Na Índia, António Guterres pede fundo de US$ 3 bilhões para fazer IA beneficiar a todos

Líder da ONU disse que valor representa menos de 1% da receita anual de uma única empresa de tecnologia; recursos seriam destinados a desenvolver competências, poder computacional e ecossistemas inclusivos; ONU lança painel de especialistas e Diálogo Global para garantir regulação adequada

Na Índia, António Guterres pede fundo de US$ 3 bilhões para fazer IA beneficiar a todos
Na Índia, António Guterres pede fundo de US$ 3 bilhões para fazer IA beneficiar a todos

Agência Onu News - 20/02/2026 08:39:06 | Foto: Agência Onu News

O futuro da Inteligência Artificial não pode ser decidido por um punhado de países ou “deixado ao capricho de alguns bilionários”. Esse foi o recado do secretário-geral da ONU na Cúpula de Impacto da IA ​​em Nova Délhi, na Índia.

Em discurso realizado nesta quinta-feira, António Guterres defendeu a criação de um Fundo Global para ajudar os países em desenvolvimento a terem melhor acesso a essa ferramenta.

Muitos países podem ficar excluídos da era da IA
O líder da ONU afirmou que a meta é angariar US$ 3 bilhões, um valor que representa “menos de 1% da receita anual de uma única empresa de tecnologia”.

Ele disse que esse é "um pequeno preço a pagar pela difusão da IA ​​que beneficia a todos, incluindo as empresas que desenvolvem a inteligência artificial".

O secretário-geral expressou preocupação com o fato de que, sem investimento, muitos países ficarão "excluídos" da era da IA e destacou a necessidade de desenvolver habilidades, poder computacional e ecossistemas inclusivos.

Painel Científico Independente
Guterres enfatizou os esforços da ONU para garantir que o desenvolvimento da tecnologia ​​seja devidamente regulamentado. Um desses esforços foi a criação do Painel Científico Internacional Independente sobre IA durante a Assembleia Geral do ano passado.

O órgão, formalizado na semana passada, reúne 40 especialistas de renome mundial e tem como objetivo reunir evidências e preencher lacunas de conhecimento sobre riscos, oportunidades e impactos sociais da Inteligência Artificial.

O chefe das Nações Unidas instou os Estados-membros, as empresas e a sociedade civil a contribuírem com esse trabalho.

“Nenhuma criança deveria ser cobaia em testes de IA”
Ele disse que as pessoas devem ser protegidas contra exploração, manipulação e abuso e que “nenhuma criança deveria ser cobaia em testes de IA não regulamentada” alertando para a exposição de crianças na internet.

Já no mundo laboral, o chefe da ONU defendeu mais investimento nos trabalhadores “para que a IA aumente o potencial humano, e não o substitua” colocando os profissionais em segundo plano.

Aludindo a outra relação da tecnologia com a crise climática, Guterres adicionou que com o aumento vertiginoso da demanda por energia e água associada à Inteligência Artificial, os centros de dados e as cadeias de suprimentos precisam migrar para energia limpa.

Diálogo sobre Governança
O secretário-geral também enfatizou o lançamento do Diálogo Global sobre Governança da IA ​​e sua sessão inaugural em julho. Ele defendeu “mecanismos de salvaguarda que preservem a autonomia, supervisão e responsabilidade humanas".

António Guterres acredita que se bem aplicada, a IA pode impulsionar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável acelerando descobertas na medicina, expandindo as oportunidades de aprendizado, além de fortalecer a segurança alimentar, reforçar a ação climática e a preparação para desastres.

Por outro lado, sem regulação, a tecnologia também pode “aprofundar a desigualdade, amplificar o preconceito e alimentar danos".

Para ele, o impacto real significa tornar a tecnologia acessível para todos, de uma forma que melhore vidas e proteja o planeta.

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