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Portugal. Roteiro em São Jorge

Portugal. Roteiro em São JorgeFoto: Filipe Morato Gomes-almadeviajante - Divulgação

Aterrámos na ilha de São Jorge a meio da tarde. Depois de nos instalarmos num bungalow da Intact Farm, nada melhor do que uma caminhada para desentorpecer as pernas

Filipe Morato Gomes/almadeviajante - 18/06/2019 - 14:22:01

Ao fundo, a Fajã da Caldeira de Santo Cristo

Quem acompanha nossas viagens sabe que adoro viajar sozinho. Mas a verdade é que já dei uma volta ao mundo com crianças e, sempre que possível, viajo com os meus filhos. Foi o que aconteceu na ilha de São Jorge, nos Açores.

O curioso é que tenho família nos Açores (ilha do Faial) mas, por incrível que pareça, nunca tinha estado em São Jorge. Hoje, posso garantir que visitar São Jorge com crianças é maravilhoso.

Da tranquilidade de Urzelina à vila de Velas; da “Poça” Simão Dias à Fajã dos Cubres; do Parque Florestal das Sete Fontes à Ponta dos Rosais; da belíssima Fajã das Almas ao Trilho da Caldeira de Santo Cristo (PR1SJO), passando por uma estadia mais prolongada na homónima fajã; este foi o meu roteiro de 5 dias em São Jorge. Com crianças, claro!


O nosso roteiro em São Jorge


Dia 1: Urzelina
O que visitar em São Jorge: Urzelina
Uma pequena “praia” próxima de Urzelina

Aterrámos na ilha de São Jorge a meio da tarde. Depois de nos instalarmos num bungalow da Intact Farm, nada melhor do que uma caminhada para desentorpecer as pernas. E assim fomos a pé até à povoação de Urzelina, sempre junto à falésia, atravessando campos privados com vistas privilegiadas sobre a ilha do Pico.

De regresso a casa, e com os miúdos cheios de vontade de por lá ficar, fui sozinho a Velas, principal povoação de São Jorge, fazer compras para o jantar. Era o início de uma bela viagem a São Jorge.


Dormida em Urzelina: Intact Farm
Dia 2: Parque Florestal das Sete Fontes e Ponta dos Rosais
Parque Florestal das Sete Fontes
Parque Florestal das Sete Fontes, ilha de São Jorge, Açores

Carro alugado, fomos para o lado oeste da ilha de São Jorge. Demos um passeio por Velas, antes de seguirmos para o belíssimo Parque Florestal das Sete Fontes, que explorámos a pé embrenhados numa neblina que acrescentava uma áurea de mistério à paisagem.

Os miúdos deliraram com os patos, claro está; mas o Parque das Sete Fontes vale, acima de tudo, pela sua frondosa vegetação. Não tivesse começado a chover e teria sido um lugar incrível para um piquenique em família.

Vigia da Baleia, Ponta dos Rosais
Ao fundo, a Vigia da Baleia na Ponta dos Rosais, São Jorge

Terminado o passeio e ainda debaixo de chuva, seguimos por uma estrada poeirenta até à antiga Vigia da Baleia, na Ponta dos Rosais – o extremo Noroeste da ilha de São Jorge. Felizes da vida, subimos ao miradouro e apreciámos as vistas (tivemos sorte que o tempo abriu entretanto).

A pedido das crianças, acabámos a tarde na piscina de Urzelina, um espaço de acesso barato bem junto ao parque de campismo.


Dormida em Urzelina: Intact Farm
Dia 3: Urzelina e Fajã das Almas

De manhã, fizemos um pequeno passeio de barco junto a Urzelina, na companhia do Filipe, da Intact Farm, que nos recomendou uma visita à Fajã das Almas. Disse-nos que era a sua “fajã preferida em São Jorge” e, por isso mesmo, era impossível não aceitar a sugestão. Pela minha parte, não me desiludiu – adorei a Fajã das Almas!

Após a inspiração regional trazida por uma paragem num café de rua para tomar café e provar as espécies de São Jorge (doce tradicional da ilha), decidimos verificar se a Fábrica da Indústria Conserveira de Santa Catarina estaria aberta ao público. Fica na Calheta, mas infelizmente estava encerrada; pelo que mudámos de rumo e cruzámos a ilha com o objetivo de conhecer a famosa “Poça” de Simão Dias, já na Fajã do Ouvidor.

Poça Simão Dias, ilha de São Jorge
A piscina natural de Simão Dias, na Fajã do Ouvidor

Antes de nos deliciarmos com as águas da famosa piscina natural, fomos almoçar ao não menos famoso restaurante O Amílcar. Uma decisão um pouco inconsciente para quem queria ir tomar banho a seguir; mas a fome apertava e, por isso, tivemos de inverter a ordem natural dos acontecimentos!

Sem tempo a perder, voltámos a Urzelina com o objetivo de assistir a uma tradição local: a largada de touros no porto de Urzelina. Era uma atividade integrada na Festa do Emigrante, em que os jovens provocam o touro até serem obrigados a fugir, mergulhando nas águas do Atlântico.

Não ficámos para o espetáculo musical mas jantámos ali mesmo, antes de recolhermos a casa. Foi seguramente o dia mais preenchido desta viagem a São Jorge.


Dormida em Urzelina: Intact Farm
Dia 4: Trilho da Caldeira de Santo Cristo
Trilho da Caldeira de Santo Cristo, São Jorge, Açores
Paragem para um piquenique durante o Trilho da Caldeira de Santo Cristo

Bagagem arrumada em Urzelina e rumámos até ao parque de estacionamento da Serra do Topo, local onde começa o Trilho da Caldeira de Santo Cristo. Alguém haveria de lá ir buscar o carro (ficou tudo combinado), uma vez que iríamos ficar a dormir na Fajã da Caldeira de Santo Cristo e não voltaríamos à Serra do Topo. Em simultâneo, a nossa bagagem seria entregue na Casa da Lagoa, onde iríamos dormir. Foi uma opção perfeita.

O Trilho da Caldeira de Santo Cristo é um percurso linear com quase 10km de extensão – caso seja feito na totalidade, até à Fajã dos Cubres. Foi uma caminhada muito bonita mas difícil, em virtude das chuvadas dos dias anteriores que tornaram o piso enlameado e escorregadio. Mas os miúdos aguentaram!

Quando chegámos à Fajã da Caldeira de Santo Cristo, a bagagem – e os mantimentos para as refeições – estavam já lá, pelo que foi tempo de cozinhar e fazer um almoço tardio. Para gáudio da pequenada, o resto da tarde foi passado na lagoa, a tomar banho e a relaxar.

Dormida na Fajã da Caldeira de Santo Cristo: Casa da Lagoa
Dia 5: Fajã da Caldeira de Santo Cristo
O que visitar em São Jorge: Fajã da Caldeira de Santo Cristo
Vista da lagoa da Fajã da Caldeira de Santo Cristo

No dia seguinte, voltei à lagoa com os miúdos logo pela manhã. Carregámos o caiaque até lá e fui pagaiando com um e com outro, explorando a lagoa tranquilamente, observando aves e peixes, divertindo-nos.

Se as crianças pudessem decidir sempre, com certeza teríamos passado o dia todo na lagoa; mas, à tarde, houve um momento dedicado aos adultos. Fomos ao restaurante O Borges, ao lado de casa, provar as famosas amêijoas oriundas da lagoa. O resto do tempo foram livros e legos e brincadeira…

Dormida na Fajã da Caldeira de Santo Cristo: Casa da Lagoa
Dia 6: Barco para o Faial

De manhã, e depois de termos arranjado alguém para nos ir buscar à Fajã dos Cubres, contratámos os serviços do senhor Luís para nos levar a bagagem na sua moto quatro. Na verdade, havia lugar para alguns de nós aproveitarem a boleia, pelo que acabei por ir com as crianças em cima da motorizada. A Luísa preferiu vestir a roupa de corrida e ir a pé.

Chegados à Fajã dos Cubres, foi apenas o tempo de tomar uma Kima de maracujá no Snack-bar Costa Norte e rumar de carro até ao porto de Velas. Estava terminado o roteiro de viagem à ilha de São Jorge. Foram cinco dias apenas, mas muito bem preenchidos.

Mapa: o que visitar em São Jorge

Guia prático
Como chegar a São Jorge

Após chegar a um dos hubs do arquipélago açoriano, a SATA tem voos para o aeródromo de São Jorge, uma pequena estrutura aeroportuária situada na Fajã da Queimada, a poucos quilómetros de Velas. Fora da época alta, considere a possibilidade de beneficiar do encaminhamento inter-ilhas da SATA.


Pesquisar voos para São Jorge

Se já estiver numa das ilhas do grupo Central, o barco é a melhor opção para chegar a São Jorge. Tenha em atenção que fora dos meses de verão a frequência diminui drasticamente. Veja os horários no site da Atlanticoline.

Onde ficar

Ficar uns dias na Fajã Caldeira de Santo Cristo sempre esteve nos meus planos mas, para poder alugar um carro e explorar a ilha, não queria ficar todo o tempo lá hospedado. Assim, decidi dividir a estadia em dois locais: ficaria três noites em Urzelina (ou em Velas), e duas noites na fajã. E julgo que foi uma sábia decisão.

Em concreto, pernoitei as primeiras três noites nos bungalows da Intact Farm, em Urzelina. Caso esteja esgotado, considere o Marficas Hostel como alternativa. Eu confesso que ponderei durante algum tempo montar a primeira base numa casa da Aldeia da Encosta, em Velas – principal povoação da ilha de São Jorge. Só optei por Urzelina por sugestão do meu irmão, que mora há muitos anos nos Açores, e não me arrependo.

De seguida, fiquei duas noites na magnífica Casa da Lagoa, na Fajã de Santo Cristo. Adorei! Note que na Fajã de Santo Cristo outra opção muito popular é a Caldeira Guesthouse (também conhecida como Caldeira Surfcamp), ideal para quem viaja sozinho ou a dois, por exemplo. Para uma família, julgo que tomei a opção acertada.

Boa parte da hospedagem em São Jorge são apartamentos, e a oferta não é muito grande. Caso pretenda visitar São Jorge no verão, reserve com a máxima antecedência possível.

Produtos de São Jorge

Eis alguns produtos gastronómicos tradicionais da ilha de São Jorge que vale a pena provar (e comprar):

Atum Santa Catarina;
Café do Nunes;
Espécies de Maria de Fátima Silvestre Brasil;
Queijo de São Jorge na Cooperativa da Beira.

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