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O mundo de punhos cerrados. Multidões nos EUA e em vários países

O mundo de punhos cerrados. Multidões nos EUA e em vários paísesFoto: CorreioWeb

Punhos cerrados, manifestantes passam em frente ao Lincoln Memorial, em Washington: mobilização recorde

Correioweb - 07/06/2020 - 10:22:01

Milhares saem às ruas da capital, onde um aparato policial foi mobilizado na Casa Branca, no 12º dia de protestos pela morte de George Floyd

Punhos cerrados, manifestantes passam em frente ao Lincoln Memorial, em Washington: mobilização recorde (Drew Angerer/AFP)

Com a Casa Branca protegida por um forte dispositivo policial e vários helicópteros sobrevoando a cidade desde cedo, manifestantes ocuparam as ruas de Washington no 12º dia de protestos nos Estados Unidos pelo assassinato de George Floyd. Multidões protestaram não apenas na capital, onde era aguardado um número recorde de pessoas, mas em inúmeras cidades norte-americanas e também no exterior.


Em Washington, a prefeita democrata Muriel Bowser, em oposição ao presidente Donald Trump, que ameaçou usar as Forças Armadas contra os protestos, uniu-se a uma das marchas realizadas ontem, numa rua próxima à Casa Branca. A prefeita renomeou esse ponto da cidade como Black lives matter (Vidas negras importam), uma das palavras de ordem das manifestações. Ativistas pintaram essa mensagem na calçada em letras amarelas.


“Sem justiça, não há paz”, clamavam os manifestantes, que se reuniram, também, em frente ao monumento de Lincoln e nas proximidades do Capitólio, para protestar contra a morte de Floyd, um americano negro asfixiado por um policial branco, na cidade de Minneapolis, no último dia 25. No fim da tarde, as marchas confluíram para a Casa Branca. Os organizadores esperavam reunir 1 milhão de pessoas.


Na Filadélfia, a concentração foi no Museu de Arte. Houve protestos em Nova York, Miami, Chicago e Los Angeles. A cinco meses da eleição presidencial, o episódio abriu um debate sobre a violência policial e as desigualdades de que são vítimas os cidadãos negros, aprofundadas pela pandemia do novo coronavírus, que mostrou que são eles que sofrem com taxas de mortalidade desproporcionais, além de altos índices de desemprego.


As mobilizações levantaram ainda uma nova discussão: a repressão aos protestos, considerados os mais importantes desde a década de 1960, durante o período da luta pelos direitos civis. Na quinta-feira à noite, câmeras flagraram um policial empurrando um idoso e vários outros agentes passando por ele enquanto o homem sangrava no chão em Buffalo, Nova York, provocando grande indignação no país.

Um grupo de direitos humanos entrou com uma ação contra Trump depois que as forças de segurança dispararam gás lacrimogêneo em um protesto pacífico. No fim da semana passada, houve tumultos, com saques, em paralelo às manifestações.


Após esses distúrbios, autoridades decretaram inéditos toques de recolher, que já foram levantados em Washington, Los Angeles e outras cidades, mas continua em Nova York com restrições.


Funerais
Depois do velório em Minneapolis, há três dias, uma despedida foi realizada, ontem, em Raeford, na Carolina do Norte, onde Floyd nasceu. As autoridades ordenaram que as bandeiras fossem colocadas a meio mastro em todo o estado.


O caixão de Floyd foi recebido por uma multidão que o aplaudiu. Milhares de pessoas formaram fila para se despedir do afro-americano, protegidas por sombrinhas em um dia de calor tórrido no sul dos Estados Unidos.


No exterior, manifestantes se reuniram em cidades como Londres, Pretória, Paris, Berlim e Montreal, entre outras. Na Austrália, o primeiro país a protestar fora dos EUA, milhares de pessoas marcharam pelas ruas de Sydney, levando faixas com a frase “não consigo respirar”, as últimas palavras de Floyd, enquanto era sufocado por quase nove minutos pelo joelho de um policial durante sua detenção.

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