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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 10 de dezembro de 2018


Pesquisa analisa viabilidade do cultivo semi-hidropônico de melão cantaloupe no Distrito Federal

Pesquisa analisa viabilidade do cultivo semi-hidropônico de melão cantaloupe no Distrito Federal

O outro fator interessante diz respeito ao aspecto da lucratividade – em 90 dias, o produtor já começa a colher um produto bastante consumido e com um preço atrativo, que pode chegar a nove reais o quilo, conferido nos pontos de venda.

Por Anelise Macedo / Da Embrapa - Df - Hortaliças / Foto: Divulgação / Embrapa / Df - 28/11/2018 - 08:43:04

Talvez por conta do clima ou mesmo pelo perfil do produtor, o Distrito Federal não tem a tradição do cultivo de melão, mas dois pesquisadores da Embrapa Hortaliças decidiram que esse cenário poderia mudar, em proveito não apenas dos produtores como também dos consumidores.

Os resultados obtidos nos experimentos conduzidos pelos pesquisadores Raphael Melo e Alexandre Morais comprovaram que, com o uso do cultivo protegido para a produção do melão cantaloupe em sistema semi-hidropônico, era possível apresentar essa alternativa aos produtores de tomate e pimentão, hoje as culturas vigentes de produção em cultivo protegido.

“Para quem já produz essas duas hortaliças sob essa forma de cultivo, o sistema semi-hidropônico é uma opção interessante para o produtor pela perspectiva de maior controle de doenças e pragas nas plantas do tomate e do pimentão por meio da alternância com o melão na área ocupada com as duas hortaliças”, assinala Alexandre.

O pesquisador explica que por pertencerem à mesma família botânica das solanáceas, tanto o tomate quanto o pimentão têm em comum muitas doenças e a entrada do melão, da família das cucurbitáceas, no ciclo de rotação de culturas provocaria uma quebra na etapa de desenvolvimento de patógenos. Ele destaca ainda que o cultivo no sistema semi-hidropônico “dificulta o surgimento de doenças que ocorrem com as solanáceas, mas não com o melão”.

O outro fator interessante diz respeito ao aspecto da lucratividade – em 90 dias, o produtor já começa a colher um produto bastante consumido e com um preço atrativo, que pode chegar a nove reais o quilo, conferido nos pontos de venda.

Todos esses componentes serviram de base ao projeto “Cultivo protegido de melões nobres em sistema semi-hidropônico: avaliação agronômica e caracterização de parâmetros fisiológicos e microclimáticos”, com atividades iniciadas em 2015.

Melão cantaloupe
A escolha do melão do tipo cantaloupe no trabalho desenvolvido pelos pesquisadores não foi aleatória, mas fruto de análises e observações sobre as possibilidades que o seu cultivo ensejaria, em termos de renda para o produtor e de suprimento do mercado, hoje dependente da importação do melão produzido em Mossoró (RN), principal polo de produção.

Como cerca de 96% da colheita é destinada à exportação para outros países, o mercado nacional fica “com as sobras”, poucas para atender à demanda, que vem crescendo no Distrito Federal. Junte-se a essa questão as condições de transporte, que, muitas vezes, não possui condições adequadas de acondicionamento, contribuindo para que o produto chegue impróprio para o consumo.

“Na maioria das vezes, o melão que se encontra na gôndola do supermercado não veio diretamente da transportadora – geralmente, ele passou primeiro pela central de classificação e distribuição ainda no Nordeste, antes de chegar aos pontos de venda do Distrito Federal. E se o transporte não tiver as condições ideais de refrigeração, o consumidor se depara com um melão de baixa qualidade e com preço alto”, observa Raphael.

O preço alto pode ser entendido, segundo ele, pelo seu apelo junto ao público gourmet, termo associado a um gosto mais apurado de consumo, e também em razão das exigências relacionadas às condições de colheita, armazenamento e transporte, que entram como itens relevantes para elevar os custos.

Dessa forma, o melão cantaloupe produzido no DF queimaria essas etapas e atenderia o mercado local, que comercializa 300 toneladas por mês, um montante bem significativo, se levada em consideração a oportunidade de ganhos para os dois lados – o produtor, por ter a possibilidade de um bom retorno financeiro a seu investimento; e o consumidor, pela disponibilidade e acesso a um produto de qualidade.

Sistema semi-hidropônico
Os chamados sistemas de cultivo sem solo são aqueles em que as plantas completam o seu ciclo produtivo fora do solo em recipientes contendo solução nutritiva composta por água e nutrientes.

A diferença entre esse sistema e o hidropônico clássico, onde a água percorre uma canaleta com nutrientes e passa pelas raízes, é que no semi-hidropônico utiliza-se essa mesma vantagem de se produzir com uma quantidade de nutrientes adequada para as necessidades da planta, mas com outras peculiaridades.

Nos cultivos semi-hidropônicos são utilizados substratos, que podem ser de natureza química, orgânica ou mineral, para substituir o solo. Esses substratos são dispostos em contendores como sacolas ou vasos que, por sua vez, servem de suporte para que as mudas recebam a solução.

Consumo de água
Os experimentos conduzidos com o sistema semi-hidropônico também apontaram a eficiência no uso da água no cultivo do melão cantaloupe. Após vários testes, os pesquisadores optaram pelo sistema de irrigação por gotejamento, quando ficou definido o envio de dois litros de água por hora para cada planta. “Com esse processo, como a água em excesso é drenada e volta a circular pelo sistema, há uma economia significativa no volume de água, já que não há evaporação”, acentua Morais.

Ainda com relação à economia de água, o pesquisador chama a atenção para a relação entre a concepção do projeto e a crise hídrica vivenciada em 2015 na região. “A adoção do racionamento escalonado de água como uma medida de enfrentamento da crise influenciou as atividades previstas nas linhas do projeto, claro”.

Na esteira, Melo reforça a afirmativa ao ressaltar que o emprego de tecnologias que impliquem em menor volume de água na produção de hortaliças não começou a partir do racionamento na região, mas ficou mais acentuado a partir de então. “Não há como ignorar que os tempos são outros e se quisermos garantir sustentabilidade aos nossos projetos de pesquisa temos que nos debruçar sobre a importância da racionalização do uso da irrigação em todos eles”, pontua.

Melão personalizado
Se por um lado o visual rugoso e rendilhado do melão cantaloupe pode representar um problema, já que qualquer abrasão na casca faz com que a cicatriz forme uma rede irregular, por outro lado essa característica pode significar um atrativo a mais.

Essa foi a constatação do pesquisador Raphael Melo, ao conhecer os melões personalizados de um produtor em São Paulo que explorou essa suscetibilidade para oferecer um produto diferenciado a seus clientes.

“A ideia teve seguidores, e já há produtores utilizando essa ‘metodologia’ para personalizar o melão que, conforme o caso, pode ostentar o nome do supermercado, do sacolão, do hortifrúti e até de eventos corporativos”, anota o pesquisador, que realizou testes com os melões produzidos pela Embrapa.

“É muito fácil, usando um arame fiz um desenho na casca que, ao cicatrizar, parecia ser próprio do fruto”, detalha Melo, que recomenda atenção para a etapa propícia para a intervenção, ou seja, “durante a fase de formação do rendilhamento, nem antes, nem depois”.

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