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Modelo brasiliense com vitiligo inspira quebra de padrões: 'A diferença nos torna únicos', diz Larissa Sampaio

Modelo brasiliense com vitiligo inspira quebra de padrões: 'A diferença nos torna únicos', diz Larissa SampaioFoto: SouzaArt/Divulgação

Larissa Sampaio, de 19 anos, cresceu com dificuldades de autoaceitação. Após assumir manchas, viu perfil nas redes sociais se tornar referência de empoderamento para outros jovens com doença.

Por Carolina Cruz, G1 Df - 07/09/2020 - 08:03:36

Há menos de um ano, a brasiliense Larissa Sampaio, de 19 anos, decidiu fazer um ensaio fotográfico sem maquiagem no rosto. A atitude era um desafio para ela, que tem vitiligo – doença não contagiosa que causa manchas na pele devido à perda da pigmentação. Desde então, a jovem percebeu que os cliques mudaram a forma como ela e outras pessoas se olham no espelho.

"Recebo mensagens todos os dias de alguém que tem vitiligo. Eles se sentem inspirados. Fico tão grata que não dá para parar. Tomei para mim isso de ajudar outras pessoas com a questão da autoestima", diz.

"A diferença nos torna únicos."

A modelo que cresceu no Recanto das Emas, no Distrito Federal, conta que antes de ter orgulho das próprias marcas, enfrentou bullying e um processo pessoal de autoaceitação.

“Não foi nada fácil. Eu me prendia muito ao que as outras pessoas pensavam. Ia para a rua toda coberta, com calça, blusa comprida, passando maquiagem sempre que eu pudesse”, disse.
Larissa Sampaio, modelo brasiliense com vitiligo, em ensaio fotográfico — Foto: SouzaArt/Divulgação

Larissa Sampaio, modelo brasiliense com vitiligo, em ensaio fotográfico — Foto: SouzaArt/Divulgação

Larissa tinha cinco anos quando descobriu que tinha a doença, quando uma pequena mancha apareceu no joelho. Por ser um processo genético, a família logo percebeu o diagnóstico, e a jovem começou o que, hoje, chama de um "início de caminhada".

“Eu ainda era bem pequena quando alguém perguntava o que eu tinha. E eu sempre dizia que era queimadura. Não queria aceitar que tinha vitiligo, nem ter que explicar que ia lidar com as manchas por toda a vida."

Larissa tinha cinco anos quando descobriu que tinha a doença, quando uma pequena mancha apareceu no joelho. Por ser um processo genético, a família logo percebeu o diagnóstico, e a jovem começou o que, hoje, chama de um "início de caminhada".

“Eu ainda era bem pequena quando alguém perguntava o que eu tinha. E eu sempre dizia que era queimadura. Não queria aceitar que tinha vitiligo, nem ter que explicar que ia lidar com as manchas por toda a vida."

Modelo Larissa Sampaio, de 19 anos, tem vitiligo e inspira quebra de padrões

Na escola, ela conta que não conseguia se enturmar. “Era muito difícil eu encontrar pessoas que queriam estar perto de mim. A maioria só colocava apelidos”.

A modelo chegou a ser chamada de "café com leite" e "dálmata", devido às manchas na pele. “Eu chorava na frente do espelho e me perguntava porque tinha nascido daquele jeito. Demorei a me aceitar”, conta. Aos 14 anos, ela já não saia de casa sem cobrir a pele do rosto com maquiagem.

Ensaio fotográfico e superação

Larissa Sampaio, modelo brasiliense com vitiligo, em ensaio fotográfico — Foto: SouzaArt/Divulgação

Larissa Sampaio, modelo brasiliense com vitiligo, em ensaio fotográfico — Foto: SouzaArt/Divulgação

A jovem lembra ainda que teve a ajuda da família no processo de aceitação. “Meu pai sempre dizia para mim que o vitiligo me torna diferente e única. Ele sempre foi uma grande inspiração. Foi através das palavras dele que eu comecei a me aceitar”, disse.

Aos poucos, Larissa deixou de lado as mangas compridas e passou a tirar fotos nas redes sociais. Inicialmente, mostrava apenas as manchas do corpo cobrindo o rosto com maquiagem, mas no final de 2019, os cliques que ela fazia sozinha chamaram a atenção de uma agência de modelos.

“Me convidaram para fazer um ensaio sem maquiagem no rosto. Eu tomei aquilo como um desafio”, disse.

Larissa Sampaio, modelo brasiliense com vitiligo, em ensaio fotográfico — Foto: SouzaArt/Divulgação

Larissa Sampaio, modelo brasiliense com vitiligo, em ensaio fotográfico — Foto: SouzaArt/Divulgação

Antes de ser fotografada, Larissa se inspirava na top model canadense Winnie Harlow, que também tem vitiligo, e conta que admirava o empoderamento dela. Após ver as próprias fotos, a jovem brasiliense diz que ficou impressionada com os resultados. “Eu me perguntava: será que sou eu mesmo? Ficou tão diferente!”, conta.

Hoje, a modelo se prepara para cursar estética e pretende desenvolver projetos de incentivo ao empoderamento e à autoaceitação de pessoas com doenças de pele.

“Se eu pudesse me dar um conselho, quando era mais nova, diria: 'menina, acredite em você, olha a sua diferença, você é única, faça isso para ajudar outras pessoas, tenha amor próprio que é a base de tudo”.

Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.

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