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O adeus a Sobel, o rabino que criticou a ditadura

O adeus a Sobel, o rabino que criticou a ditaduraFoto: Correio Braziliense

Henry Sobel, 75, rabino e crítico da ditadura

Correio Braziliense - 23/11/2019 - 09:20:32

O rabino Henry Sobel, de 75 anos, morreu ontem, em Miami (EUA), em decorrência de complicações causadas por um câncer. Rabino emérito da Congregação Israelita Paulista (CIP), teve forte atuação na ditadura militar pelo esclarecimento da morte do jornalista Vladimir Herzog, contestando a versão oficial de que teria cometido suicídio — o que o levou a permitir que o ex-diretor da TV Cultura fosse sepultado no Cemitério Israelita do Butantã, seguindo todos os ritos judaicos, e não no setor destinado aos suicidas. Junto a D. Paulo Evaristo Arns e ao reverendo James Wright, celebrou um ofício inter-religioso em homenagem ao jornalista, de origem judia, em 23 de outubro de 1975.


Sobel nasceu em Lisboa, filho de mãe belga e pai polonês, que fugiram da perseguição nazista na II Guerra Mundial. Depois, a família emigrou para os EUA. Na década de 1970, o rabino decidiu vir para o Brasil, onde ficou por mais de quatro décadas e tornou-se uma voz potente contra a ditadura. Em 2007, envolveu-se num furto de gravatas em uma loja em Palm Beach (EUA), que levou ao seu afastamento da CIP. Justificou o episódio com uma doença psicológica e ao efeito de remédios para depressão, mas, depois, admitiu que cometeu um “erro”.



Autoridades, organizações religiosas e instituições de direitos humanos lamentaram. Filho de Vladimir Herzog, Ivo Herzog divulgou nota em que chama o rabino de um dos “grandes heróis” nacionais. “Quebrando protocolos do judaísmo, enfrentando resistência dentro da comunidade judaica, foi um dos protagonistas que abriram caminho para o fim da ditadura no Brasil.”

Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Senado, disse: “Nós, judeus, perdemos um grande líder espiritual. Seremos eternamente gratos à dedicação dele à nossa comunidade.”

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o descreveu como “um grande defensor dos direitos humanos.”

A Confederação Israelita do Brasil salientou que Sobel “construiu pontes entre o judaísmo e as demais religiões, participando de inúmeros cultos e eventos ecumênicos.”

O Congresso Judaico Latino-Americano lembrou de Sobel como alguém que sempre esteve “atuando na luta pelos direitos humanos, contra o antissemitismo, toda forma de discriminação e, sobretudo, a melhoria do mundo.”

O PSol divulgou uma nota lamentando. “Se recusou a enterrar Vladimir Herzog como suicida e organizou o ato ecumênico da Praça da Sé em 1975 (...). Sobel, presente!”

O apresentador Luciano Huck também se manifestou: “Um homem de diálogo, construtor de pontes religiosas e ideológicas.”

O ator Dan Stulbach também relatou momentos que teve com o rabino. “Eu o imitava. (...) Era meu personagem preferido, e mais, eu o admirava.”

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