×
ContextoExato

Contexto Exato

Brasil - Brasília - Distrito Federal - 16 de maio de 2022

Odebrecht abre investigação contra Marcelo e delação pode ser cancelada

Odebrecht abre investigação contra Marcelo e delação pode ser canceladaFoto: Cicero Rodrigues/ World Economic Forum - Pública

Odebrecht abre investigação contra Marcelo

Estadão Conteúdo - 21/12/2019 - 20:55:21

A Odebrecht abriu investigação interna para identificar eventuais delitos cometidos por Marcelo Odebrecht em meio à briga que trava com o pai, Emílio, e os atuais executivos pelo comando do grupo, apurou o ‘Estado’. Os resultados da investigação, aberta nos últimos dias e conduzida pelo escritório Veirano Advogados, devem ser conhecidos em até dois meses e serão entregues ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Departamento de Justiça (DoJ) dos EUA, onde Marcelo firmou acordo de delação premiada.

A investigação foi pedida pelo conselho de administração do grupo, por meio do comitê de conformidade do conglomerado, e também vai apurar eventuais irregularidades de executivos e ex-funcionários do grupo .


Uma das bases da investigação é um documento secreto, assinado pela Odebrecht e Marcelo no dia 16 de novembro de 2016, duas semanas antes do fechamento do contrato de leniência do grupo e de 77 delatores com o MPF. No documento, em que as partes se obrigam a manter em sigilo por 20 anos e ao qual o Estado obteve acesso, Marcelo exigiu, como contrapartida ao aceite da delação, o recebimento de R$ 143 milhões – além do pagamento da multa de indenização, que foi de R$ 73,4 milhões.

Deste total de R$ 216,4 milhões, cerca de R$ 70 milhões foram pagos por meio de um título de previdência (VGBL) emitido pela seguradora Sul América em nome da mulher de Marcelo, Isabela, e de suas três filhas. O pagamento aos familiares de Marcelo foi efetuado no dia 29 de novembro daquele ano, dois dias antes da assinatura final da leniência da Odebrecht.

Pelas regras da delação, o colaborador é obrigado a revelar todo o seu patrimônio. Segundo apurou o Estado, Marcelo não teria revelado o título de previdência às autoridades, o que configura uma violação da delação, uma vez que houve a transferência de recursos para familiares, condição também aceita pela Odebrecht.

Nos termos do acordo secreto, a Odebrecht alega que o acerto foi feito porque a delação de Marcelo era “imprescindível para a continuidade das atividades empresariais” do grupo.

Caso seja provada a violação, o acordo de delação premiada poderá ser rescindido. Na prática, isso significa que o delator perde sua imunidade frente aos crimes praticados. Conforme estabelecem os termos da delação, os depoimentos, documentos e provas apresentados à Justiça são mantidos. Marcelo Odebrecht foi condenado a mais de 30 anos de prisão por crimes de corrupção, mas o acordo de delação premiada reduz os efeitos da punição.

Outra linha investigatória, segundo apurou a reportagem, é a formação de um “poder paralelo” de executivos com funções duplas dentro de várias empresas do grupo Odebrecht, que estariam colaborando para municiar Marcelo com informações sobre o conglomerado. De acordo com uma fonte, a nova direção do grupo demitirá, até janeiro, esses executivos.

A investigação apura também outras violações ao acordo de delação. Segundo apurou o Estado, Marcelo também mantém contato com outros delatores, prática vedada.

Procurado, Marcelo Odebrecht afirmou, por meio de sua assessoria, que “esta é mais uma atitude rancorosa e vingativa por parte de Ruy Sampaio (presidente executivo do grupo desde segunda-feira) em retaliação à petição que recém- protocolei na PGR sobre o Refis da Crise e atos de obstrução à Justiça. Posso assegurar que, de minha parte, não existe nenhuma ilegalidade a ser ainda comunicada às autoridades”.

Na autodeclaração entregue à PGR, Marcelo denuncia fatos contra seu cunhado Maurício Ferro, casado com Mônica Odebrecht, e que foi ex-vice-presidente jurídico da companhia; além de Newton de Souza, ex-executivo do grupo, braço direito de Emílio. A Odebrecht e o escritório Veirano não comentaram o assunto.

Briga familiar preocupa

A briga entre pai e filho pelo poder do grupo Odebrecht, que está em recuperação judicial, se acentuou com a demissão por justa causa de Marcelo Odebrecht na sexta-feira, a pedido de Emílio. O grupo alega que Marcelo foi exigindo mais recursos do que previamente combinado, fazendo ameaças aos executivos. Essa disputa acabou levando à troca de comando, com a saída de Luciano Guidolin e a entrada do novo presidente do grupo, Ruy Sampaio, na segunda-feira.

Homem de confiança de Emílio, Ruy Sampaio acusa Marcelo de chantagear e montar um esquema de extorsão dos atuais executivos em busca de “dinheiro e poder” para voltar ao comando do grupo.

A disputa famíliar preocupa os credores da empresa, que entrou em recuperação judicial, com dívidas declaradas de R$ 55 bilhões. O plano de reestruturação deve ser votado em janeiro.

Comentários para "Odebrecht abre investigação contra Marcelo e delação pode ser cancelada":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório
Exportações de café solúvel do Brasil caem 4,7% devido ao conflito entre Ucrânia e Rússia

Exportações de café solúvel do Brasil caem 4,7% devido ao conflito entre Ucrânia e Rússia

As vendas de café solúvel do Brasil no exterior caíram 4,7% no primeiro trimestre de 2022 devido ao conflito entre Rússia e Ucrânia. A projeção anual de perdas no setor é de cerca de US$ 100 milhões (R$ 505,5 milhões), disse uma associação da indústria na sexta-feira (13).

Brasileiro, porta-voz do Ocha, relata drama de ucranianos evacuados de Mariupol

Brasileiro, porta-voz do Ocha, relata drama de ucranianos evacuados de Mariupol

Civis de Mariupol deixam região após mais de dois meses sitiados.

Egito e Brasil começarão a negociar aumento de exportação de fertilizantes egípcios

Egito e Brasil começarão a negociar aumento de exportação de fertilizantes egípcios

Cairo assumiu o compromisso de dar prioridade às demandas de fertilizantes pedindo em contrapartida que tenha preferência no setor de exportação de frutas brasileiras.

Brasil 'está completamente perdido' em estratégia de semicondutores, diz economista

Brasil 'está completamente perdido' em estratégia de semicondutores, diz economista

A crise dos semicondutores tem gerado diversos problemas à indústria brasileira, principalmente a automotiva. A Sputnik Brasil entrevistou especialistas e representantes do setor de semicondutores para discutir como o Brasil pode se proteger de crises futuras.

Helio Santos: “O dia 14 de maio de 1888 é o dia mais longo da nossa história”

Helio Santos: “O dia 14 de maio de 1888 é o dia mais longo da nossa história”

Ativista histórico contra o racismo alerta que a pauta nunca foi tratada de acordo com sua dimensão

Crise econômica gera êxodo de empresários para o exterior, diz especialista

Crise econômica gera êxodo de empresários para o exterior, diz especialista

Empresas veem futuro promissor fora do país

"Já temos sinais de uma nova onda de evasão de cérebros", afirma doutor em História da Ciência

Em entrevista, Olival Freire Júnior fala sobre o impacto do não investimento em ciência no Brasil

Apenas 64% das empresas no Brasil apostam em Compliance

Apenas 64% das empresas no Brasil apostam em Compliance

Contar com um advogado especializado em compliance é um diferencial

Projeto Creative SP vai levar 10 empresas para a Feira de Frankfurt

Projeto Creative SP vai levar 10 empresas para a Feira de Frankfurt

Dez empresas ou instituições paulistas vão poder participar da Feira do Livro de Frankfurt este ano dentro do projeto Creative SP.

Inflação de abril é a mais alta em 26 anos; acumulado de 12 meses, o maior em duas décadas

Inflação de abril é a mais alta em 26 anos; acumulado de 12 meses, o maior em duas décadas

Preços subiram em quase todos os itens avaliados; destaque para alimentos, gás, remédios e, novamente, combustíveis

Brasil não avançou no entendimento de quem financia fake news, diz pesquisadora

Brasil não avançou no entendimento de quem financia fake news, diz pesquisadora

“Seria importante que a Polícia Federal e o TSE se envolvessem”, segundo Flávia Lefèvre, do Intervozes