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Nove estados reúnem 89% das mortes por novo coronavírus no Brasil

Nove estados reúnem 89% das mortes por novo coronavírus no BrasilFoto: CorreioWeb

Epicentro da Covid-19, São Paulo apresentou 280% de aumento no número de óbitos em um mês, passando de 31 para 118 registros por dia. Com 363 pessoas infectadas ou suspeitas na fila da UTI, Rio de Janeiro vê número de casos confirmados saltar

Bruna Lima E Maíra Nunes - Correioweb - 05/05/2020 - 05:49:23

Epicentro da pandemia do novo coronavírus no Brasil, o estado de São Paulo registra 32.187 casos confirmados e 2.654 mortes, segundo dados do Ministério da Saúde, sendo 20.073 de moradores da capital (62%). No país, o total de casos é de 107.780 e as mortes somam 7.321. Em abril, a média de mortes diárias confirmadas em São Paulo cresceu 280%, se comparada ao mês anterior, passando de 31 óbitos por dia para média de 118. As comparações também indicam que, na última semana, houve 10.491 novas confirmações, o que equivale a uma média diária de quase 1.498 novos casos. Na última semana de março, a média era de 403 confirmações por dia.


Com maior número de óbitos, nove estados estão na lista de prioridades do Ministério da Saúde. São eles: São Paulo (2.654), Rio de Janeiro (1.065), Ceará (712), Pernambuco (691), Amazonas (584), Pará (330), Maranhão (249), Bahia (141) e Espírito Santo (122). As unidades federativas concentram 6.548 mortes, ou seja, 89% dos óbitos no Brasil. Desde o início da pandemia no Brasil, a região Sudeste é a detentora do maior número de casos confirmados, com 49.481 pacientes diagnosticados. Em seguida estão o Nordeste, com 33.598 casos; o Norte, com 15.662; Sul, 5.792; e Centro-Oeste, 3.247.


Como tentativa de frear a transmissão do vírus, o governador de São Paulo, João Doria, decretou que, a partir desta quinta-feira, o uso de máscaras será obrigatório em qualquer espaço público do estado. Desde ontem, a obrigatoriedade do equipamento já existia em transporte público. A iniciativa deve-se também ao aumento de pessoas internadas nos últimos dias em todo a unidade federativa, chegando a 3.272 internações em unidades de terapia intensiva (UTIs) e 5.150, em enfermarias. A taxa de ocupação de leitos de UTI está em 67,9%, no estado, e 88,8%, na Grande São Paulo. Segundo Doria, o país enfrenta hoje a “fase mais dura e mais difícil dessa pandemia”.


A fiscalização da regra ficará a cargo de cada uma das 645 prefeituras, que vão determinar, em cada município, como vigiar e punir em caso de descumprimento. As cidades terão de editar decretos complementares. Na capital, essa definição deve ser publicada na véspera da entrada em vigor da medida. “A gente deve definir se a fiscalização será feita pela Guarda Civil Metropolitana ou pelos fiscais das subprefeituras, se a multa será aplicada sobre pessoas ou estabelecimentos que permitem a entrada sem máscaras”, disse o prefeito Bruno Covas.


Beira do colapso
Ontem, 363 pessoas infectadas pela Covid-19 ou suspeitas aguardavam leitos em unidades de terapia intensiva (UTIs) da rede hospitalar do estado do Rio de Janeiro. A estatística foi divulgada pela secretaria estadual de Saúde. No estado do Rio, a ocupação é de 84% dos leitos de UTI e de 74% dos leitos de enfermaria, segundo a secretaria estadual de Saúde. Ao todo, 2.266 pacientes estão internados na rede estadual.


A rede municipal de saúde do Rio, no entanto, está com praticamente todos os leitos destinados ao tratamento da Covid-19 ocupados. Só restavam desocupados, ontem, 2% dos leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) reservados para vítimas de coronavírus na rede pública da capital fluminense, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. A ocupação chegou a 98% dos leitos de UTI e 91% dos leitos de enfermaria. “Há três leitos (de UTI) disponíveis na central de regulação unificada para transferência de pacientes que aguardam na fila de espera das unidades municipais, estaduais e federais”, afirma a pasta municipal.

3 em cada 10 conhecem alguém que morreu

Um levantamento da Demanda Pesquisa e Desenvolvimento de Marketing apontou que três em cada dez brasileiros conhecem uma pessoa que morreu após ser infectada pela Covid-19. O dado é da segunda edição de uma pesquisa sobre o impacto do coronavírus no Brasil. O trabalho foi realizado entre 18 e 21 de abril, quando as medidas de isolamento social já completavam um mês para algumas pessoas. O levantamento apontou ainda que apenas 10% dos entrevistados estão ficando em casa.


O dado sobre óbitos, presente na pesquisa, se refere a casos que foram confirmados. “Muita gente já tem conhecido que foi infectado ou, pior, que acabou morrendo. A pesquisa mostrou que 33% dos entrevistados conhecem alguém que morreu da doença. Nós não tínhamos essa informação na outra verificação, de março. Esse novo dado veio em abril. Isso mostra que o coronavírus chegou perto das pessoas”, analisa Silvio Pires de Paula, presidente da Demanda.


Outros 8% afirmaram conhecer pessoas que morreram com suspeita de contaminação pelo vírus, mas que não foram confirmados. A primeira morte pela doença no Brasil ocorreu no dia 16 de março, de um homem de 62 anos, em São Paulo, e foi confirmada um dia depois.


Em relação aos casos da doença, 34% afirmaram que amigos tiveram confirmação de infecção pela doença por exames. Em relação a membros da família, esse número é de 7%. Outros 27% disseram que amigos e 9% que familiares receberam diagnóstico clínico, sem a realização de testes. Entre os que foram infectados, 1% disse ter recebido diagnóstico laboratorial e 2% tiveram diagnóstico clínico. Para a pesquisa, foram ouvidas 1.045 pessoas de todas as regiões do País. Elas responderam questionário on-line. A margem de erro é de três pontos porcentuais para mais ou para menos.


Isolamento
Assim como na edição anterior, as pessoas se preocupam mais em não infectar outras pessoas (69%) do que em serem infectadas pelo vírus (53%), mas os índices são menores do que os de março, quando os números eram 76% e 55%, respectivamente. Por região, a que mais tem preocupação é a norte do Brasil, que já apresenta colapsos no sistema de saúde. “A situação de Manaus assusta muita gente”, avalia o presidente da Demanda.


Em relação ao isolamento social, 36% dos entrevistados consideram as medidas rigorosas e adequadas. Para 35%, elas são brandas e deveriam ser mais rígidas. No recorte por idade, 59% das pessoas até 29 anos estão neste último grupo. “O que as pessoas estão dizendo é que querem medidas rigorosas. Apenas 2% afirmaram que são contra todas as medidas”.

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