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'O que os pets precisam mesmo é estar com a gente'

'O que os pets precisam mesmo é estar com a gente'Foto: Pixabay

Vamos nos adaptar

Estadão Conteúdo - 30/03/2020 - 07:57:59

Era mais ou menos assim: acordávamos, eu me arrumava rapidinho, chamava um carro pelo aplicativo, embarcava e a Ella, minha sharpei, e ela ia “vendo sua televisão”: colocava as patinhas na tampa do porta-malas e acompanhava o movimento da rua pelo vidro traseiro. Chegávamos ao Spaces, nosso escritório pet friendly, e ela saía para fazer sua ronda: ia de sala em sala cumprimentando as pessoas e dando sua corridinha pelo corredor do segundo andar.

Nossa agenda era repleta de almoços, jantares, sorvetinhos aqui, drinques ali e viagens aos fins de semana. De repente, o tal coronavírus , que parecia distante, chegou. Em um piscar de olhos, montamos nosso escritório em casa e nossa rotina mudou completamente.

Passeios ficaram curtos para a cachorra Ella. Foto Cris Berger/Guia Pet Friendly

Nos primeiros dias, armazenei comida e medicamentos que eu e a Ella poderíamos precisar. O próximo passo foi organizar as descidas à rua, já que a mocinha não faz as necessidades em casa. Resolvi utilizar a garagem externa e não sair do prédio, por precaução. Voltar para casa se transformou em uma operação de guerra: deixar o sapato na entrada, lavar as patinhas com água e sabão no box do chuveiro (haja lombar!) e passar um pano com desinfetante no chão da casa. Atividade que se repete três vezes por dia.

A Ella me olha sem entender muito bem, me puxa para fora do prédio sem sucesso e certamente deve estar sentindo falta dos nossos dias animados. Se, agora, estou bem? Sim. Se já estive mal? Sim. Me dei conta de que olhar para o lado era besteira: sentir inveja de quem está melhor e culpa pelas pessoas que estão piores, só ia me deixar paralisada. O que fez diferença mesmo foi lembrar da frase atribuída erroneamente a Charles Darwin (na verdade, ela está gravada em um placa da Academia de Ciências da Califórnia): não é o mais forte que sobrevive, e sim o que sabe se adaptar. É isso que eu e a Ella estamos fazendo: criando uma nova rotina.

Nosso começo de manhã é tomando sol na varandinha, as saídas são rápidas e objetivas e o pit stop para um xixi fora de hora (até então, inédito) no box é frequente. O que não mudou? Dormir e acordar com ela, os beijos e as brincadeiras.

O que os nossos bichinhos precisam mesmo é estar com a gente. Exatamente o que muitos de nós também necessitamos em horas assim: o amor incondicional que só um pet pode oferecer. Sei que vamos superar essa fase juntas e aprender a ser felizes do jeito que for possível. Enquanto isso, seguimos em casa para conter o vírus, fazendo planos sobre todos os lugares que vamos visitar assim que tudo isso passar.

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