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Pais correm às papelarias em Brasília

Pais correm às papelarias em BrasíliaFoto: Correio Braziliense

Andressa Lima em papelaria de Ceilândia:

Por Alan Rios-correio Braziense - 11/02/2019 - 07:55:55

A fatura do cartão, as despesas da viagem de fim de ano ou até aquele velho hábito de deixar tudo para última hora são motivos que explicam as papelarias lotadas nos últimos dias antes do começo das aulas nas escolas públicas do Distrito Federal. Quem deixou para a última hora deve pagar mais caro. De acordo com especialistas, o preço dos materiais escolares sobem a cada mês. Apesar disso, muitos pais garantem ter as suas táticas para driblar os preços altos.

O preço do material escolar no Distrito Federal pode variar até 1.700%. O valor cobrado por uma borracha pequena (branca e com capa plástica), por exemplo, vai de R$ 0,70 a R$ 11,90. Os dados são do Procon-DF. Fiscais do órgão percorreram 41 lojas e conferiram o preço de 20 itens básicos da lista das escolas, entre 8 e 12 de janeiro. Além da borracha, se destacaram os preços do apontador, que custava entre R$ 0,20 e R$ 23,90, e do lápis preto nº 2, que ia de R$ 0,19 a R$ 8,90, e do caderno de 10 matérias (capa dura de 200 folhas) vendido de R$ 5,99 a R$ 48,50.

Para economizar, Andressa Lima, 26 anos, recorreu ao prazo do cartão de crédito. “Deixei para comprar o material escolar da minha filha no começo de fevereiro, depois de fechar a fatura do cartão, porque assim a próxima só vai vir no outro mês”, conta a moradora da Ceilândia. Ela compra os produtos de papelaria pela primeira vez este ano, pois a filha acabou de completar a idade escolar. “A escola pede materiais em grande quantidade, e a maioria fica por lá, os alunos nem usam. Então eu só compro o necessário”, ensina a mãe.

Melhor época

Quem trabalha em loja de material escolar diz que a economia maior geralmente vem com a compra antecipada. “Quem antecipa suas compras costuma encontrar o preço mais em conta, porque nós fazemos algumas promoções para trazer clientes. Às vezes, compramos grandes volumes de produtos a partir de junho, mas alguns itens acabam em janeiro, por exemplo, e as fábricas não conseguem aquele mesmo preço que conseguimos antes, então a diferença é repassada para o consumidor”, explica o gerente da papelaria Shopping Risk, Manoel Divino Júnior, 50 anos.

Dono da Papelaria TECs, José Henrique Nogueira, 63, confirma que dezembro é o melhor mês para as compras. Segundo ele, nessa época, as lojas compram materiais em atacado por um preço menor. “No fim do ano, a gente consegue encontrar os melhores valores e estamos querendo aumentar o fluxo nas papelarias vendendo com desconto. Além disso, tem o 13º salário, que também movimenta o mercado”, comenta o comerciante.

Mesmo sabendo das diferenças de preço, muitas famílias não conseguem comprar os materiais da lista escolar em dezembro ou janeiro. É o caso de Gizza Carvalho, 43. Desempregada, a mãe de Ângelo Carvalho, 10, teve de esperar o salário de fevereiro do marido, assistente administrativo. “Sempre venho um pouco antes das aulas começarem, quando ele (o marido) recebe o pagamento no trabalho, porque todo ano as coisas aumentam de preço e fica difícil para a gente.”

Lançamento de coleções

A capital do país tem quase 800 lojas de material escolar, de acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Material de Escritório, Papelaria e Livraria do DF (Sindipel). O setor teve uma alta significativa de preços no meio do ano passado, segundo o presidente da entidade, José Aparecido Costa. “Houve um aumento em agosto, entre 2% e 4%, baseados no índice de inflação, quando ocorreu o lançamento das coleções 2018/2019”, explica o Costa.

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