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Pandemia avança no DF, mas jovens ignoram e fazem festinhas no Lago Paranoá

Pandemia avança no DF, mas jovens ignoram e fazem festinhas no Lago ParanoáFoto: Hugo Barreto - Metrópoles

O portal Metrópoles flagrou, na sexta-feira (01/05), cerca de 30 pessoas no Deck Sul. Eventos em lanchas também costumam reunir muita gente

Carlos Carone E Matheus Garzon - Metrópoles - 03/05/2020 - 06:25:22

As batidas do chamado “funk proibidão” atravessam o Lago Paranoá e quebram o silêncio de quadras residenciais situadas nas proximidades do espelho d’água. Os mais afetados pelos “pancadões” são moradores que têm casas perto da Ponte das Garças.

Na madrugada de sexta-feira (01/05), o Metrópoles flagrou pelo menos 20 veículos posicionados lado a lado no estacionamento do Deck Sul. Alguns, rebaixados e equipados com aparelhagem de som nas portas e no bagageiro garantiam a animação dos cerca de 30 jovens com música no volume máximo.

Além do incômodo causado principalmente aos moradores da QL 6 do Lago Sul, o grupo ignorava a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de manter o isolamento social para frear a escalada do novo coronavírus.

Aglomerados ao redor dos veículos, poucos usavam máscaras de proteção. O acessório passou a ser obrigatório no Distrito Federal na quinta-feira (30/04). Outro flagrante desrespeito à quarentena era o compartilhamento de garrafas de cerveja e cigarros de maconha.

Rachas

Muitos automóveis parados no Deck Sul estavam modificados para participar de rachas. Turbinados, os veículos contavam com rodas de perfis largos e baixos, que dão mais estabilidade nas curvas. Por volta das 3h, a festinha acabou. Alguns condutores entraram em seus carros, arrancaram pelas curvas do estacionamento e acessaram a L4 Sul em alta velocidade.

Outro grupo se enfileirou na altura de um semáforo e iniciou um racha em direção ao Guará.

Esquenta nos postos

Antes mesmo da festinha no Deck Sul começar, jovens aproveitavam para comprar e consumir bebidas alcoólicas em postos de combustíveis do Lago Sul, em mais um claro sinal de desobediência às orientações de distanciamento social.

Os estabelecimentos preferidos e mais movimentados são os que têm grandes lojas de conveniências e com variedade de cervejas e destilados. Em uma delas, os tetos dos carros eram usados como mesas para equilibrar garrafas e latas. Ao contrário do funk que embalava o evento no Deck, nos postos, o gênero musical predominante era o sertanejo.

Pouco depois da meia-noite, mesmo após terem ingerido bebida alcoólica, muitos saíram dirigindo. Durante o período em que a reportagem esteve em um dos postos, viaturas da Polícia Militar do DF (PMDF) chegaram a patrulhar a região, mas ninguém foi abordado.

Na madrugada do Dia do Trabalhador, o Metrópoles também registrou encontros com aglomeração em lanchas no Lago Paranoá. Ancoradas nas proximidades da Ponte Costa e Silva, algumas das embarcações, com até 10 pessoas, tinham pista de dança, DJ e jogo de luz.

Jovens fazem festas clandestinas sem proteção e em meio ao isolamento social no Lago Sul

As lanchas também estão sendo usadas para promover festas com aglomerações

Carros estacionados e pessoas em volta

Os grupos se encontram no estacionamento do Deck Sul para beber, usar drogas e ouvir música altaHugo Barreto/Metrópoles

Carros parados em estacionamento

Poucos na festa usavam máscaras ou luvas para se proteger da Covid-19Hugo Barreto/Metrópoles

Um homem e duas mulheres com garrafas sobre a mesa de concreto

Muitos jovens compartilhavam cigarros e garrafas de cervejaHugo Barreto/Metrópoles

Jovens fazem festas clandestinas sem proteção e em meio ao isolamento social no Lago Sul

Depois da festa, os carros participam de rachasHugo Barreto/Metrópoles

Carros estacionado em estacionamento

Muitos veículos são equipados com sistema de alto-falantes poderososHugo Barreto/Metrópoles

Estacionamento com jovens usando caixa térmica

Muitos levam até caixas térmicasHugo Barreto/Metrópoles

Jovens fazem festas clandestinas sem proteção e em meio ao isolamento social no Lago Sul

Às 3h,os jovens se aglomeravam para participar de festa no Deck SulHugo Barreto/Metrópoles

Jovens fazem festas clandestinas sem proteção e em meio ao isolamento social no Lago Sul

As lanchas também estão sendo usadas para promover festas com aglomeraçõesIgo Estrela/Metrópoles

Carros estacionados e pessoas em volta

Os grupos se encontram no estacionamento do Deck Sul para beber, usar drogas e ouvir música altaHugo Barreto/Metrópoles

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Moradores reclamam

Reclusos em função da pandemia, moradores de regiões próximas aos locais das festas são os que mais sofrem com o desrespeito de quem insiste em descumprir as medidas de prevenção.

“É uma algazarra: além da música muito alta, dá para ouvir uma gritaria grande madrugada adentro”, queixa-se a designer de joias Carolina Andrade, 36 anos, residente de um conjunto da QL 6, quadra que fica em frente ao local de onde os eventos ocorrem.

“A vizinhança inteira está incomodada. Parece soar até como uma provocação, porque não dá para entender como as pessoas saem de casa em plena pandemia”, reclama.

Mulher com os braços cruzados com janela aberta

Do quarto ela diz ouvir gritos e música alta até altas horas da madrugada

Mulher na janela olhando o horizonte

Barulho de festa durante a madrugada em plena pandemia incomoda Carolina. "Falta de respeito"Hugo Barreto/Metrópoles

Mulher com os braços cruzados com janela aberta

Do quarto ela diz ouvir gritos e música alta até altas horas da madrugadaHugo Barreto/Metrópoles

Mulher na janela olhando o horizonte

Barulho de festa durante a madrugada em plena pandemia incomoda Carolina. "Falta de respeito"Hugo Barreto/Metrópoles

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A jornalista Juliana Lima, 45, residente do mesmo conjunto, também lamenta a falta de respeito. “Hoje mesmo [sexta-feira (01/05)] eu tive uma reunião às 8h. Com a música alta até as 5h, simplesmente não consegui pregar os olhos”.

Segundo ela, a PM é sempre acionada, mas nada é resolvido. “Eles não dão bola e continuam com as festas”.

Em outro conjunto, o som alto também é um tormento para a vizinhança. Conforme uma moradora que não quis ser identificada, o mais impressionante é ver tanta gente fazendo pouco caso com a pandemia. “Eu não saio de casa, mas fico com medo pelos outros”, diz.

Outra residente da quadra pede providências para o que ela chama de afronta. “É o barulho que estamos acostumados a ouvir quando tem festa e show nesses clubes. Um desrespeito total. Dá para ouvir do meu quarto”.

Durante o dia

Durante o dia, a orla do Lago Paranoá também é movimentada. Diferentemente do que ocorre na madrugada, não há consumo de drogas ou som automotivo, mas o agrupamento de pessoas em muitos pontos preocupa.

Mesmo com todas as atividades esportivas profissionais do mundo paralisadas em função da pandemia de Covid-19, em uma quadra poliesportiva do Lago Sul pelo menos 12 homens jogavam futebol sem qualquer temor de contaminação.

Além do inevitável contato durante as disputas pela bola, apertos de mão e abraços eram trocados sem cerimônia. Ao lado, pelo menos 10 skatistas faziam manobras na pista dedicada a eles.

Nos gramados e na pista para caminhadas, muita gente ignorava o uso de máscaras. Nos parquinhos ao ar livre, crianças subiam e desciam de gangorras e escorregadores; e adultos faziam ginástica em aparelhos comunitários.

Sem higienização diária, as superfícies desses equipamentos podem estar impregnadas com o vírus que já matou 32 e infectou 1.605 pessoas na capital do país. Os dados constam no boletim da Secretaria de Saúde divulgado nesse sábado (02/05).

Lanchas

Nas águas do Lago Paranoá, não era difícil ver muitas pessoas em lanchas. Na tarde do feriado do Dia do Trabalhador, por exemplo, uma delas, de médio porte, tinha 11 homens e mulheres que dançavam, se abraçavam e bebiam.

Grupo de jovens em lancha no Lago Paranoá
Grupo de pessoas desrespeita isolamento em lancha

A reportagem questionou quais ações a PMDF têm adotado para impedir festas que têm incomodado moradores no Lago Sul, mas a corporação não havia respondido até a última atualização deste texto.

“Maldita Xereca”

Não é só no Lago Sul que há festas em plena pandemia. Ainda na madrugada de sexta (01/05), no Itapoã, organizadores de um evento cobravam R$ 10 apenas para homens. Mulheres entravam de graça.

No convite para a festa estava escrito: “ Sexta-feira Maldita da Xereca”. Na sequência, ironizam: “Bora sair da quarentena e truvar na paz [sic]”.

A PMDF foi ao local, revistou os presentes e, como não encontrou irregularidades, apenas orientou pelo encerramento do evento.

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