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Perito de Brasília desenvolve software capaz de identificar criminosos

Perito de Brasília desenvolve software capaz de identificar criminososFoto: Igo Estrela/Metrópoles

Polícia Técnico-Científica de Goiás também é referência nacional com técnicas avançadas e laboratórios modernos

Por Lívia Barbosa-jornal Opção - 30/03/2019 - 22:13:44

Perito Admilson Gonçalves Junior.

Para driblar as limitações dos vídeos produzidos por câmeras de sistemas de segurança, que nem sempre atendem aos requisitos mínimos para um exame mais detalhado, especialistas aliam criatividade e conhecimento para desenvolver programas capazes de checar outras características que possam ajudar a reduzir o rol de suspeitos.

É o caso do perito da Polícia Civil do Distrito Federal, Admilson Gonçalves Junior, que desenvolveu um software capaz de identificar a estatura da pessoa filmada. No exame, é feita a análise completa do indivíduo, da sua forma de andar e da postura dele na cena. Além de perito, Junior é bacharel em ciência da computação com mestrado em engenharia elétrica.

Em um homicídio ocorrido em Samambaia no ano de 2017, o perito conseguiu chegar a uma estimativa da altura de um assassino flagrado pelo circuito de uma distribuidora de bebidas: 1,79 m. O rosto do homem estava praticamente coberto, e ele usava roupas que dificultavam a visualização de outras características.

Para fazer esse exame, segundo o policial, foi preciso levar em consideração a distância focal, a altura e o ângulo de inclinação da câmera que capturou o alvo. A partir de coordenadas marcadas da cabeça aos pés do suspeito, o especialista traçou uma escala de referência em diversos quadros do vídeo e chegou a uma estatura com alto grau de confiança.

“O nosso objetivo é extrair a maior quantidade de informações, que vão além dos vestígios deixados no local ou das provas testemunhais. No homicídio, a principal finalidade é identificar o autor. Trabalhamos para conseguir o maior número de provas possível. Verificamos as vestes, algum objeto que ele transporta e a dinâmica do crime”, explicou Admilson.

Um outro projeto que começou a ser testado pela equipe do DF é a projeção em 3D dos suspeitos. Com base em características físicas levantadas em imagens, o software faz a identificação facial de forma virtual.

Em um roubo a uma criança registrado em março de 2018, os peritos analisaram a roupa usada pelo criminoso. Apesar de a imagem gravada pelo circuito de segurança aparecer um pouco borrada, a equipe conseguiu identificar detalhes da bermuda. A veste foi apreendida pela polícia, e os exames ajudaram a materializar a denúncia feita à Justiça.

“Pela imagem, é difícil constatar que a bermuda é estampada. Esse efeito monocromático é causado pela câmera, mas com uma análise mais profunda conseguimos detectar detalhes que batiam com a roupa apreendida pela polícia. A partir de então, classificamos as evidências com base na probabilidade de ser a mesma peça”, detalhou Junior. Na ocasião, os peritos também fizeram a estimativa de altura do suspeito. (Com informações do Metrópoles)

Goiás

O superintendente de Polícia Técnico-Científica do estado de Goiás, Marcos Egberto Brasil de Melo, afirma que Goiás também está na vanguarda e realiza intercâmbio de conhecimento com outras polícias em congressos, cursos e encontro nacionais promovidos pelo Senasp.


Superintendente da Polícia Técnico-Científica, Marcos Egberto Brasil de Melo | Foto: Reprodução

O laboratório de DNA da polícia técnico-cientifica goiana, por exemplo, é referência nacional. Com alta tecnologia e pessoal qualificado, o núcleo realiza a comparação de material genético auxiliando a identificação de pessoas e elucidação de crimes.

“Também coletamos material genético de condenados para a criação de um banco de dados. Esse material pode ser usado, por exemplo, para comparação com o material genético coletado em cenas de crimes”, afirma Marcos Egberto Brasil de Melo ao detalhar que a iniciativa do Senasp e Ministério da Justiça já está em pleno funcionamento em Goiás.

Na parte de identificação humana, Goiás também está na vanguarda com uma seção de antropologia forense e odontologia legal, que permite a identificação por arcada dentária, radiografias e outros sinais particulares como uma prótese. “Também temos um trabalho de psiquiatria forense, avaliações psicológicas de vítimas como crianças e adolescentes”, afirma o superintendente.

Na parte de criminalística, foi inaugurado nesta semana o Laboratório de Análises Ambientais (LAM) da Superintendência de Polícia Técnico-Científica (SPTC). A unidade é fruto de parceria entre a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) e o Centro de Apoio Operacional (CAO) do Meio Ambiente do Ministério Público do Estado de Goiás.

No local, serão realizados procedimentos técnicos, como análises de amostras coletadas em áreas sob suspeita de ocorrências contra o meio ambiente. A medida vai garantir mais agilidade nos resultados de exames feitos para confirmar crimes ambientais.

Além da materialização de provas, também serão realizadas amostras de água bruta e efluentes para identificar poluição hídrica. O objetivo é garantir melhoria na qualidade da água consumida pela população.

“Trabalhamos com uma gama muito grande de serviços que ajudam na materialidade de do crime, fornecendo subsídios à Polícia Civil para auxiliar no inquérito. Temos aparelhos de última geração, na balística por exemplo temos um Microcomparador Balístico, aparelho russo de R$ 4 milhões, usado para analisar as impressões dos projéteis e arma do crime. “Com esse aparelho conseguimos precisar se o disparo partiu da arma suspeita”, finaliza.

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