoje no Brasil também é culpa do PSB, por exemplo essa onda de criminalização da atividade política, dos políticos. A negação da política em Pernambuco foi muito fomentada pelo PSB ao se apoiar bastante a ideia que o bom era um técnico e não político. Foi isso que aconteceu com Paulo Câmara, que foi indicado a ser candidato a governador sem nunca ter feito militância política. Sem contar a votação do impeachment, Se não fossem os votos do PSB, o impeachment não teria acontecido. Isso foi totalmente contra e incoerente com a história do partido. Se meu avô estivesse vivo, eu tenho condições de dizer de que lado ele não estaria. Ele também não estaria do lado de quem retira direitos dos trabalhadores.

No PT, você encontrou mais espaço para defender o que você acredita? 

Eu fui para o PT pensando muito na questão da criminalização que o partido vinha sofrendo e porque esta criminalização estava sendo exercida contra o PT, que se configura abertamente em um clima de ódio, de luta de classes. E nesse momento, o PT sendo o maior partido de esquerda da América Latina, e que no Brasil simboliza a luta da esquerda, que chegou no poder, que exerceu um projeto político à frente da Presidência da República, eu acreditei que para colocar em prática os ideais de esquerda, o melhor partido era o PT.

Como você avalia o governo de Paulo Câmara?

Os principais problemas do governo Paulo Câmara são decorrentes muito mais da crise política. O PSB em Pernambuco é um partido que está praticamente acéfalo, não tem uma liderança que analise o tabuleiro e jogue as pedras e não tem compromisso ideológico nenhum. Então, é difícil dar uma linha de governo dessa maneira. A gente chama de desgoverno aqui. É como se o governador não soubesse aonde vai, porque não tem um objetivo, uma meta, um compromisso que a gente possa identificar. Pernambuco não está habituado a isso. Os governadores de Pernambuco, independente de qual lado eles estivessem, eram lideranças nacionalmente reconhecidas.

A que atribui estar tão bem colocada nas pesquisas?

Nesse momento da política brasileira, o povo quer um político que tenha posicionamento firme. A gente passou muito tempo em que os políticos queriam agradar a gregos e troianos. Eu venho me posicionando já faz alguns anos, a gente está em um momento que o político precisa ter lado e, ao mesmo tempo, as pessoas estão se dando conta que foram manipuladas para apoiar o impeachment, que na verdade o objetivo do impeachment era toda essa agenda antipovo que está acontecendo. Essas duas questões estão contribuindo muito para o crescimento da candidatura.

O PSB está ensaiando uma aproximação com o PT. Como avalia esse cenário?

Existe realmente uma intenção de o PT nacionalmente agregar mais partidos para apoiar a candidatura Lula, mas isso não significa que regionalmente vai haver esse tipo de consequência. Aqui nós somos oposição ao PSB. Em Pernambuco, especificamente, há uma vontade de o PSB se aproximar do PT e isso se deve à popularidade grande que o presidente Lula tem no estado, ultrapassa os 60%.

E qual é a posição do ex-presidente Lula sobre a sua pré-candidatura? 

Ele estimula até mesmo porque tem interesse que novas lideranças se revelem no partido para oxigenar os nossos quadros. Sempre que eu converso com ele, Lula estimula que a gente continue andando e continue defendendo o projeto do partido.

Como vai ser tomada essa decisão?

Segundo o calendário do partido, essa decisão deve sair em maio, e, segundo as conversas que nós tivemos até agora, será uma decisão do Diretório do Estado. E lógico, independentemente do nosso direcionamento, nós precisamos ouvir e priorizar o projeto nacional do presidente Lula.

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