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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 09 de dezembro de 2021

Opositores de Evo Morales pedem apoio das Forças Armadas para tirá-lo do poder

Opositores de Evo Morales pedem apoio das Forças Armadas para tirá-lo do poderFoto: Pública

Presidente da Bolívia foi reeleito pela terceira vez consecutiva em votação investigada por fraude eleitoral; duas pessoas morreram e 140 ficaram feridas desde o início das manifestações

Estadão Conteúdo - 03/11/2019 - 23:20:50

O presidente da Bolívia , Evo Morales , reeleito há duas semanas em uma votação investigada por fraude eleitoral , afirmou neste domingo, 3, que seus rivais "buscam mortos" ao pedirem apoio aos militares na disputa política.

"Estão buscando mortos que venham da polícia e das Forças Armadas", disse Morales, um dia depois de um influente líder opositor regional convocar os militares a intervir na crise gerada pela apuração polêmica das eleições de 20 de outubro.

"Quem pedir a intervenção militar estará pedindo sangue, morte", declarou o ministro do Interior, Carlos Romero .

Em um comício no sábado à noite, Luis Fernando Camacho, chefe de uma poderosa entidade civil na rica região de Santa Cruz, lançou um ultimato a Morales para que renuncie em 48 horas, e convocou os militares a se colocarem "do lado do povo".

"(Morales) tem 48 horas para renunciar, porque nesta segunda-feira às sete horas da noite (20h00 no horário de Brasília), vamos tomar medidas e garantiremos sua saída", disse Camacho a uma multidão em Santa Cruz, reduto da oposição.

Camacho, líder do Comitê Cívico de Santa Cruz, leu uma carta dirigida aos chefes das Forças Armadas, a quem pediu para "estarem ao lado do povo" nesta crise desencadeada pela polêmica reeleição de Morales, no poder desde 2006.

O ministro Romero afirmou que a convocação de Camacho "coincide com informações da inteligência que assinalam que uma ação violenta estaria sendo preparada para amanhã à noite na praça Murillo", onde fica a sede do governo, em La Paz.

A oposição boliviana exige a anulação da votação e a convocação de novas eleições gerais (presidenciais e legislativas).

Camacho é o primeiro político boliviano a chamar a intervenção militar nesta crise, mas suas declarações podem ser consideradas como "sedição", um crime punível pelo Código Penal Boliviano.

A intervenção militar é uma questão altamente sensível na Bolívia, que antes de 1982 sofreu uma série de revoltas e ditaduras militares. Até agora, as Forças Armadas ficaram de fora da polêmica pós-eleitoral.

Morales denuncia há uma semana que a oposição tenta derrubá-lo através de um "golpe de Estado", motivo pelo qual ele convocou seus apoiadores a "defender a democracia e os resultados eleitorais" de 20 de outubro.

Camacho não disse quais medidas adotará, mas presume-se que possa ocupar escritórios regionais de entidades e empresas públicas. O comício de Santa Cruz contou com a presença de líderes de comitês e organizações cívicas de outras regiões da Bolívia.

Rechaço a auditoria

Desde o início dos protestos, no dia seguinte à votação, foram registrados dois mortos e cerca de 140 feridos . Os embates ficaram mais violentos após Morales ter convocado seus apoiadores a irem às ruas para defender o seu governo.

A oposição afirma que o presidente de esquerda foi reeleito de forma "fraudulenta". O sistema de contagem rápida ficou paralisado por 20 horas e, quando retomado, produziu uma mudança drástica e inexplicável da tendência, segundo observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Os opositores afirmam que Morales está determinado a permanecer no poder a todo custo e recordam que o chefe de Estado ignorou um referendo realizado em 2016 no qual os bolivianos rejeitaram a reeleição por tempo indeterminado. Uma polêmica decisão em 2017 de um tribunal constitucional permitiu que ele se recandidatasse.

A incerteza sobre uma auditoria eleitoral da OEA aumentou após a renúncia surpresa do chefe da missão da organização, o mexicano Arturo Espinosa, depois de admitir que havia publicado artigos críticos sobre Morales.

A oposição boliviana rejeita a auditoria da OEA , incluindo o ex-presidente Carlos Mesa (2003-2005) e candidato à presidência, por considerar "uma manobra de distração para manter Morales no poder" .

O movimento de Mesa realizará uma assembléia neste domingo para definir os passos a serem seguidos em sua busca pela renúncia de Morales. / AFP

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