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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 19 de outubro de 2021

Obrigada, Professora Maria José Monsanto da Fonseca e Souza

Obrigada, Professora Maria José Monsanto da Fonseca e SouzaFoto: Reprodução Maria José Rocha Lima[1]

“Não se pode falar de educação sem amor”

Por Maria José Rocha Lima[1] - 13/10/2021 - 18:10:41

Neste Dia do Professor, o delegado Alex Traback, nosso amigo, indicou para a nossa homenagem a Professora Maria José Monsanto da Fonseca e Souza, que teve a sua obra de educação registrada, ao lado de outras quatro personalidades da educação, no Museu da Maré no Rio de Janeiro. A professora Maria José é motivo de orgulho para o doutor Alex Traback, que a conheceu como educadora, sendo ela amiga dos seus pais, Dona Neuza e o Senhor Lairton, recentemente falecido.

A celebração do Dia do Professor, homenageando cinco professoras da Maré, se dará difundindo e expondo os testemunhos concretos de professores, ex-alunos, funcionários, pais e pessoal do entorno que se beneficiaram com as ações educativas. Tudo isto, para o reconhecimento histórico e deleite da Comunidade da Maré e da sociedade brasileira. A Exposição do Museu da Maré tem como Tema “Não se pode falar de educação sem amor”.

Para os curadores da exposição, “esta frase de Paulo Freire expressa profundamente o sentido das homenagens que o Museu da Maré realizará durante o mês de outubro, mês dedicado às professoras e aos professores brasileiros”.

“Vamos percorrer a trajetória de vida de cinco educadoras e educadores incríveis, que marcaram carinhosamente a história de muitas e muitos mareenses. E, para começar, apresentamos a biografia de uma Mestra com letra maiúscula! A professora Maria José Monsanto da Fonseca e Souza ou, simplesmente, dona Zezé, fez de sua vida profissional o que Paulo Freire pregava: 'É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática'".

Dona Zezé nasceu em 24 de setembro de 1941, no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro, onde morou durante toda a infância. Estudou nas escolas Nossa Senhora da Conceição, Barão de Itacuruçá e Paulo de Frontin, onde concluiu o antigo ginásio. Naquele momento histórico era muito comum que mulheres de classe média se tornassem professoras, que era uma profissão socialmente aceita para “moças de família”. A formação era feita no Instituto de Educação e havia uma prova bastante concorrida - similar ao Vestibular - para entrar nessa instituição de ensino. Dona Maria José se formou em 1964. Sua História com a Maré teve início em 1962, antes de se formar no Instituto de Educação. Naquele ano, Maria José trabalhou no Censo Educacional para o levantamento do número de crianças do território matriculadas em escolas. Durante o Censo, um fato marcou muito sua trajetória como professora, em especial na Maré. Ela estava encarregada de participar de uma comitiva, que também contava com a presença do governador do antigo Estado da Guanabara, Carlos Lacerda (1960-1965), para recepção de leite em pó, doado pelo governo estadunidense. Porém, toda a carga foi descartada por ter sido violada e misturada a outros produtos. Dona Maria José conta que o governador chorou e que ela ficou bastante abalada pensando em toda aquela desigualdade social. Isso a fez questionar muitas situações, principalmente a ausência do poder público no território, e como isso influenciava o trabalho na escola [...].

Na década de 1970, dona Zezé começou a trabalhar na escola Carlos Chagas, que recebia muitos estudantes da Maré. Lá, ela matriculou seus dois filhos Mauro Henrique Monsanto da Fonseca e Souza, atualmente com 52 anos; e Marcelo Monsanto da Fonseca e Souza, de 49 anos, afirmando que, como diretora, a educação que dava para a comunidade escolar deveria ser a mesma desejada para eles. A recém - inaugurada Carlos Chagas recebia alunos repetentes das escolas Pedro Lessa, Bahia e Rui Barbosa. A maioria desses alunos era da Maré. Para Zezé, a escola deve possuir conexão com o entorno, pois, sem diálogo, cuidado e amor, a escola - mesmo sendo muito bem equipada - não dará continuidade à ação pedagógica para manter os laços de permanência dos estudantes”.

A equipe do Museu da Maré agradeceu à professora por compartilhar a sua incrível história de vida. E reuniu “lindos e potentes depoimentos de seus colegas de profissão e dos ex-alunos”. Um desses conclui: “E o tempo mostrou que seu empenho não foi em vão, pois muitos de seus alunos seguiram estudando, se formaram, constituíram famílias e tocam suas vidas, lembrando-se de seus conselhos e orientações”. Obrigada, professora Maria José!


[1]Maria José Rocha Lima é mestre e doutoranda em educação. Foi deputada de 1991 a 1999. Presidente da Casa da Educação Anísio Teixeira. Psicanalista e dirigente da Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas em Psicanálise-ABEPP. Membro Soroptimista Internacional Brasília Sudoeste.


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