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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 27 de novembro de 2021

Países lusófonos rumo ao combate às alterações do clima

Países lusófonos rumo ao combate às alterações do climaFoto: Noaa

A declaração sobre a proteção de floresta e uso da terra marcou o primeiro entendimento alcançado na COP26

Portal Onu News De Noticias - 03/11/2021 - 16:43:13

Brasil anuncia subsídios para redução de gases de efeito estufa; Guiné-Bissau, São Tomé e Cabo Verde entre Estados que compartilham do drama das nações insulares; Angola e Moçambique relatam ambições quanto ao uso de energias renováveis.

Nesta terça-feira, encerraram os discursos dos líderes mundiais e seus representantes de alto nível, destacando compromissos nacionais como parte da Conferência da ONU sobre Mudança Climática, COP26.

A ativista climática indígena do Brasil, Txai Suruí, esteve no centro das atenções na abertura, ao fazer uma das primeiras aparições de grande impacto em Glasgow.

Txai Surui, de 24 anos, contou aos líderes que sua amiga foi morta por proteger a floresta

Unfccc

Txai Surui, de 24 anos, contou aos líderes que sua amiga foi morta por proteger a floresta

Futuro

“Eu espero muita responsabilidade e que, de fato, a gente consiga agir com as emergências que estão iminentes. Não tem mais tempo, tem que ser agora. Eu espero responsabilidade deles, com nosso futuro e nosso presente”.

Falando à ONU News, a Fundadora do Movimento da Juventude Indígena em Rondônia chamou a atenção para o efeito devastador do desmatamento da Amazônia no início do segmento dos líderes na conferência.

O apelo dela foi feito no mesmo dia em que, num vídeo enviado para a COP26, o presidente Jair Bolsonaro destacou que o Brasil é uma potência verde e “o combate à mudança do clima sempre foi parte da solução, não do problema”.

“Atualmente, o Governo Federal conta com linhas de crédito e investimentos que, somadas, superam a casa dos cinquenta bilhões de dólares. Esse montante é oferecido para projetos “verdes”, em áreas como conservação e restauração florestal, agricultura de baixas emissões, energia renovável, saneamento, transporte e tecnologia da informação. Esses recursos vão impulsionar a economia, gerar emprego, e contribuir para consolidar o Brasil como a maior “economia verde” do mundo.”

O líder brasileiro disse que ficou a cargo do ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, anunciar a nova meta de redução de gases de efeito estufa a ser subsidiada em 50%.

Presidente do Brasil disse que “o combate à mudança do clima sempre foi parte da solução, não do problema”

OMM/Caio Graco

Presidente do Brasil disse que “o combate à mudança do clima sempre foi parte da solução, não do problema”

Metas

No terceiro dia oficial da COP26, as declarações da maioria dos países lusófonos marcaram o segmento de alto nível. Na abertura, o presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, traçou o cenário de vulnerabilidade devido às alterações climáticas.

Como pequeno Estado-ilha em desenvolvimento, a Guiné-Bissau ainda precisa de apoio para o pós-pandemia. Embaló disse que mesmo participando de forma insignificante nas emissões de gases nocivos ao ambiente, as metas nacionais são ambiciosas.

“Está bem patente o seu compromisso com uma meta quantificada de redução de emissões que cobre os principais setores, ou seja, agricultura, florestas, uso de solo, energias e resíduos. Isso acresce uma meta ambiciosa: a redução de gases com efeito de estufa, a menos de 30%, até 2030 em comparação com o cenário de referência.”

A Guiné-Bissau quer urgência, maior responsabilidade e seriedade nos compromissos internacionais em favor de uma reforma sustentável, ao mesmo tempo que precisa de finanças para a adaptação.

Como pequeno Estado-ilha em desenvolvimento, a Guiné-Bissau ainda precisa de apoio para o pós-pandemia

ONU News/Alexandre Soares

Como pequeno Estado-ilha em desenvolvimento, a Guiné-Bissau ainda precisa de apoio para o pós-pandemia

Desenvolvimento

O presidente de Angola, João Lourenço, disse que o plano nacional sobre alterações climáticas para os próximos 15 anos visa alcançar o Acordo de Paris.

“Privilegiamos a produção e consumo de energia limpa proveniente das barragens hidroelétricas existentes e de outras por construir, assim como nas fontes renováveis de energia, com destaque para projetos de produção de energia fotovoltaica com parques solares que vão reduzir o consumo de combustíveis fósseis na produção de energia eléctrica. Atualmente a matriz energética nacional já incorpora 62% de fontes não poluentes de energia, ambicionando chegar a 70% em 2025.”

O Governo de Luanda atua em linha com consensos internacionais tentando aplicar a agenda de desenvolvimento africano até 2063 e as metas globais desta década.

Em francês, o presidente de São Tomé e Príncipe, Carlos Manuel Vila Nova, declarou que a subida do nível do mar fez com que o arquipélago perdesse 4% do seu território.

O chefe de Estado são-tomense disse que com todas as consequências dramáticas, as nações vulneráveis e os pequenos Estados insulares em desenvolvimento estão cada vez mais frustrados com pedidos e necessidade de colaboração sem resposta.

Angola é apontada como exemplo dos efeitos da mudança climática, com quase 7 milhões de pessoas com fome por causa da pior seca em 40 anos

© Unicef Angola/Carlos Louzada

Angola é apontada como exemplo dos efeitos da mudança climática, com quase 7 milhões de pessoas com fome por causa da pior seca em 40 anos

Comunidades

São Tomé e Príncipe destaca haver pouco progresso na adaptação às alterações climáticas e que ainda precisa de “um apoio forte e urgente para continuar a construir a resiliência das comunidades mais vulneráveis”.

A exposição de pessoas às calamidades foi destacada no discurso do primeiro-ministro de Moçambique, Carlos Agostinho do Rosário. Depois de cinco ciclones sofridos em 2019, sendo que dois mais devastadores, o país carece de financiamento. Uma das maiores necessidades são tecnologias para uso de energias limpas.

Famílias na Beira, em Moçambique, foram realocadas para abrigos temporários depois que o clima extremo causou danos generalizados e inundações

© Unicef/Ricardo Franco

Famílias na Beira, em Moçambique, foram realocadas para abrigos temporários depois que o clima extremo causou danos generalizados e inundações

“Moçambique defende uma transação energética amigas do ambiente que seja gradual e faseada de modo a minimizar o impacto do processo de desenvolvimento do nosso país. E neste contexto que Moçambique se propõe a utilizar o gás natural como fonte de energia transição para fontes mais limpas. Excelências, Moçambique está determinada a continuar a enviar esforços para atingir em 2030 níveis de 62% de contribuição energias renováveis na matriz energética nacional no âmbito do processo de objetivo desenvolvimento sustentável.”

Moçambique anunciou que irá aumentar de forma significativa a sua ambição de reduzir e 1,2 toneladas de CO2 por pessoa, um quarto da média global para emissões necessárias para 1,5 º C.

Clima

O empoderamento tecnológico também está na mira de Cabo Verde. O primeiro-ministro José Ulisses Correia lembrou a exposição do arquipélago aos efeitos severos das alterações climática e disse ser exemplo de contribuição significativa na ação pelo clima.

Em Cabo Verde, a Reserva da Biosfera do Fogo, única ilha com atividade vulcânica no sul do arquipélago, é também um ponto turístico

© UNESCO/Reserva da Biosfera do Fogo

Em Cabo Verde, a Reserva da Biosfera do Fogo, única ilha com atividade vulcânica no sul do arquipélago, é também um ponto turístico

Transportes

“Reduzir as emissões em 38% até 2030 e atingir a neutralidade carbônica em 2050. Partindo dos atuais 20%. Pretendemos em 2030 ter mais de 50% de energias renováveis acompanhado de suficiência energética. Cabo Verde foi o primeiro país africano a aderir à aliança para a Descarbonizarão dos Transportes. Até 2030, devemos substituir 25% da nossa frota de veículos térmicos por veículos elétricos que deve terminar em 2050.”

Para o líder cabo-verdiano é tempo de ação de todos, juntos, também promovendo o fim da pobreza.

As discussões de líderes, nestes primeiros dias da COP26 fecharam com o alerta sobre as evidências de que as atuais promessas de emissões resultam em aumento de 2,7 ºC na temperatura global.

Longas filas para entrar no local onde acontece a COP26 em Glasgow, na Escócia

Juan Sierra

Longas filas para entrar no local onde acontece a COP26 em Glasgow, na Escócia

Florestas

A declaração sobre a proteção de floresta e uso da terra marcou o primeiro entendimento alcançado na COP26. O Brasil está entre os principais signatários.

Esta terça-feira também ficou marcada pelo acordo de dezenas de instituições financeiras que decidiram não investir mais no desmatamento, cujas atividades são responsáveis por 23% de emissões mundiais de gases de efeito estufa.

Nesta quarta-feira, será discutido o financiamento da ação climática. O debate dará início às discussões temáticas, reservadas a cada dia, durante as duas semanas de negociação.

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