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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 22 de outubro de 2021

Polícia Federal apura se recursos de candidatas do MDB foram usados na campanha de Ibaneis ao governo

Polícia Federal apura se recursos de candidatas do MDB foram usados na campanha de Ibaneis ao governoFoto: Renato Alves e Paulo H. Carvalho - Agência Brasília

Dinheiro também teria sido aplicado na campanha do ex-deputado distrital Cristiano Araújo. Citados negam irregularidades.

Por Fernanda Irineu, Gabriel Palma E Mara Puljiz, Tv Globo - 23/05/2019 - 19:57:08

A operação da Polícia Federal na sede do MDB-DF, na terça-feira (22), recolheu documentos com o objetivo de apurar se a sigla lançou candidaturas laranja nas eleições do ano passado.

Segundo depoimentos de testemunhas, recursos repassados pelo partido a candidatas mulheres teriam, na verdade, sido usados para pagar cabos eleitorais das campanhas do governador Ibaneis Rocha e do ex-deputado distrital Cristiano Araújo.

A TV Globo teve acesso, nesta quinta-feira (23), à decisão que determinou a expedição de dois mandados de busca e apreensão para apurar o caso. As ordens, assinadas pelo juiz eleitoral Luis Martius Holanda Bezerra Júnior, foram cumpridas na sede do MDB-DF e em um endereço residencial não divulgado.

Na decisão, o magistrado afirma que há suspeitas de irregularidades nas campanhas de duas candidatas da sigla a deputado distrital nas eleições de 2018. Os citados negam qualquer ilegalidade (veja abaixo).


Alto investimento, baixo resultado


Uma das candidatas é Dolores Moreira Costa Ferreira, que recebeu R$ 502 mil do partido, mas apenas 551 votos. Já Kadija de Almeida Guimarães recebeu R$ 573 mil do MDB e teve só 403 votos. A maioria dos recursos veio dos fundos eleitoral e partidário, compostos de dinheiro público.


O ex-deputado distrital Cristiano Araújo (PSD) durante sessão na Câmara Legislativa do Distrito Federal — Foto: CLDF/Divulgação

O ex-deputado distrital Cristiano Araújo (PSD) durante sessão na Câmara Legislativa do Distrito Federal — Foto: CLDF/Divulgação

Segundo o juiz, as duas receberam “significativos aportes financeiros do MDB, com pequena compra de material de campanha, mas vultosa quantia para pagamento de militância de rua”. Ainda de acordo com o magistrado, “ao fim das eleições, [as candidatas] tiveram inexpressiva quantidade de votos”.

Depoimentos de pessoas que trabalharam para as campanhas afirmam que o partido realizou um esquema para que parte dos recursos repassado às duas fosse devolvido. O dinheiro teria sido utilizado no pagamento de cabos eleitorais não registrados na prestação de contas.

Uma das testemunhas, Ilka Quinhões de Azevedo, disse que sequer conheceu as candidatas Kadija Guimarães e Dolores Ferreira, e que trabalhou exclusivamente para as campanhas de Ibaneis Rocha ao GDF e do ex-deputado distrital Cristiano Araújo, que tentou reeleição mas não teve sucesso.

A testemunha apontou ainda o nome de Silvia Helena, que teria atuado como coordenadora da campanha dos dois, como a responsável por coordenar o ajuste feito com os cabos eleitorais.


Fachada da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília — Foto: Gabriel Luiz/G1

Fachada da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília — Foto: Gabriel Luiz/G1

A Polícia Federal analisa os documentos encontrados na operação. Os investigadores querem saber se as candidatas serviram apenas para contar número na lei de cotas, que prevê que 30% das candidaturas sejam de mulheres. Apuram também se o dinheiro público acabou usado de forma irregular.

Apesar de não terem sido eleitas, Kadija Guimarães e Dolores Ferreira conseguiram cargos na gestão de Ibaneis Rocha. Em 21 de janeiro, Dolores foi nomeada para trabalhar na Administração Regional do Itapoã. Já Kadija ganhou cargo na Administração Regional de São Sebastião.

À TV Globo, o advogado do MDB informou que teve acesso ao inquérito nesta quinta (23) e que ainda vai estudar o processo.

Já o advogado do governador Ibaneis Rocha disse que é natural que cabos eleitorais de candidatos à Câmara Legislativa do DF também peçam voto para o candidato a governador. Disse, ainda, que Silvia Helena nunca trabalhou na candidatura do governador.

O ex-deputado distrital Cristiano Araújo, por sua vez, disse que Silvia Helena foi lotada no gabinete dele e trabalhou na campanha durante férias na Câmara Legislativa. Araújo disse ainda desconhecer a testemunha que afirmou à polícia ter trabalhado em favor dele nas eleições do ano passado.

Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.

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