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‘Mercado da moda é responsável por 20% do lixo do planeta’, diz modelo Luciana Curtis

‘Mercado da moda é responsável por 20% do lixo do planeta’, diz modelo Luciana CurtisFoto: Divulgação

Confira entrevista a seguir.

Sonia Racy - Direto Da Fonte - 02/10/2019 - 07:38:07

Fica no interior paulista, mais precisamente em São José do Barreiro, na Serra da Bocaina, a vasta área de mata atlântica que Luciana Curtis está ajudando a reflorestar. Mãe de duas filhas e residente da cidade de NY, a top tem cada vez mais se voltado para as questões ambientais. “Há anos venho me informando e fazendo mudanças no meu jeito de viver e consumir. Apesar de todas as transformações e adaptações para uma vida mais sustentável, permanecia procurando um jeito de diminuir ainda mais as minhas pegadas de carbono e o meu impacto no planeta.”, afirma a modelo, que há 28 anos estampa grandes campanhas mundo afora. Confira entrevista a seguir.

Como surgiu o interesse em encabeçar um projeto de reflorestamento?
Faz 15 anos que procuro amenizar minhas pegadas de carbono no planeta. Voava muito a trabalho e fiz um cálculo online de quantas árvores precisaria plantar para zerar o impacto dessa minha rotina. Não lembro os números, mas lembro que era bastante coisa. De lá para cá, continuei com vontade de plantar. Foi então que, neste ano, quando estávamos de férias em SP, lembrei que uns amigos tinham comprado umas terras na Serra da Bocaina e entrei em contato – eles já estavam fazendo um trabalho de reflorestamento naquela região.

Explique um pouco mais do projeto, por favor.
O projeto é reflorestar uma área que era pasto. Ajudaremos a floresta a crescer, animais a se reproduzirem e a proteger as nascentes do Rio Paraíba do Sul. Temos uma página no Facebook com mais fotos do projeto, das plantas e dos animais nativos. Os verdadeiros heróis deste projeto são a Alessandra Jeszensky e o Sandor Kiss. Sem eles, nada disso seria possível.

Pretende fazer algo parecido na região da Amazônia?
A região da Amazônia é um problema mais complicado. Existe muita burocracia e muita corrupção envolvida.

Estou me informando muito e faço parte de dois projetos voltados à região: o “Amazônia Possível’”e o I.N.S.P.I.R.E, do qual sou embaixadora.

Que práticas mais sustentáveis tem levado para o seu dia a dia?
Tudo começou em 1999, quando morava em Londres. Fiquei doente e não pude levar o lixo reciclável para fora de casa por 3 dias. Foi então que pude ver a quantidade de plástico que eu gastava. Na época, consumia três garrafas grandes de água por dia. No mesmo dia comprei um filtro. Em 2000 parei de usar sacos plásticos. De lá para cá, mudei também as lâmpadas de casa, passei a usar produtos de limpeza biodegradáveis – a maioria feita em casa, à base de vinagre. Procuro fazer compras em mercados ou feiras a granel, priorizando sempre alimentos orgânicos. Pego transporte público sempre que posso. Até o tapete para xixi do meu cachorro é de tecido e o saquinho do cocô é feito de amido de milho 100% biodegradável. Em casa usamos escovas de dentes de bambu, não uso mais papel toalha, só panos, e o papel higiênico em casa é feito de papel reciclado. Aqui nos EUA, as pessoas também fazem muitas compras online, o que é muito conveniente, mas eu parei, pois sempre fico indignada com a quantidade de embalagens.

E na alimentação, parou de comer carne vermelha?
Com certeza a mudança mais significativa foi ter parado de comprar carne vermelha, há mais de um ano. Recentemente virei vegetariana. Fiz as mudanças que consegui, sem radicalismo. Estou sempre estudando e tentando aprender mais sobre o assunto. Algumas coisas dão mais trabalho do que outras. Cada um tem que saber como pode colaborar. Estava há anos ensaiando virar vegetariana e não conseguia. Agora, finalmente consegui.

Como enxerga a sustentabilidade no meio da moda?
O mercado da moda ainda tem muito a melhorar, sendo responsável por 20% do lixo do mundo e 8% da emissão de carbono global. Algumas marcas estão melhorando muito. Só o fato de muitas terem parado de usar pele já é um grande passo, mas também precisamos melhorar como consumidores. Se o consumidor não comprar, não tem porque produzir. O consumidor tem que ser mais exigente e fazer com que as empresas cumpram sua parte. Estou simplificando minha vida. Fiz uma arrumação no meu armário e redescobri várias roupas que estavam escondidas e dei nova vida a elas. / SOFIA PATSCH

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