×
ContextoExato

Óleo atinge 409 locais e agora chega ao Espírito Santo. Resíduos somem e Abrolhos é reaberto

Marinha sobrevoa praia de Boa Viagem (PE) para monitorar manchas, que caíram de intensidade no Nordeste

Correio Braziliense - 09/11/2019 - 10:37:40

O número de localidades do Nordeste atingidas por óleo chegou a 409, segundo balanço do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ao todo, pelo menos 104 municípios de todos os nove estados da região foram afetados por fragmentos ou manchas desde 30 de agosto. Ontem, os resíduos chegaram ao Sudeste: as primeiras placas foram encontradas na praia de Gururi, no município de São Mateus (ES) — segunda localidade depois da fronteira com a Bahia.


No caso capixaba, o material encontrado foi encaminhado ao Instituto de Estudos do Mar, que confirmou ser o mesmo encontrado no Nordeste. Um efetivo de 75 fuzileiros navais continua na região de Conceição da Barra, fronteira com a Bahia, monitorando a região em busca de manchas.

Marinha sobrevoa praia de Boa Viagem (PE) para monitorar manchas, que caíram de intensidade no Nordeste (Paulo Paiva/DP)
Marinha sobrevoa praia de Boa Viagem (PE) para monitorar manchas, que caíram de intensidade no Nordeste



Mas, no caso do Nordeste, que tem 153 municípios litorâneos, o óleo chegou a ao menos 67,9% das cidades da costa, segundo o Ministério da Saúde. Já o balanço do Ibama indica, também, que apenas 166 das 409 localidades atingidas estão “limpas”, isto é, sem vestígios. Dentre as que ainda têm óleo, estão a Praia do Japaratinga e a Foz do Rio Manguba, em Alagoas, e a Ilha de Comandatuba e a Costa do Sauípe, na Bahia.


Por estado, as 243 localidades ainda sujas se distribuem da seguinte forma: Bahia (100), Alagoas (45), Sergipe (34), Pernambuco (26), Rio Grande do Norte (21), Ceará (11), Maranhão (três), Paraíba (duas) e Piauí (uma).


Em relação à fauna, ao menos 128 animais vitimados foram identificados pelo Ibama. Os dados se referem especialmente a tartarugas marinhas (89) e aves (25). Nas redes sociais, a Fundação Mamíferos Aquáticos chegou a compartilhar imagens da recuperação de uma ave completamente manchada encontrada em Maragogi (AL).


Pesquisadores apontam que o petróleo também foi encontrado no organismo de vários animais, como mariscos e peixes. Eles também ressaltam que o impacto ambiental do óleo pode persistir por décadas.


A primeira mancha foi oficialmente identificada em 30 de agosto, no município de Conde (PB). Quatro dias depois, foi encontrada na Ilha de Itamaracá (PE). Ao todo, foram atingidos mais de 2,2 mil quilômetros da costa, dos quais foram retiradas mais de 4,3 mil toneladas de petróleo.



Ceará se prepara colocando barreiras
Medidas preventivas começaram a ser adotadas para evitar que outras praias e rios do Ceará sejam alcançados pelo vazamento de óleo. A exemplo de Pernambuco e Sergipe, o governo cearense iniciou a instalação de barreiras para contenção. Inicialmente, as redes estão sendo colocadas na foz do Rio Jaguaribe, em Fortim, município distante cerca de 132,8 quilômetros de Fortaleza. Serão três equipamentos em pontos específicos do local. Duas delas já foram posicionadas e a terceira tem conclusão prevista para amanhã. Segundo o governo do Ceará, o equipamento possui 1,2 mil metros de extensão. O secretário da Sema afirmou que as barreiras foram posicionada nas duas margens e em outro ponto mapeado. Com isso, caso as manchas ultrapassem uma das barreiras, ficariam presas nas contenções seguintes. Caso a experiência com a medida obtenha êxito, elas serão aplicadas em outros locais do estado.

Resíduos somem e Abrolhos é reaberto

O Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, no sul da Bahia, foi reaberto ontem, depois de não ter sido encontrado mais óleo na área de preservação ecológica. A previsão inicial era de que a suspensão da visitação seguisse até dia 14. O parque foi fechado no dia 3.


A informação sobre a reabertura da unidade de preservação foi divulgada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Ministério do Meio Ambiente. O chefe do Parque, Fernando Repinaldo Filho, afirmou, em comunicado, não ter sido encontrado fragmento de óleo em Abrolhos e que os vestígios do material identificados no dia 2 “não produziram impacto negativo direto” na fauna e na flora da área.


Terça-feira passada, o ICMBio informou que a visitação seria estendida até 14 de novembro por causa de fenômeno chamado de maré de sizígia, “que provoca uma amplitude na variação do nível do mar e mais força na circulação de correntes marinhas”. Isso, segundo o instituto, poderia contribuir para o aparecimento de mais manchas.


O ICMBio, no comunicado sobre ampliação do tempo de fechamento, informou que o parque passa todos os dias por monitoramento, que envolve navios da Marinha, drone, mergulhadores autônomos, embarcações de pescadores voluntários, pesquisadores e organizações não governamentais (ONGs).

Comentários para "Óleo atinge 409 locais e agora chega ao Espírito Santo. Resíduos somem e Abrolhos é reaberto":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório