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Mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave crescem 1.023% no DF em meio à pandemia

Mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave crescem 1.023% no DF em meio à pandemiaFoto: Breno Esaki/Agência Saúde

Até 23 de maio deste ano, foram 266 óbitos contra 26 em período similar no ano passado. Estatísticas incluem mortes por Covid-19, que representam 31% do total.

Por Carolina Cruz, G1 Df - 04/06/2020 - 10:04:03

Dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) apontam que 266 moradores do DF morreram por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) até o dia 23 de maio deste ano. O número representa crescimento de 1.023% em relação ao registrado até 1º de junho do ano passado, quando houve 26 notificações.

A SRAG é um diagnóstico clínico que reúne sintomas graves de infecções virais – incluindo febre, dor de garganta e falta de ar (saiba mais abaixo). Por isso, entram nas estatísticas pacientes infectados por vírus como o da gripe ou pela Covid-19.

Entre as 266 mortes por SRAG até 23 de maio, 85 apresentaram resultado positivo para o novo coronavírus, o que representa 31% do total. A maioria dos óbitos, no entanto, teve causa registrada como síndrome não especificada.

Veja:

  • SRAG não especificada: 157 mortes
  • SARS-CoV-2 (Coronavírus): 85 mortes
  • Outros vírus respiratórios: 13 mortes
  • Em investigação: 2 mortes
  • Por influenza: 3 mortes
  • Outros vírus: 6 mortes

Segundo a Secretaria de Saúde, “todos os casos com coleta de amostra respiratória foram testados primeiramente para o novo coronavírus. Quando o resultado é negativo, o Lacen [Laboratório Central de Saúde Pública] realiza o teste de outros vírus”.

“O resultado negativo, não garante que realmente não houve infecção, porque outras questões precisam ser avaliadas, como o período e a coleta adequada da amostra”, diz a pasta.

Além do coronavírus, as amostras dos pacientes passam por testagem para diagnósticos como influenza A (H1N1), rinovírus, adenovírus, entre outros.

Disparada em março

O número de casos e mortes por SRAG saltou a partir de março deste ano, quando o DF confirmou o primeiro caso da Covid-19 – no dia 7 daquele mês.

A capital contabilizou 1.819 registros de SRAG entre moradores do DF até 23 de maio deste ano, um aumento de 86% se comparado ao mesmo período do ano passado, quando houve 978 registros.

Mortes por SRAG

Comparação entre semanas epidemiológicas de 2019 e 2010

Ano 2020Ano 2019marçoabrilmaio050100150200250300

Fonte: SES-DF

SRAG sem vírus identificado

Das 1.819 notificações de SRAG neste ano, 914 não tiveram o vírus identificado, ou seja, metade dos registros. No mesmo período do ano passado, os casos de síndrome sem especificação representavam 30% do total (291 de 978).

Entre os pacientes com SRAG em 2020, 445 testaram positivo para coronavírus. Esse número representa também a quantidade de pacientes com Covid-19 que precisaram ser hospitalizados, já que a SRAG caracteriza o estado grave da doença. Veja a relação abaixo:

  • SRAG não especificada: 914
  • SARS-CoV-2 (Coronavírus): 445
  • Outros vírus respiratórios: 245
  • Em investigação: 163
  • SRAG por influenza: 34
  • Outros vírus: 18

Há ainda os casos em que não houve amostra coletada para análise. Neste ano, foram 114 registros, ou seja 12% do total dos casos sem especificação. Em período equivalente no ano passado, foram 162.

Idade dos pacientes

Em 2019, 72% dos casos da síndrome ocorreram entre crianças com menos de um ano. Já neste ano, a SRAG passou a atingir todas as faixas etárias e os registros em crianças de até dois anos não chegam nem a 20% do total (veja abaixo). As mortes estão principalmente entre os maiores de 60 anos.

Pacientes com SRAG em 2020

Idade Casos
Menor de 2 anos 139
2 a 10 anos 68
11 a 19 anos 8
20 a 29 anos 30
30 a 39 anos 75
40 a 49 anos 103
50 a 59 anos 100
60 a 69 anos 92
70 a 79 anos 57
Mais de 80 anos 52

Fonte: SES-DF

De acordo com o infectologista José David Urbaéz, a prevalência da síndrome em crianças, em situações comuns, se deve principalmente ao “vírus sincicial respiratório”, comum na faixa etária e que coloca menores de até dois anos no grupo de risco nas campanhas vacinais da influenza.

O especialista também explica que a falta de diagnóstico em casos de SRAG é comum, já que eles incluem uma série de vírus. “Muitas vezes pode ser também um virose sazonal que esteja circulando, que ataca o tecido pulmonar. Todos os anos lidamos com vírus diferentes”, afirma.

CORONAVÍRUS

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