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"Para crises pesadas, medidas têm de ser fortes", afirma Ibaneis Rocha

Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Chefe do Executivo local afirmou, no CB.Poder, que tem trabalhado para abrir leitos em unidades de terapia intensiva (UTIs) e para garantir o atendimento à população. No entanto, ele cobra que os brasilienses colaborem com as medidas sanitárias em vigor

Denise Rothenburg E Samara Schwingel - Correioweb - 05/03/2021 - 07:45:58

Com a taxa de transmissão do novo coronavírus no Distrito Federal em 1,32, o governador Ibaneis Rocha (MDB) anunciou a abertura de mais três hospitais de campanha, com 100 leitos cada, no Ginásio do Gama, no Nilson Nelson e em Ceilândia. Além disso, o emedebista declarou que disponibilizará, até domingo (7/3), mais 130 leitos em unidades de terapia intensiva (UTI) voltadas para o tratamento da covid-19. Mesmo assim, o chefe do Executivo local alertou para a grave situação em que o DF se encontra, onde as vagas abertas são ocupados quase que imediatamente.

Em entrevista ao CB.Poder — parceria do Correio com a TV Brasília —, na quinta-feira (4/3), Ibaneis falou sobre a importância da suspensão das atividades e da diminuição da circulação de pessoas em até 60%. Com isso, segundo ele, será possível retomar, aos poucos, as atividades econômicas. Até lá, a vacinação deve avançar, pois o DF espera receber 600 mil doses de imunizantes contra a covid-19 neste mês. Assim, poderá ampliar a campanha para pessoas com 65 anos ou mais até o fim de março.

O governador destacou que, nesta sexta-feira (5/3), editará um novo decreto, que prevê a cassação do alvará de estabelecimentos que não cumprirem as regras de funcionamento durante o período de pandemia. Segundo Ibaneis, a medida é drástica, mas necessária para conter o avanço do novo coronavírus na capital federal.

Infelizmente, estamos vivendo essa situação da pandemia, que levou o senhor a decretar o lockdown, mas os empresários não gostaram. Como o senhor vê as manifestações, que leitura faz desses primeiros dias e por quanto tempo teremos o lockdown?
Sei da dificuldade pela qual eles (empresários) estão passando e me solidarizo com todos. Acho que o momento é de muita dificuldade na área econômica, mas chegamos a um ponto na Saúde em que não havia outra medida a ser tomada. Quando decidimos pelo lockdown, chegamos a 97% de UTIs (unidades de terapia intensiva) ocupadas e tivemos momentos, durante esta semana, com 99% de UTIs ocupadas. O índice de transmissão do vírus, que é o que mais nos preocupa, chega a 1,32. Isso quer dizer que 100 pessoas contaminadas transmitem para mais 132. O que indica que, mesmo com um grande trabalho na abertura de UTIs, teremos um agravamento da crise nos próximos dias. Por isso, clamamos à população que use máscaras, álcool em gel e, àqueles que não têm necessidade de ir às ruas, que fiquem em suas residências. Precisamos diminuir o índice de transmissão, senão não voltaremos à normalidade. Estou programando a abertura de novos hospitais de campanha. A licitação deve sair na segunda-feira (8/3), para mais três unidades, com 300 leitos, instaladas no Ginásio do Gama, no Ginásio Nilson Nelson e uma em Ceilândia. Até domingo (7/3), vamos abrir mais 130 vagas de UTI, para manter o atendimento à população tanto daqui quanto do Entorno. Mas temos necessidade de que a população se conscientize do grave momento pelo qual passa o Brasil.

Algum setor vai abrir na semana que vem?
Veja: hoje, abro um leito de UTI, e ele é preenchido imediatamente. Estamos com um número muito pequeno de leitos. Então, temos de avaliar. Estou pensando, com meu pessoal, em abrir academias e escolas particulares, no esquema em que eles vinham trabalhando, com 50% de alunos em uma semana e 50% na outra. Mas isso tudo será estudado, para vermos se, com essa abertura, não vamos causar o agravamento da taxa de infecção. Pretendemos diminuir a circulação de pessoas na cidade. Somente essa diminuição faz com que caia o índice de infecção. Com esse lockdown, temos a expectativa de reduzir de 50% a 60% a circulação de pessoas no DF e de liberar os setores aos poucos, conforme (haja) a abertura de leitos de UTI.

Uma forma de conter a doença é a vacinação. Temos vacinas no DF para atender a população até quando? E quando chegam novas doses?
O compromisso do ministro (da Saúde, Eduardo) Pazuello é de distribuir, ainda em março, 38 milhões de doses. O que chegaria ao Distrito Federal seria em torno de 600 mil, e teríamos como vacinar o público acima de 65 anos. Para o mês de abril, a promessa é que (a remessa) chegue perto dos 54 milhões de doses, e teríamos um avanço progressivo, vacinando os públicos mais vulneráveis. Temos a expectativa de vacinar, ao menos, metade da população até julho. Essa é a promessa do Ministério da Saúde, e eu confio que será cumprida.

O senhor conversou com o presidente Jair Bolsonaro sobre essa situação de lockdown, de que ele deveria mudar o posicionamento ou algo nesse sentido?
Ele deixa a (vacinação a) cargo dos estados. Acho que os estados têm condições de fazer isso e que vêm fazendo. Acredito que, pelos próximos 15 dias, teremos uma grande maioria dos estados nessa situação (de lockdown), até porque a crise se agravou em toda a Federação. Muitos falam que nós, governadores, não nos prevenimos, mas todos nós tomamos as medidas necessárias. Ninguém consegue manter a população dentro de casa por muito tempo. Tanto que, mesmo com o lockdown, temos um número grande de pessoas nas ruas. O que clamamos é que vão continuar saindo, vão continuar morrendo. Chegamos a ter um dia com 26 mortes no Distrito Federal, o que é um número muito grande. Não adianta ter dinheiro. Os hospitais públicos estão fazendo todo o possível, e os hospitais privados estão lotados. Não adianta ter plano de saúde, ter recursos, que (o paciente) não vai conseguir (atendimento). Não brinque com a situação. Vai chegar um ponto em que ninguém terá leito se não tomarmos cuidado neste momento.

E para o público de 60 a 64 anos, qual é a previsão de vacinação?
Acreditamos que, a partir de abril, começamos a vacinar o público em geral. A ideia é iniciar com (pessoas de) 60 anos para cima, (pessoas com) comorbidades e, depois, o público geral. A partir da chegada das doses programadas para março, queremos incluir, também, alguns grupos prioritários, como professores, fiscais da DF Legal (Secretaria de Proteção à Ordem Urbanística), (profissionais da) assistência social, conselheiros tutelares e policiais.

Por que não passar a multar as pessoas em geral, não só donos de estabelecimentos?
Vamos editar um decreto, até amanhã (sexta-feira), para os estabelecimentos que não obedecerem às regras e aqueles que estão abrindo de forma ilegal durante o período do lockdown. Antes, era preciso aplicar multa e suspensão. Agora, vamos cassar o alvará dos que não obedecem e aglomeram. O pessoal da área jurídica está fazendo o estudo e, amanhã (sexta-feira), devo editar esse decreto. Se (o estabelecimento) estiver aberto e errado, vai para a cassação do alvará ou (terá) a suspensão das atividades por um período de até 60 dias. Para crises pesadas, como a que estamos vivendo, as medidas têm de ser fortes. Quanto mais rápido trabalharmos, mais rápido saímos da crise e retomamos a economia do DF.

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