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Mulheres são as que mais sofrem com a perda da massa óssea ao longo da vida

Mulheres são as que mais sofrem com a perda da massa óssea ao longo da vidaFoto: Pixabay

Anticorpo e bactéria têm bons resultados

Vilhena Soares-correio Braziliense - 24/12/2019 - 07:45:36

Ossos preservados desde a infância

Mulheres são as que mais sofrem com a perda da massa óssea ao longo da vida. Por isso, devem fortalecê-la a partir da infância, defendem especialistas. Pesquisas mostram como novos hábitos e novas abordagens médicas podem ajudar.

Grande parte da população idosa sofre com a perda de massa óssea, um problema desencadeado pelo envelhecimento que pode provocar a osteoporose. Essa complicação é mais frequente na população feminina — três em cada quatro pacientes são mulheres. Para ajudar essa população, pesquisadores têm desenvolvido remédios mais poderosos e alternativas não medicamentosas. O principal objetivo é prevenir esse problema de saúde desde cedo.


Com a chegada da idade avançada, os ossos se tornam fracos, e qualquer tombo pode provocar danos graves. O último estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), divulgado no fim de 2018, mostrou que, entre 4.174 idosos brasileiros consultados, 25% já haviam sofrido uma queda. O trabalho também revelou que a maior ocorrência desses acidentes é entre mulheres com idade a partir dos 75 anos.


Uma das estratégias mais defendidas por médicos e cientistas da área médica para evitar fraturas é a prevenção. “A perda óssea que caracteriza a osteoporose pode ser evitada. Essa tarefa se inicia na infância e é essencial durante a adolescência. Compreende hábitos que assegurem atingir um pico de massa óssea elevado na juventude e sua posterior conservação ao longo da vida. Dietas com ingestão adequada de cálcio, exposição solar e prática de exercícios físicos regulares são fundamentais e recomendadas, assim como evitar os fatores de risco, como tabagismo, abuso de álcool e algumas medicações, como corticoide”, lista ao Correio Talita Cardoso Fagundes, reumatologista do Instituto Castro e Santos (ICS), em Brasília.


Uma série de pesquisas tem mostrado que a atividade física é uma das protagonistas na missão de fortalecer os ossos. Um estudo feito por cientistas dinamarqueses mostrou que mulheres com 55 a 70 anos ganharam mais força e resistência nos ossos após 16 semanas de uma rotina de sessões de treinamento de futebol de uma hora, duas vezes por semana, combinadas com orientação alimentar. Os pesquisadores defendem essa atividade física como uma das mais promissoras no combate a problemas como a osteoporose.


“Normalmente, você não pensaria no futebol como algo para pessoas de 70 anos com baixa capacidade física ou problemas de saúde óssea, mas vimos efeitos promissores de treinamento e excelente participação”, conta Magni Mohr, um dos autores da pesquisa e cientista da Universidade do Sul da Dinamarca. “Nossos resultados mostram que o futebol, combinado com uma alimentação equilibrada, é realmente eficaz para melhorar a saúde óssea, pois causou ganhos positivos significativos nas pernas e em locais do fêmur clinicamente importantes”, completa.


Dores no corpo

Para Carlos Magno, fisioterapeuta, o estudo reforça uma orientação que tem sido frequente por médicos e vista em outras pesquisas. “Assim como esse estudo, outros trabalhos que analisaram esse tipo de prevenção, com atividade física, mostram resultados muito satisfatórios. É algo muito importante principalmente para mulheres, pois, quando chegam à menopausa, elas começam a sentir dores no corpo, o que causa muito sofrimento”, diz. “Como as mulheres se cuidam mais, elas seguem as recomendações que ajudam a evitar a osteoporose. Por isso, a prevenção tem sido tão enfatizada. A recomendação dos médicos é uma atividade física, sem grande intensidade, feita durante 150 minutos por semana. Isso é muito pouco e pode fazer muita diferença”, frisa.


Miss Lene Rodrigues, 41 anos, aproveita a sua paixão antiga por futebol para manter a forma e se prevenir de problemas de saúde como a osteoporose. “Desde pequena, eu gostava de jogar bola. Tenho nove irmãs e, entre todas, eu era a única que jogava, mas sempre com os meninos. Levei isso para a vida, e não tem uma semana que eu não jogue futebol”, conta. A auxiliar de limpeza acredita que o futebol a ajuda durante a rotina diária de trabalho, faz com que ela se sinta forte e não sofra com problemas relacionados ao envelhecimento “Sinto o meu corpo muito fortalecido. No trabalho, preciso abaixar muito e acredito que, se não me exercitasse, as dores nas pernas e nas costas iriam me perturbar. Eu jogo com outras mulheres, a maioria delas é mais jovem que eu, mas acho que, se outras da minha idade participassem, gostariam e se sentiriam melhores também”, diz.


A reumatologista Talita Cardoso Fagundes lembra que a adoção de novos hábitos de saúde é importante, mas que há outros fatores ligados à perda óssea. “É essencial iniciar uma prevenção desde a infância, com bons hábitos alimentares e atividade física, porém temos fatores de risco não modificáveis, como história familiar, menopausa precoce e doenças crônicas, como artrite reumatoide”, detalha.

Anticorpo e bactéria têm bons resultados

Em busca de alternativas mais eficazes para tratar a osteoporose, pesquisadores suecos desenvolveram um anticorpo que bloqueia a substância esclerostina, responsável por retardar a nova formação óssea. O remédio já é usado nos Estados Unidos e rendeu resultados positivos no tratamento da população. “Com esse novo tratamento, conseguimos oferecer uma proteção significativamente melhor contra fraturas e, assim, ajudar muitos pacientes com osteoporose grave”, afirma Mattias Lorentzon, professor de geriatria do Instituto de Medicina da Sahlgrenska Academy e um dos autores do estudo, publicado no New England Journal of Medicine (NEJM).


Para Fagundes, o medicamento é uma arma importante no tratamento da osteoporose, mas ainda não é a terapia ideal para toda a população idosa. “O constante avanço na medicina e a busca incansável por novas opções de tratamento são extremamente importantes. O romosozumabe promete agir favorecendo a formação óssea sem ativar vias de reabsorção, como observamos com outras opções de tratamento para osteoporose. Contudo, especialistas devem ficar atentos porque ele é contraindicado para pacientes com história prévia de infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC), uma vez que aumenta o risco cardiovascular”, enfatiza.


Para a médica brasileira, outros tratamentos mais eficazes deverão surgir. “A osteoporose é uma enfermidade que já tem algumas opções de tratamento. Entre elas, os bifosfonatos, que são os mais utilizados. Ao longo dos anos têm surgido medicações para casos de osteoporose avançada com fratura”, relata.


Probióticos

Além de mais remédios, as bactérias podem ser futuras aliadas à saúde dos ossos. Cientistas suecos mostraram esse efeito em um estudo científico com 90 mulheres com, em média, 76 anos, e que ingeriram probióticos com a bactéria Lactobacillus reuteri 6475. Um ano depois, elas apresentaram menos perda óssea, em comparação às voluntárias que não consumiram o suplemento.


Com base nos dados, os pesquisadores acreditam que os probióticos podem ajudar a prevenir problemas ósseos. “Hoje, existem medicamentos eficazes administrados para tratar a osteoporose, mas como a fragilidade óssea raramente é detectada antes da primeira fratura, há uma necessidade premente de tratamentos preventivos. Essa pode ser uma opção”, defende Mattias Lorentzon, médico chefe e professor de geriatria da Universidade de Gotemburgo, na Suécia.


Um ano após o término do estudo, foram feitas medições da perda óssea das pernas das participantes com a ajuda de uma tomografia computadorizada. Elas foram comparadas com dados coletados no início do estudo. “As mulheres que receberam as bactérias haviam perdido apenas metade da massa óssea, em comparação com aquelas que não receberam os micro-organismos”, detalha Anna Nilsson, pesquisadora da universidade sueca e também autora do trabalho. “Outro resultado positivo foi que o tratamento foi bem tolerado e não produziu mais efeitos colaterais do que aqueles experimentados por mulheres que receberam o placebo”, completa. (VS)

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