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Professor que chamou jornalistas de "abutres" foi alvo processo

Professor que chamou jornalistas de Foto: YouTube reprodução

Vice-diretor de escola pública no Distrito Federal, Emerson Teixeira foi proibido de se manifestar politicamente em sala após exageros

Fernando Caixeta - Metrópoles - 01/04/2020 - 07:37:43

O vice-diretor do Centro de Ensino Fundamental 504, em Samambaia, Emerson Teixeira, autointitulado nas redes sociais como “professor opressor”, já foi penalizado em um processo disciplinar por autorizar um churrasco feito por alunos dentro da sala de aula e postar vídeos de menores, sem autorização dos responsáveis, na internet.

Nesta terça-feira (31/3), após comparecer ao Palácio da Alvorada, onde esperava para ver o presidente Jair Bolsonaro, Teixeira ofendeu jornalistas, chamando os profissionais de imprensa de “abutres”, e teve o discurso amparado pelo presidente, que chegou a pedir para os repórteres ficarem quietos para ouvir o professor.

Youtuber

O educador, que mantém um canal no YouTube destinado a atacar o trabalho da imprensa, se envolveu em uma polêmica após a divulgação do resultado das eleições de 2018, que apontaram a vitória de Bolsonaro nas urnas. Vestindo uma camisa com o rosto do presidente estampado, Teixeira gravou um vídeo com alunos do Centro Educacional 4, no Guará, comemorando o resultado do pleito.

O docente foi alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), obrigado a não mais se manifestar politicamente em sala de aula e a não divulgar imagens de seus alunos nas redes sociais sem autorização, conforme informou a Secretaria de Educação do DF.

No processo, a secretaria descartou a participação do professor na organização do churrasco e destacou que ele teria participado a convite dos estudantes.

Palácio da Alvorada

No vídeo divulgado por Teixeira em seu canal no YouTube, gravado nesta terça, em frente à residência oficial, ele diz ser professor da rede pública e menciona o processo para Bolsonaro.

“Bolsonaro, deixa eu te contar porque eu fui processado no ano passado. Eu sou professor da rede pública. Quando o senhor ganhou a eleição, eu cheguei ‘na’ escola, foi uma festa danada, os alunos fizeram até churrasco. Saiu em todos os jornais, aí depois eu fui processado por isso, porque eu sou servidor público, aí os caras me processaram porque os alunos fizeram o churrasco e eu filmei, registrei tudo, a felicidade dos alunos”, disse a Bolsonaro. “Pula pra cá, rapaz”, ouviu como resposta do presidente.

Ele não mencionou que, ao publicar o vídeo de menores de idade sem a autorização dos pais, estava cometendo uma contravenção passível de processo – como ocorreu.

Endosso do presidente

Depois que o professor começou a ofender o trabalho da imprensa, dizendo que jornalistas eram “abutres”, alguns jornalistas insistiram que o chefe do Executivo respondesse às perguntas direcionadas a ele, mas foram interrompidos por Teixeira e outros apoiadores.

Bolsonaro, então, pediu que ele continuasse falando e que os repórteres se calassem. “Não, fala aí, fala aí. Pode falar. É ele que vai falar, não ‘é’ vocês não”, gritou o presidente. E continuou: “Vai embora, vai abandonar o povo? Ó, a imprensa que não gosta do povo”, disse, após os jornalistas virarem as costas e deixarem o local.

No YouTube, o professor postou um vídeo intitulado como “Imprensa é inferno e jornalistas são demônios”.

“Vocês ficam todos jogando o presidente contra os ministros e os ministros contra o presidente, que coisa feia, ninguém aguenta isso mais. É o tempo todo jogando os ministros contra o presidente. Ontem eu fiz um vídeo no meu canal mostrando isso”, disse o docente.

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