×
ContextoExato

Contexto Exato

Brasil - Brasília - Distrito Federal - 09 de dezembro de 2021

'Não dá pra romantizar voluntários que estão correndo riscos', diz ativista

'Não dá pra romantizar voluntários que estão correndo riscos', diz ativistaFoto: Arquivo Pessoal

Bruna, com óleo nos pés: a praia toda está tomada

Universa - Uol - 23/10/2019 - 18:02:08

Advogada e ativista do meio ambiente, a pernambucana Bruna Albuquerque, de 32 anos, esteve entre os voluntários que trabalharam no último domingo (20) para conter o derramamento de óleo na Praia de Muro Alto, no município de Ipojuca, um dos cartões postais de Pernambuco.

Acostumada a acompanhar mutirões para coletar lixo em mangues e praias nordestinas, Bruna conta que foi a primeira vez que lidou com o recolhimento desse tipo de substância e não vai voltar mais. "Fui com o EPI [equipamento de proteção individual] completo, mas caiu um pouco de petróleo meu braço, limpei na hora, eu estou com uma reação alérgica que cada dia coça mais. Depois senti a pior dor de cabeça de todos os tempos", diz.

Para Bruna, o grau de toxidade do óleo é óbvio, "é possível até sentir no ar" e as pessoas que estão tentando limpar as praias, muitas vezes até porque têm ali seu sustento, estão colocando a saúde em risco.

"Está havendo uma romantização do trabalho voluntário. Chegou-se a criar o slogan, 'chega aqui que a gente limpa'. Mas o que você percebe quando vai para um dia de limpeza desse é que aquilo é petróleo cru, é um material extremamente tóxico. As pessoas estão sendo submetidas a um risco que não poderia. É uma nova categoria de desastre ambiental, é o pânico ambiental."

Embora admire a mobilização popular, a ativista reforça que não é prudente expor uma quantidade de pessoas a um risco de contaminação imensurável e lembra que o poder público precisa assumir o comando dos trabalhos.

"No domingo estávamos na Ilha do Francês, no Porto de Suape, onde só se chega de barco. Havia muitos voluntários sem EPI, sem almoçar, as pessoas manipulando um material extremamente tóxico. Entramos no modo desespero. Ao convocar mais pessoas que poderiam nem ter contato com essa substância podemos aumentar os danos do ponto de vista da saúde pública."

Segundo Bruna, muito do material recolhido no mar neste dia acabou espalhado na areia porque os sacos plásticos não deram conta de acondicionar o óleo. "É uma gosma pesada."

Munida de informação

Bruna não vai mais voltar para o front do recolhimento do óleo. Ela vai atuar acompanhado os desdobramentos jurídicos e ajudando a cobrar ações do poder público. A ativista conta que sempre foi defensora dos animais e do meio ambiente e quando resolveu que seria advogada, focou para o direito ambiental porque era a única área em que se identificava.

A pernambucana trabalhava em empresas para "pagar os boletos", e criou no ano passado a empresa Manifesto Ambiental com objetivo de atuar nas causas ambientais. Hoje presta consultorias e produz conteúdo na internet sobre sustentabilidade, alternativa ao uso de plástico e como viver gerando menos lixo.

"Não é prudente entrar em contato com essa substância. Depois de uma grande mancha de óleo, ficam micropartículas de petróleo que são impossíveis de serem removidas pelos voluntários."

A ativista diz que apesar de as cenas das manchas de óleo serem dignas de tristeza, elas não a surpreende. "Quando eu entro nos mangues vejo muito lixo, algo tão degradante quanto isso. Acho que nos próximos dez anos podemos esperar grandes desastres ambientes, as coisas vão entrar em colapso. Os sintomas vão começar a se agravar." Para ela, o plano de recuperação do dano ambiental causado pelo derramamento do óleo vai durar pelo menos duas décadas.

Manchas surgiram no início de setembro

Segundo a Marinha do Brasil, as primeiras manchas de óleo apareceram o litoral nordestino apareceram no dia 2 de setembro. Segundo o órgão, desde então têm sido realizadas ações de monitoramento e redução de danos.

O Ministério do Meio Ambiente publicou texto no site oficial, no dia 16 de outubro, em que diz que mais de 1 mil homens, helicópteros, aviões e barcos estão sendo empregados nas operações de retirada de óleo das praias do Nordeste.

Ainda, de acordo com a Pasta, as ações do Plano Nacional de Contingência (PNC) e do Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA) "estão em pleno funcionamento. A operação mobiliza vários órgãos do governo federal, como Ibama, ICMBio, Polícia Federal, ANP, Petrobras, Exército Brasileiro, Força Aérea Brasileira, Universidades Federais e mais todos os recursos disponibilizados pelos estados e municípios, além do terceiro setor."

Segundo o ministério, "o óleo não é brasileiro, tem origem venezuelana, mas não se conhece o modo como vazou para o litoral brasileiro."

Comentários para "'Não dá pra romantizar voluntários que estão correndo riscos', diz ativista":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório
UnB aprova título de Doutor Honoris Causa para o líder indígena Aílton Krenak

UnB aprova título de Doutor Honoris Causa para o líder indígena Aílton Krenak

Líder indígena e ambientalista Aílton Krenak receberá o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Brasília (UnB)

MST comercializa cesta de natal com produtos da reforma agrária

MST comercializa cesta de natal com produtos da reforma agrária

O período de entrega ou retirada das cestas será entre os dias 14 e 23 de dezembro.

Começa a 54ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Começa a 54ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Festival de Brasília do Cinema Brasileira será totalmente online e vai de 7 a 14 de dezembro; filmes poderão ser vistos de forma gratuita pela internet.

De olho na natureza, crianças participam do Natal no Cerrado

De olho na natureza, crianças participam do Natal no Cerrado

A ação contou com exposição de fotos, plantação de sementes e contação de história

Rede pública de ensino do DF amplia oferta de idiomas

Rede pública de ensino do DF amplia oferta de idiomas

Sofia de Souza, de 15 anos, pretende cursar alemão no Cemi Gama e conhecer a Alemanha

Grafite muda a paisagem da avenida W3 Sul

Grafite muda a paisagem da avenida W3 Sul

Douglas Retok conta que muitas vezes percorreu a W3 Sul em busca de um muro que servisse de suporte para sua arte

Artesãos brasilienses participam de feira em Belo Horizonte

Artesãos brasilienses participam de feira em Belo Horizonte

A artesã Tânia Rodrigues com a secretária de Turismo, Vanessa Mendonça

Trânsito é liberado aos domingos e feriados na W3 Sul

Trânsito é liberado aos domingos e feriados na W3 Sul

A avenida volta a ter circulação de veículos

Museu da República no Distrito Federal exibe três mostras simultaneamente

Museu da República no Distrito Federal exibe três mostras simultaneamente

Cecília Lima, Raíssa Studart e Cléber Cardoso Xavier apresentam trabalhos produzidos durante residência artística em Olhos D’Água

Jardim Zoológico de Brasília recebe ursa ameaçada de extinção

Jardim Zoológico de Brasília recebe ursa ameaçada de extinção

Liz veio da Bahia especialmente para encontrar Ney. Expectativa é que o casal contribua para a preservação da espécie, ameaçada de extinção.

Natal no Cerrado une espírito festivo e meio ambiente

Natal no Cerrado une espírito festivo e meio ambiente

Ação de conscientização ambiental acontece, simultaneamente, nos parques ecológicos Sucupira e Riacho Fundo