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No Distrito Federal: Bancos de leite pedem ajuda

Profissionais de saúde e Corpo de Bombeiros seguem rigorosos protocolos para garantir a segurança do leite

Mariana Niederauer-correioweb - 22/03/2020 - 10:02:52

Com as previsões de que a transmissão do coronavírus se agrave na cidade, é importante reforçar os estoques. Mães que estejam saudáveis e amamentando seus filhos podem entrar em contato com Secretaria de Saúde para fazer a doação.

Profissionais de saúde e Corpo de Bombeiros seguem rigorosos protocolos para garantir a segurança do leite 
 (Minervino Junior/CB/D.A Press
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Os estoques dos bancos de leite do Distrito Federal estavam próximos de atingir a capacidade ideal de armazenamento para atender os bebês prematuros quando a cidade, o país e o mundo começaram a enfrentar as infecções pelo novo coronavírus. Por isso, mães saudáveis e que amamentem seus filhos podem fazer esse gesto de solidariedade e garantir que os estoques sejam reforçados para encarar os períodos mais críticos da pandemia na capital federal.

“Precisamos melhorar os nossos estoques, porque não sabemos como será daqui para a frente. As previsões são ruins, as pessoas precisam ter bom senso e ficar em casa. Se não abaixarmos a curva de transmissão, não poderemos fazer coletas. Para suportar esse período (caso ele ocorra), precisamos melhorar os estoques, porque os bebês prematuros continuarão nascendo”, alerta a coordenadora dos Bancos de Leite Humano do DF, Miriam Santos.

Ela garante que tanto os bancos de leite quanto o Corpo de Bombeiros Militar do DF, que faz a coleta em casa do leite humano, trabalham com rigor para garantir a segurança do alimento e, agora, vão reforçar ainda mais os cuidados. Com relação às doadoras, as recomendações se mantêm: prender os cabelos, usar máscara e fazer a coleta, após massagear a mama, em pote de vidro esterilizado e com tampa de plástico. Não é indicado usar recipiente de plástico.

Quem não tiver os potes disponíveis em casa pode entrar em contato com a Secretaria de Saúde pelo 160, opção 4, ou acessar o site Amamenta Brasília — www.saude.df.gov.br/amamenta-brasilia — e fazer o cadastro. A equipe de saúde fará contato direto com a doadora.

“O banco de leite oferece todo o material necessário”, lembra Miriam. Nesses casos, o Corpo de Bombeiros pode deixar o equipamento na casa da doadora ou um parente pode buscá-lo na unidade de saúde mais próxima de casa para levá-lo à lactante. Depois, os militares devem ser acionados para coletar a doação de leite humano, tomando as precauções e seguindo protocolos necessários.

Atenta à importância do ato, a produtora executiva Patrícia Fontoura, 35 anos, continua a doar o leite materno. Ela chegou a colher quatro potes por semana para entregar aos bancos de leite públicos. Hoje, com a filha de 4 meses, a quantidade doada é menor, mas Patrícia faz a coleta sempre que possível. “Em um dos grupos que eu faço parte tem poucas doadoras, eu fico preocupada, é muito importante doar. Até divulguei em outros grupos porque acho essencial.”

"Precisamos melhorar os nossos estoques, porque não sabemos como será daqui para a frente" Miriam Santos, coordenadora dos Bancos de Leite Humano do DF

Amamentação

Miriam Santos destaca, ainda, que todos os bancos de leite do DF estão aptos a ajudar as mães também nas dificuldades que aparecerem na amamentação durante esse período. “Se for preciso, faremos até videoconferências”, afirma. O esforço dos profissionais de saúde será sempre para evitar que elas saiam de casa. O contato inicial pode ser feito por telefone (veja Serviço).

O Ministério da Saúde, por meio de nota técnica publicada na última semana, informou não haver evidência científica de transmissão da Covid-19 por leite materno até o momento, portanto a amamentação deve seguir normalmente. Segundo o documento, os benefícios do ato superam quaisquer riscos potenciais de transmissão do vírus por meio do leite materno. Mesmo as mulheres que tiverem diagnóstico de infecção por coronavírus e que desejam amamentar, devem ser estimuladas a fazê-lo.

Caso a mãe infectada não se sinta segura para amamentar, pode retirar o leite e dá-lo à criança em um recipiente. Nos dois casos, os cuidados são os mesmos: lavar as mãos com sabão por, pelo menos, 20 segundos antes de tocar o bebê ou antes de retirar o leite materno; usar máscara facial (cobrindo completamente nariz e boca) durante as mamadas e evitar falar ou tossir durante a amamentação; e trocar a máscara imediatamente em caso de tosse ou de espirro.

O único estudo clínico disponível sobre transmissão de mãe para feto do novo coronavírus, realizado com seis pacientes com pneumonia causada pela doença, pesquisou a presença do vírus em amostras de líquido amniótico, sangue do cordão umbilical, leite materno e swab da orofaringe do recém-nascido. O estudo demonstrou não haver presença do vírus nessas secreções.

Colaborou Celimar Meneses, estagiário sob supervisão de Mariana Niederauer

Serviço

Para doar leite, procure o Banco de Leite Humano mais perto de você. Lá também é possível ter orientações sobre amamentação

  • Hospital Regional de Taguatinga: 2017 1702
  • Hospital Regional de Ceilândia: 2017-2000 (Ramal: 3033)
  • Hospital Regional de Samambaia: 2017-2202
  • Hospital Regional da Asa Norte: 2017-1900 (Ramal 7102/7103)
  • Posto de Coleta São Sebastião: 2017-1500 (Ramal 6591)
  • Hospital Regional de Santa Maria: 4042-7770 (Ramal 5529 ou 5530)
  • HRL – Paranoá: 2017-1579
  • Hospital Regional deSobradinho: 2017-1204
  • Hospital Regional de Brazlândia: 2017-1302
  • Hospital Materno-Infantil de Brasília: 2017-1608
  • Banco de Leite Humano do Gama: 2017-1842
  • Banco de Leite Humano de Planaltina: 2017-1369

 (Arquivo pessoal)

Personagem da notícia

“Eu me chamo Flaviane, sou mãe da Helena. Realizo doações semanais de leite materno para o Banco de Leite do Hospital de Santa Maria, pois acredito que é um gesto de amor poder doar um alimento tão precioso para os bebês que precisam dele. Tive muitas dificuldades no início da amamentação e, graças às enfermeiras do Banco de Leite do Hmib (Hospital Materno-Infantil de Brasília) consegui superar cada dessas dificuldades. Hoje, tenho a oportunidade de doar esse alimento tão preciso que é o leite materno. Acredito que doar é uma forma de ajudar aos bebês que precisam e é uma pequena atitude para retribuir todo o trabalho e empenho dos profissionais que trabalham nos bancos de leite.”

Flaviane Corrêa, 32 anos, psicóloga

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