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O confinamento político de Ibaneis Rocha

O confinamento político de Ibaneis RochaFoto: Ana Rayssa - CorreioWeb

À população perplexa, vivencia um luto coletivo, consternada com o sofrimento do próximo.

Por João Zisman - 25/07/2020 - 08:05:24

A pandemia do coronavírus tem imposto uma rotina desagradável para a população mundial. As agruras do confinamento, nem de perto se aproximam ao sentimento de perda que as famílias dos mais de 80 mil brasileiros que se foram, vítimas do vírus. Só no Distrito Federal a barreira dos mil e duzentos mortos já foi superada. A população perplexa, vivencia um luto coletivo, consternada com o sofrimento do próximo.

As incertezas que se avolumam dia após dia em relação a eficácia das medidas de combate à doença, trazem um desconforto psicológico na população de tal ordem, que contestar e desafiar o distanciamento social tem se tornado uma constante, apesar de ser a única medida sanitária comprovadamente eficaz.

Na cabeça da maioria dos governantes, o contexto econômico tem ocupado o espaço dedicado a preocupação com a saúde pública. A pressão dos setores produtivos diante do fechamento de empresas de todos segmentos e a real ameaça na estabilidade das relações de trabalho, amparam, ainda que maneira capenga, o discurso de necessidade de reabertura das atividades consideradas não essenciais.

A verdade é que a estatística continua a se mostrar cruel, com um número de óbitos em nível chocantemente inaceitável. O trabalho do poder público no intuito de conter a doença, tem sido um esforço baseado no método de tentativa e erro, portanto, ainda não se mostra possível enxergar o fim de toda esse caos, muito menos quando vão parar todas essas mortes. A verdade científica é que liberar a circulação da população nas ruas, comprovadamente aumenta o risco de disseminação do vírus, o que por sua vez auxilia a engordar a estatística de contaminados e de vítimas fatais.

No universo do Distrito Federal, é certo afirmar que o difícil dilema por que passa o Governador Ibaneis Rocha, entre ter que decidir priorizar as vidas e a saúde, com a manutenção do confinamento e até mesmo decretar o ato instituindo o lockdown ou abrir o comércio, indistintamente, para salvar os empregos, será o ponto principal para determinar futuro do DF e o seu destino político.

A opção escolhida de abrir o comércio se revelará exitosa ou não nos próximos 15 dias. Rezemos para que essa tentativa não se configure num grande erro.

Mas tudo indica que o governador Ibaneis convive com outro tipo de confinamento, desta feita o político. Os gabinetes do Buriti parecem contar, por vezes, com uma blindagem de boas ideias e sobretudo de bom senso, tão necessário para cumprir a liturgia e elevar o trato com os demais poderes constituídos, ou seja: o judiciário e o legislativo.

Tem sido desperdiçada uma grande oportunidade por parte do executivo, quando não toma a iniciativa de propor a união de forças com o legislativo e judiciário, no sentido de criar condições de firmar um pacto pró-combate ao covid e seus desdobramentos na economia, reunindo as melhores cabeças para pensarem em ações práticas, simples e que se traduzam imediatamente em soluções diretas para a população.

Porém ao contrário do pacto, o que se vê é que o governador Ibaneis não demonstra paciência para tratar com o legislativo, minimizando, para não dizer menosprezando, o poder da CLDF. Obviamente sua personalidade centralizadora e autoritária, ganha dimensões estratosféricas pelo fato que sua assessoria mais próxima, com medo de discordar e alertar para os desdobramentos negativos provocados pelos rompantes de quem muitos costumam chamar de “reizinho”, prefere baixar a cabeça e oferecer o pior de um pseudo assessoramento, que é a bajulação extrema, no melhor estilo 2 + 2 é 5. O senhor está certo governador!

Muita conta tem sido feita dentro e fora da CLDF, para acertar o número real de deputados distritais que fazem parte da base do governo. Hoje, numa análise muito conscienciosa já é possível afirmar que o governador só poderá contar com o voto de 10 (dez) distritais, caso não haja mais nenhuma defecção. Os demais 14 parlamentares se dividem entre a oposição declarada, os independentes e aqueles que se dizem totalmente insatisfeitos com os rumos do governo e com a forma com que são desrespeitados pelo executivo: governador e alguns secretários.

A CPI do Covid promete esquentar o travesseiro de Ibaneis e da trupe que pilota a saúde do DF, no entanto, segundo fontes palacianas o governador Ibaneis não faz a menor questão em tentar fazê-la descansar na burocracia legislativa. Mal sabe ele que segundo a lenda que envolvem as CPIs: se sabe como cada uma começa, mas ninguém imagina como possa terminar. De pizza a cadeia, o caminho é desconhecido.

Mas o governador parece ter aguçado sua personalidade egóica, alimentada pelo séquito de assessores que dizem que tudo que ele faz e pensa está correto. Isso não o ajuda em nada. A CPI do Covid é a prova disso. Numa leitura política rasa, a CPI será o palco político que a oposição, os independentes e os muito insatisfeitos terão para antecipar o palanque de campanha para as eleições de 2022. São pouco mais de dois anos de artilharia política voltada para o governador.

Resta saber se o governador está disposto para enfrentar o embate num “front” que ele ainda não domina ou se priorizará o entendimento, de maneira que possa avançar em seu mandato, pavimentando seu futuro político, até mesmo para distâncias maiores.

Outro expectador experiente afirma que Ibaneis precisa governar ao lado do povo e dos políticos e não junto de um grupo de advogados que mais se preocupam em defender interesses empresariais.

Que Deus nos proteja.

Por

João Zisman

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