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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 21 de setembro de 2021

O que o pelo pode dizer sobre a saúde do seu petFoto: Arquivo pessoal

O que o pelo pode dizer sobre a saúde do seu pet

A troca da pelagem de cães e gatos é natural, mas pode indicar problemas de saúde caso seja acompanhada de sinais de anormalidade. Especialistas explicam possíveis causas e cuidados

Por Raquel Ribeiro - Correio Braziliense - 01/06/2021 - 15:03:23

A pelagem macia e sedosa de cães e gatos não só traz beleza estética como também desempenha funções essenciais para a saúde deles. De tempos em tempos, é comum que os pelos dos animais caiam para darem lugar a novos e mais saudáveis. Contudo, a queda em excesso e de maneira não uniforme pode indicar problemas.

“A pelagem protege contra exposição solar e danos físicos, além de ter uma função tátil, de comunicação. Os animais podem se camuflar e se eriçar quando se sentem ameaçados, como forma de mostrar que são maiores do que realmente são. Outra função é a de regulação de temperatura, para que não fique superaquecido ou com frio”, elenca a veterinária dermatologista Cristina Samarco, da Pets Place, sobre os papéis da pelagem.

Ela explica que a periodicidade da troca varia entre as raças e o tamanho da pelagem: “Normalmente, animais de pelo curto trocam com mais frequência, não têm essa troca tão marcante e sazonal como ocorre com o animal de pelo longo — estes podem fazer a troca apenas duas vezes por ano.”

Em países com as estações bem definidas, a ocorrência é sazonal, isto é, no outono e na primavera. Ainda que seja um processo natural, quando há perda frequente e de maneira não uniforme, ou seja, em regiões localizadas, é sinal de anormalidade. Nesse caso, a veterinária aponta as características: pelo eriçado, opaco, áspero e com epilação fácil.

Segundo o veterinário Ricardo Natividade, da Point Animal, a queda de pelos tende a ficar mais aparente em raças que têm pelagem maior, como golden, labrador e shitsu. “Os cachorros de pelagem curta também têm essa troca, mas a gente acaba não percebendo tanto pelo fato de o pelo ser menor. Além disso, há aqueles que aparentam não ter queda, mas, quando é feita a raspagem, sai muito pelo”, acrescenta.

Fatores hormonais e de temperatura podem contribuir para a queda natural de pelos. Além disso, o próprio ser humano pode ocasionar problemas ao animal, dando banhos em excesso e não utilizando produtos adequados. Ricardo conta que muitos bichos de estimação ficaram com queimaduras químicas por excesso de limpeza com álcool em gel e outros produtos durante a pandemia. “Banhos semanais também tiram um pouco da imunidade da pele e do pelo, além do uso de roupinhas, por deixar mais úmido e quente. Isso tudo pode corroborar para o surgimento de patologias”, alerta o profissional.

Se uma falha em uma região pontual for identificada, é necessário investigar para descobrir as causas. Normalmente, pode ser um sintoma de uma doença, mas Cristina Samarco adverte que pode ser uma causa secundária, de outro problema: “O próprio animal pode estar se coçando e, ao fazer isso, machuca-se, traumatizando o pelo. É muito importante a gente diferenciar isso, se o animal que está causando ou se ela é primária”. Ela observa que as doenças alérgicas são os casos mais atendidos na clínica. Como o pet sente muita coceira, acaba arrancando o pelo e deixando uma área falhada.

Acostumada a ter alergias pelo corpo, Daphne, da raça Jack Russel, começou a sentir coceiras e apresentar feridas. A tutora Fernanda Vilazante, servidora pública, conta que o diagnóstico foi difícil e, no início, houve suspeita de leishmaniose. Depois, foi descoberta a causa primária do problema: reação alérgica. “Curamos as feridas, mas como não conseguíamos tratar a causa primária, sempre que ela entrava em contato com o agente alergênico, ou que tinha baixa no sistema imunológico, as feridas voltavam. Era um ciclo vicioso, diz.

Para completar, ainda era preciso cuidar das infecções secundárias que surgiam em razão das feridas abertas. Segundo Fernanda, a pelagem está recuperada, mas os cuidados continuam. “O tratamento é contínuo. Estamos sempre atentas, pois, caso ela tenha uma reação alérgica novamente, o tratamento recomeça do zero.”

Doenças diversas

De acordo com Ricardo Natividade, os principais problemas relacionados à queda de pelo são as dermatites originárias de bactérias e fungos. “Às vezes, o animal tem um estresse e sofre uma desregulação que prolifera alguma bactéria indesejada presente na pele. É bem comum ter essas dermatites nesses pontos”, afirma. O uso de xampus e produtos impróprios, além de roupas, também podem provocar uma maior sensibilidade da pele.

Apesar de pouco comuns e mais difíceis de identificar, doenças endócrinas e problemas hormonais são outros fatores que resultam na queda de pelo. “Nesse tipo de doença, é observado mais quedas em algumas localizações, como na cauda e na região do nariz. Além disso, essas patologias endócrinas normalmente causam alopecia bilateral simétrica”, diz Cristina.

A alopecia tende a ser uma doença estética que gera apenas a queda de pelo no animal e, normalmente, não apresenta manifestações clínicas. Cristina ressalta que o spitz alemão, ou lulu da pomerânia, é uma raça que possui maior predisposição genética para o problema. É o caso de Curisco. Segundo a bancária Alessandra Mansur, 51, o aparecimento da alopecia alterou os planos do primo, antigo tutor do animal, que tinha intenção de iniciar uma criação de raça com ele. “Com o aparecimento da doença, ele não poderia ser usado mais para esse fim, uma vez que a doença é genética e pode ser passada para os filhotes”, explica.

O filhote, de um ano e meio, acabou doado para Alessandra, que iniciou o tratamento com os medicamentos indicados. Segundo a bancária, há suspeitas de que a doença foi originada de uma tosa que chegou até o subpelo. O tratamento foi bem-sucedido e o animal, castrado para evitar a transmissão da doença. Alessandra conta que a descoberta foi uma novidade e que, desde então, ela tem se preocupado mais em cuidar da pelagem de Curisco. “Ele faz somente a tosa das pontas e a higiênica. Também toma banho e é escovado regularmente.”

Como tratar?

Por causa de um processo alérgico, Daphne começou a sentir coceiras e apresentar feridas: como consequência, queda de pelo
Por causa de um processo alérgico, Daphne começou a sentir coceiras e apresentar feridas: como consequência, queda de pelo (foto: Arquivo pessoal)

Quando a queda não tem uma doença como base, Cristina recomenda que seja feita uma remoção da pelagem no pet shop com um profissional treinado. “Existe um tipo de escovação que vai removendo os pelos mortos. Se fizer com uma certa frequência, uma vez por mês, por exemplo, diminui bastante a queda.” Ela também orienta que o tutor não deixe o pet subir na cama e no sofá para não espalhar o pelo, especialmente se alguém da família for alérgico.

Quanto às doenças, cada uma vai ter um tratamento específico com uso de medicamentos próprios. No geral, o tratamento também conta com a ingestão de vitaminas e a hidratação da pele, para estimular o fortalecimento e o crescimento de novos pelos. Uma dieta balanceada é essencial. “Quando o animal tem uma alimentação pobre, há uma menor apreensão dos nutrientes essenciais, e isso faz com que a pele e o pelo fiquem mais sensíveis, secos, e no caso do pelo, mais quebradiço”, esclarece a veterinária, que também indica o consumo de vitaminas e rações próprias para a pelagem.

Ela destaca que a suplementação vitamínica só vai ser necessária se a alimentação não for de boa qualidade ou se o animal não tiver costume de tomar sol. Fazer banhos com produtos adequados, secar bem o pelo e escovar com frequência para remover os fios mortos são outras medidas importantes. “Existem luvas que, quando você coloca e vai acariciando o animal, vai removendo os subpelos. Elas são muito usadas em gatos, pelo fato de eles serem estressados e poderem ficar traumatizados com a escovação. A remoção de subpelo para cachorros de pelo curto também é bem legal e dá para fazer com mais frequência”, aconselha Cristina.

Os animais com pelo mais longo, por sua vez, podem ter alopecia, logo, a veterinária não recomenda que seja feita uma tosa rente à pele, pois há risco de o pelo não crescer novamente ou crescer em formato de mosaico, com tufos. Há, também, o caso de doenças que não possuem tratamento, como a síndrome de Cushing, que consiste em um problema nas adrenais do animal, causando a queda de pelo como um dos sintomas.

*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte

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