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O desafio de manter o isolamento social no Distrito Federal

O desafio de manter o isolamento social no Distrito FederalFoto: CorreioWeb

Cibele Moreira, Tainá Seixas E Jéssica Eufrásio - Correioweb - 15/07/2020 - 09:55:46

Com taxa de distanciamento em 41,3% o ideal seria 70%, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Distrito Federal enfrenta dificuldades para evitar aglomerações. Situações mais complicadas acontecem no Plano Piloto, em Ceilândia e em Taguatinga

Flagrante de pessoas muito próximas no centro de Ceilândia: cidade é a que mais tem casos e mortes por covid-19 no Distrito Federal (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Flagrante de pessoas muito próximas no centro de Ceilândia: cidade é a que mais tem casos e mortes por covid-19 no Distrito Federal

A população do Distrito Federal enfrenta o maior desafio da sua história. A guerra contra o novo coronavírus fez centenas de vítimas e não tem previsão de acabar. Ainda assim, o distanciamento social e o isolamento — duas das principais recomendações para evitar que o micro-organismo se espalhe — não têm sido respeitados como deveriam. As ruas do DF estão cada vez mais movimentadas, e a aglomeração é perceptível em diversas cidades.

Apesar de o uso de máscaras ser respeitado por boa parte da população, há muita gente que dispensa o item de proteção ou o coloca sobre o rosto, de forma inadequada, com o queixo ou o nariz descobertos. O Correio percorreu, no início da semana, Plano Piloto, Ceilândia e Taguatinga. Mesmo com as orientações dos órgãos oficiais, dezenas de pessoas se agrupam próximas umas das outras em praças, paradas de ônibus e no transporte público. O desrespeito à norma que prevê o uso de máscara também é habitual.

Para duas moradoras de Ceilândia, a sensação é de que nada mudou. “Saímos hoje (ontem) por extrema necessidade. Precisávamos fazer o exame de vista, mas percebemos que ninguém está respeitando o isolamento social”, reclamou a estudante Solange Alves, 25 anos. A mãe de Solange, Maria Alves, 53, conta que, no Sol Nascente, região onde moram, a maioria das pessoas não se preocupa com a situação. “Muitos saem sem máscara, aglomeram-se, não estão nem aí”, observa Maria. Ela acrescenta que viveu o drama da doença no hospital onde trabalhou cuidando de um idoso: “Todos os dias, ia ao hospital e via a quantidade de pacientes. Eu não estava em contato direto com infectados, mas o receio sempre aparecia”, relata.

"Muitos saem sem máscara, aglomeram-se, não estão nem aí. Todos os dias, ia ao hospital (onde trabalhava) e via a quantidade de pacientes. Eu não estava em contato direto com infectados, mas o receio sempre aparecia" Maria Alves, 53 anos

Agravante

A taxa de isolamento social no DF estava em 41,3% na segunda-feira, segundo levantamento mais recente do site Inloco. O dado tem base na localização verificada por meio de celulares dos brasileiros. Em abril, durante o período de quarentena com medidas mais rígidas na capital, o índice chegou a 62,5% (veja Proporção). A taxa ideal para mitigar a disseminação do vírus é de 70%, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Além da quantidade de pessoas circulando nas ruas, outro ponto destacado por moradores de Ceilândia é a movimentação na Feira do Rolo. Alguns criticaram a falta de fiscalização diante de uma situação que não mudou desde o início da pandemia. A Secretaria de Proteção da Ordem Urbanística (DF Legal) informou que, em todo o Distrito Federal, 69,5 mil pessoas foram abordadas e 83 levaram multas por não usarem máscaras. Os números levam em conta operações realizadas entre 18 de maio e 11 de julho, nas ruas e em estabelecimentos comerciais.

Um agravante para o momento é o fato de o período ser de frio e seca, o que favorece o aparecimento de doenças respiratórias e pode dificultar a detecção da covid-19. Além disso, para o infectologista especialista em medicina tropical Dalcy Albuquerque, a população não está culturalmente preparada para manter o distanciamento social. “Há cuidados individuais que as pessoas devem tomar para evitar que tenham a doença. A possibilidade de se ter um quadro grave existe. Não vale a pena arriscar”, argumenta. “Se houver qualquer acréscimo no número de doentes que precisem de UTI e não houver incremento dos leitos e respiradores, o sistema pode colapsar.”

Moradora de Vicente Pires, Tamille Silva dos Santos, 23, reforçou os cuidados. “Trabalho como cuidadora de gêmeos na Asa Sul e, desde que começou a pandemia, estou dormindo no serviço. Minha mãe é do grupo de risco. Não dá para ficar indo e voltando para casa de ônibus”, explica a jovem, que, uma semana por mês, volta para ver a família. “Saio apenas em momentos de necessidade e, quando chego em casa, a primeira coisa que faço é tirar a roupa, colocar para lavar e tomar banho. Se todo mundo tiver consciência, a gente vai passar por esse período o mais rápido possível”, acredita.

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