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Navio Prof. W. Besnard, ressurge a esperança

Navio Prof. W. Besnard, ressurge a esperançaFoto: Estado

Ressurge a esperança para o navio Prof. W. Besnard

Estadão Conteúdo - 02/04/2019 - 17:51:05

Nunca naveguei no navio Prof. W. Besnard, bem que gostaria. Aquilo não é um barco, é uma lenda náutica. Um ícone da oceanografia nacional. O navio oceanográfico Prof. W. Besnard, foi batizado em homenagem ao russo-francês, Wladimir Besnard, cientista trazido ao Brasil pelos fundadores da USP, para organizar e dirigir o Instituto Oceanográfico da USP em seus primeiros 14 anos. Tarefa que executou com brilho. Desde que o navio foi aposentado, em 2008, persiste uma disputa inglória: afundá-lo, e transformá-lo em atração submarina; ou transformá-lo no primeiro museu flutuante nacional?

Ressurge a esperança para o navio Prof. W. Besnard

A boa nova, deste início de 2019, veio por meio do site do jornal A Tribuna, de Santos. A matéria conta que, “O navio oceanográfico ‘Professor Wladimir Besnard’ deve içar âncora ainda neste ano e deixar o Porto de Santos, onde está atracado desde 2008…Um entendimento sobre o futuro do navio foi encaminhado em reunião na sede do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico (Condephaat) entre a ONG Instituto do Mar (Imar) e a Prefeitura de Ilhabela…

Prefeitura de Ilhabela vai doar o navio

A doação será para o Instituto do Mar que desde a primeira hora luta para transformá-lo em museu flutuante. Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento e Turismo de Ilhabela, Ricardo Fazzini, “Pela conversa que tivemos no Condephaat, é muito provável que a embarcação seja tombada. Por isso, perde-se o propósito da Prefeitura de Ilhabela, que pretendia fazer um naufrágio controlado. Agora, estamos encaminhando a papelada para a doação ao Imar. Os termos ainda estão sendo discutidos”.

Opinião do Mar Sem Fim

Venceu o bom senso! Finalmente teremos um museu flutuante, um que tem história à beça: o ícone antártico, navio Prof. W. Besnard. O Mar Sem Fim não vê a hora deste sonho se tornar realidade. O Brasil, e os brasileiros, devem sua história ao mar e aos marinheiros . É preciso cultuar nossa rica, e desconhecida, história náutica. Oxalá este museu seja só o começo. Parabéns a Fernando Liberalli, e Instituto do Mar. Sucesso!!

A seguir, a história tortuosa para chegar até aqui…

Navio Prof W. Besnard – a história

Besnard desde sempre não abriu mão de um navio de pesquisas. Para dar forma ao modelo escolhido pela Universidade de São Paulo, definiram o estaleiro A/S Mjellem Karlsen, em Bergen, Noruega, a quem coube o projeto final da embarcação.

imagem do navio Prof.W.Besnard

Foto de Rafael Arbex, Estadão, 2018.

Navio foi entregue em 1967

Em 1967, já batizado em homenagem ao seu idealizador morto pouco antes, ele foi entregue e trazido para Santos.

23 anos navegando ininterruptamente, mais de 150 viagens, e 50 mil amostras de organismos marinhos

O Prof W Besnard navegou mais de 3.000 dias. Durante os primeiros 23 anos, o navio navegou sem interrupções! Foram centenas de expedições científicas. Só de Antártica ele acumula seis expedições. Sendo que a primeira expedição brasileira aconteceu graças ao Besnard. Ao todo, foram mais de 150 viagens! 68 diários de bordo para contar a história, ou mais de 50 mil amostras de organismos marinhos coletados, algumas não catalogadas até hoje.

Navio Prof W Besnard, afundando nossa história, imagem do navio Prof Besnard no porto de Santos

navio Prof. W. Besnard: pequeno e bravo navio. Foto, MSF, 2006.

Navio Prof. W. Besnard escreveu lindos capítulos da história náutica brasileira

Com a aproximação da aposentadoria, anunciada no início de 2016, o Prof. W. Besnard deixa de ser um simples navio. Torna-se um nostálgico capítulo, dos mais bonitos e importantes, de nossa história náutica.

Navio Prof. W. Besnard, afundando história

navio Prof. W. Besnard. O comando

Incêndio em 2008

Numa tarde de novembro de 2008, um incêndio irrompeu num dos camarotes do navio fundeado na Baía de Guanabara. Não houve vítimas, e os próprios tripulantes controlaram a situação. Mas o incêndio pôs o ponto final em sua história. Mesmo assim ele continua vivo. De acordo com informações, e fotos de amigos que visitaram o Besnard recentemente,

a casa de máquinas está em perfeito estado. Motores, geradores, tudo funcionando. E nem uma gota de água nos porões do navio.

Navio Prof. W. Besnard, afundando nossa história, imagem do motor do navio Prof W Besnard

navio Prof. W. Besnard. Casa de máquinas com equipamentos em bom estado

O Besnard está na UTI, no porto de Santos, à espera que desliguem os aparelhos que o mantém vivo

Navio Prof. W. Besnard, afundando história

Aspecto interno

Como demonstram as fotos, apesar da idade o “coração do Besnard”, a casa de máquinas, parece em bom estado apesar de, externamente, ele estar mal tratado.

Navio Prof. W. Besnard, afundando nossa história, imagem do porão do navio Prof W Besnard

navio Prof. W. Bernard

As duas opções: um museu, ou afundá-lo?

E esta, por acaso, não seria a melhor oportunidade para contar nossa bonita história na Antártica ? Transformando o Besnard em museu flutuante o navio continuaria vivo, servindo ao Brasil, ensinando às futuras gerações como foram nossos primeiros passos no ‘Continente Gelado’. Para aqueles que não se conformam com o destino do Besnard ainda há tempo para transformá-lo em Museu. Mas, muito pouco tempo antes que afunde apodrecido pela inominável burocracia tupiniquim.

Afundá-lo para se tornar atração submarina?

Para afundar, é preciso preparar o navio, limpá-lo por dentro, retirar uma série de peças, fazer um projeto, ter aprovação do EIA RIMA, etc. Há um protocolo internacional a ser seguido, providências que ainda não foram tomadas pela Prefeitura de Ilhabela.

Ilhabela tem 23 naufrágios naturais

Ilhabela já tem vários naufrágios naturais. Ao todos 23 navios afundaram na região. O mais famoso é o Príncipe de Astúrias que naufragou em 1916, na Ponta do Boi. É um dos naufrágios mais emblemáticos do Brasil. Constantemente visitado por mergulhadores.

Navio foi doado à prefeitura da Ilhabela em 2016

Aconteceu em 2016, durante o mandato do antigo prefeito, Toninho Colucci (2009 – 2016 ) o Prof. W. Besnard foi doado à prefeitura de Ilhabela. Dois anos depois, em 2018, Ilhabela decidiu que afundaria o Besnard para que se tornasse um recife artificial. Pouco depois, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico ( Condephaat ), acionado por Fernando Liberalli do Instituto do Mar, abriu um estudo de tombamento o que paralisou os planos, dando lugar à papelocracia. Liberalli, com apoio deste site, de professores da USP, e de muitas outras pessoas a julgar pelos comentários dos internautas, defende que o Besnard se torne um museu flutuante. Agora é preciso terminar um estudo que demora no mínimo um ano, para sabermos se segue o tombamento, ou não. A dúvida é…

Aguentará o Besnard esperar uma decisão do Condephaat?

Pergunta difícil de responder. A julgar pelas fotos publicadas por O Estado de S. Paulo, não. O ícone antártico brasileiro parece apodrecer rapidamente. Segundo técnico do Ibama, ‘o navio corre risco de afundar’.

imagem do navio Navio Prof. W. Besnard

Fotos de O Estado de S. Paulo de 2018.

Abaixo foto do Mar Sem Fim de 2006.

imagem do navio Prof. W. Besnard

Foto, MSF, 2006.

E outra foto recente de Rafael Arbex:

imagem do navio Prof. W. Besnard

Foto de 2018.

Os custos da cada solução

Transformá-lo em museu não geraria custos à prefeitura. Seria patrocinado pela iniciativa privada, promessa do Instituto do Mar. O afundamento está orçado em R$ 2 milhões de reais.

O Instituto do Mar promete “viabilizar o licenciamento ambiental caso a prefeitura consiga outro navio.”

‘O Besnard é história e mais que história da oceanografia, ele é história da ciência brasileira’

Assista entrevista do Professor da USP Michel Mahiques

Fontes: Folha de S. Paulo; https://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,o-triste-fim-do-navio-pioneiro-na-antartida, 70002647908 ; https://www.atribuna.com.br/noticias/portoemar/ilhabela-vai-doar-navio-professor-besnard-a-instituto-1.45770?fbclid=IwAR1jHtsfpYJM05vIwGOUblNoe5GNe-zeuARkPpXmYzqAj_ZpBu8QGyF4cfM.

Foto de abertura: Rafael Arbex, Estadão.

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