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Mulher que pediu Exército na rua a Bolsonaro se diz “arrependida”

Mulher que pediu Exército na rua a Bolsonaro se diz “arrependida”Foto: Metrópoles

Fátima Montenegro é empresária, mas teve o seu registro cassado. Ela foi alvo de processo no Tribunal Regional do Trabalho

Tacio Lorran - Metrópoles - 03/04/2020 - 16:00:03

empresária e professora Fátima Montenegro, que ganhou as manchetes após pedir “Exército nas ruas” ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na quinta-feira (03/04), se diz “arrependida” do que falouEm entrevista ao Metrópoles, ela disse que a sua intenção era apenas fazer um apelo para que o comércio voltasse a funcionar. “Por que não veio polícia na minha cabeça?”, questiona.

Uma série de governadores e prefeitos decretaram políticas de isolamento social para conter a pandemia do coronavírus. Bolsonaro é contra.

“Por que falei isso? Não pedi intervenção [militar]. Se não estão deixando abrir o comércio, não pode deixar ninguém fazer [nada], põe o exército para pelo menos proteger a gente. Porque vão prender a gente. Não tive outra intenção. Me arrependi tanto de falar isso. Por que não veio polícia na minha cabeça?”, disse a professora, em entrevista.

Mãe de dois filhos, Fátima disse que tem sido ameaçada após o presidente Bolsonaro compartilhar a mensagem e o vídeo viralizar nas redes sociais.

        • “Estão me ameaçando, não param de me ligar. Tenho meus dois filhos. Não tive intenção nenhuma, maldade de ninguém. Estou acordada até agora, não dormi nesta noite”, relata a mulher, que não quis revelar a idade ou os autores das supostas ameaças. Ela diz que teve seu número de telefone divulgado.

          “Não conheço o presidente, não foi nada armado. Pedi para ele isso. Na verdade, levei meus filhos para passear. Aí fiquei emocionada. Como vou prover meu lar? Não faço outra coisa a não ser dar aulas”, continuou.

          “Me deixem em paz. Quero continuar minha vida como era”, prosseguiu. “Eu tenho dois filhos, moro sozinha. Estão brincando com a minha vida”, complementou.

          Perfil
          Nas redes sociais, a professora bolsonarista se diz “patriota” e “conservadora”. Ela relatou ter participado das manifestações do último dia 15 de março, quando apoiadores do presidente pediram o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente juntou-se aos manifestantes apesar do apelo de autoridades da saúde para que ficasse em quarentena por causa de ter sido exposto ao coronavírus.

          “Câmara, Senado, STF e grande imprensa estão contra o Brasil”, diz faixa apresentada pela militante.

          Falta de declarações e processo
          Desde o dia 17 de outubro de 2018, a empresa de Fátima Montenegro, está com a inscrição “inapta” na Receita Federal por omissão de declaração. A professora, entretanto, oferece, ainda hoje, cursos de caligrafia.

        • Já o processo distrital é anterior. O cancelamento do cadastro fiscal da ABZ Caligrafia Técnica – nome fantasia do empreendimento – está publicado no Diário Oficial do Distrito Federal, na edição de 20 de abril de 2018.

          Há, também, um processo no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) contra a empresa de Fátima. Conforme a homologação dos cálculos pela Justiça do Trabalho, o funcionário reclamante teria direito a R$ 6.443,06 a receber. Fátima alegou falta de bens e chegou a oferecer R$ 1.500, divididos em dez parcelas. O processo está suspenso desde 26 de março deste ano, conforme indica o TRT.

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