×
ContextoExato

Contexto Exato

Brasil - Brasília - Distrito Federal - 18 de janeiro de 2022

Proposta de auxílio financeiro de R$ 816 a famílias vulneráveis avança no DF

Proposta de auxílio financeiro de R$ 816 a famílias vulneráveis avança no DFFoto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Para Gerlinei dos Santos, 36 anos, as pessoas mais pobres sofrem mais com os impactos econômicos provocados pela pandemia

Jéssica Eufrásio - Correioweb - 09/04/2020 - 09:46:18

Governador Ibaneis Rocha (MDB) enviou ontem à Câmara Legislativa Projeto de Lei que prevê pagamento de R$ 816 para pessoas em situação de vulnerabilidade. Medida deve atender 28 mil famílias com renda mensal per capita de até R$ 522,50

Pessoas em situação de vulnerabilidade no Distrito Federal devem contar, em breve, com um auxílio financeiro emergencial para enfrentar o momento de crise econômica provocado pela pandemia do novo coronavírus. Conforme antecipou ao Correio em entrevista na sexta-feira, o governador Ibaneis Rocha (MDB) enviou ontem à Câmara Legislativa um Projeto de Lei que prevê a criação do Programa Renda Mínima Temporária. A expectativa é de que a medida contemple 28 mil famílias não atendidas por outras iniciativas de transferência de renda, como Benefício de Prestação Continuada (BPC) ou Bolsa Família.

Se aprovado, o programa do Executivo local atenderá quem tem renda mensal per capita de até meio salário-mínimo (R$ 522,50). Os valores serão pagos em duas parcelas de R$ 408, durante os dois meses de programa, com possibilidade de prorrogação para três. O Banco de Brasília (BRB) fornecerá um cartão para os beneficiários, mas a quantia também poderá ser entregue em dinheiro. As frações do auxílio serão entregues preferencialmente às mulheres.

Ainda, às 17h35 de ontem, o DF registrou 511 confirmações de contaminação pelo novo coronavírus. Desse total, 12 morreram e 148 se recuperaram. Até o fechamento desta edição, 65 pacientes estavam internados em hospitais, sendo 17 em estado grave, de acordo com a Secretaria de Saúde. Uma dessas pessoas é a advogada de 52 anos que foi a primeira a testar positivo para a Covid-19 na capital federal. Ontem, ela teve leve melhora do quadro, mas permanece na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Regional da Asa Norte (Hran).

Economia

A disseminação do coronavírus no DF tem aumentado dia a dia. Enquanto o Executivo local estabelece medidas para evitar aglomerações e intensificar o distanciamento social, como forma de mitigar as consequências da doença, muitos brasilienses não têm levado a sério as ações previstas pelo poder público. Em diferentes partes da capital federal, é possível encontrar pessoas que não têm tomado os devidos cuidados.


A preocupação de especialistas na área de saúde diz respeito, principalmente, à questão da sobrecarga do sistema, o que resultaria na falta de leitos para atendimento de casos novos e para recebimento de pacientes com outras enfermidades. De 20 de março até terça-feira, a Secretaria de Proteção da Ordem Urbanística (DF Legal) recebeu 4.805 denúncias sobre locais abertos sem autorização. A multa para estabelecimentos que descumprirem os decretos publicados pelo Executivo local vai de R$ 3,6 mil a R$ 24 mil.


Para alguns brasilienses que continuam a sair de casa, o cenário econômico é motivo de inquietude, e justifica a desatenção às medidas de isolamento social. Caminhoneiro, Gerlinei Batista dos Santos, 36 anos, saiu de Itamaraju (BA) para morar no DF há oito meses. Desempregado, ele acredita que o isolamento prejudica pessoas mais pobres. “O pessoal vai adoecer cada vez mais. E como vamos ficar em quarentena? O preço das coisas subiu. Pacote de arroz, ovo, tudo está caro. Não estou trabalhando por falta de oportunidade, e tem gente que vai passar fome mesmo com o auxílio do governo”, lamenta.


Professor de economia do Ibmec São Paulo, João Ricardo Costa Filho afirma que é imprescindível que o Estado crie medidas de auxílio para chegar rapidamente às pessoas mais vulneráveis. “Se conseguirmos fazer com que elas tenham essa rede de proteção, podemos ir desligando a economia nos setores que não são essenciais, para que a doença não se espalhe. Portanto, conseguiremos atingir dois objetivos: tanto os de saúde pública, para não sobrecarregar o sistema, quanto os econômicos-sociais”, pontua João Ricardo.


Agravamento

Até ontem, o Distrito Federal figurava em primeiro lugar entre as unidades da Federação com o maior número de casos para cada grupo de 100 mil habitantes. No entanto, após um salto no número de casos, o Amazonas ultrapassou a capital federal, que caiu para a segunda posição. Enquanto o DF tem coeficiente de incidência de 16,7, o estado amazonense chegou a 19,1. Nesta semana, a prefeitura de Manaus reconheceu a possibilidade de colapso na rede hospitalar.


Médico infectologista e presidente do Comitê para Enfrentamento ao Coronavírus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Bernardino Albuquerque comenta que, apesar das diferenças entre as regiões, é preciso que as secretarias de saúde façam uma leitura da realidade epidemiológica de cada local. “A situação no estado está muito preocupante em função do número de casos e de óbitos. Além disso, há uma possibilidade de disseminação muito mais expressiva. É preciso que haja acompanhamento, fiscalização. O que temos visto é exatamente a população nas ruas, principalmente nas áreas mais periféricas”, observa.


Para evitar o agravamento da situação no DF, Roberto José Bittencourt, médico e professor do curso de medicina da Universidade Católica de Brasília (UCB), destaca a importância da testagem e do mapeamento dos pacientes que estiverem com a Covid-19. Ainda, ele considera que os 511 casos do Distrito Federal são apenas a “ponta do iceberg”. “É necessário fazer a testagem mais ampla possível. Não precisa ser de toda a população do DF. Pode-se fazê-la em camadas. Primeiramente, com os infectados, rastreando toda a rede de contato deles. Depois, com os profissionais de saúde, que precisam testar a cada cinco dias, pois é o tempo médio de incubação do vírus. Identificando, isola-se o paciente”, sugere.


Após traçar a linha de base, as próximas levas de testagem seriam para saber como está a evolução dos casos e quais regiões são o “elo frágil do cordão de isolamento”. Roberto José lembra que a falta de confirmação dos casos implica em subnotificação e que, para se ter uma estimativa próxima do número real de casos, seria preciso multiplicar o total atual por sete ou 10. Por isso, defende o médico, o investimento deve ser direcionado ao rastreamento das notificações confirmadas.


“Será que, dessa população de cerca de 5.110 pessoas não daria para saber onde estão, com quem moram, a quais igrejas ou festas foram?”, questiona. “Se fizermos uma testagem vigorosa, poderemos flexibilizar (as restrições). Poderemos planejar o sistema de saúde e a saída do isolamento social Dá para sair, mas tem de ser planejado. Não dá para ser da forma que se tem feito: um dia flexibiliza, no outro fecha. Isso não é planejamento, é flutuar de acordo com a pressão política”, criticou.


Funcionamento


Saiba o que pode ou não funcionar no DF após os decretos publicados pelo Executivo:


O que abre?


» Serviços e produtos de saúde (clínicas, consultórios, laboratórios e farmácias)

» Clínicas veterinárias (somente para atendimentos de urgência)

» Estabelecimentos de venda de produtos alimentícios (vedado o consumo no local)

» Lojas de materiais para construção e produtos para casa

» Postos de combustíveis

» Lojas de conveniência e minimercados em postos de combustíveis (proibido o consumo no local)

» Pet shops e lojas de medicamentos veterinários ou produtos saneantes domissanitários

» Comércios do segmento de veículos automotores

» Empresas de tecnologia (exceto lojas de equipamentos e suprimentos)

» Empresas que firmarem instrumentos de cooperação com o GDF no enfrentamento à emergência de saúde referente ao coronavírus ou à dengue

» Funerárias e serviços relacionados

» Lotéricas e correspondentes bancários

» Lavanderias (só para entrega em domicílio)

» Floricultura (idem)

» Empresas do segmento de controle de vetores e pragas urbanas


O que fecha?


» Escolas públicas e privadas, creches, faculdades e universidades (até 31 de maio)

» Festas, shows, eventos esportivos ou reuniões de qualquer natureza, que exijam licença do Poder Público

» Cinemas e teatros

» Academias de esporte de todas as modalidades

» Museus, zoológico, parques ecológicos, recreativos, urbanos, vivenciais e afins

» Boates e casas noturnas

» Shopping centers e clubes recreativos

» Feiras permanentes (apenas para comercialização de gêneros alimentícios para humanos ou animais)

» Cultos, missas e rituais de qualquer credo ou religião

» Salões de beleza, barbearias, esmalterias e centros estéticos

» Estabelecimentos comerciais de qualquer natureza (bares, restaurantes, lojas, quiosques, food trucks e trailers)

Comentários para "Proposta de auxílio financeiro de R$ 816 a famílias vulneráveis avança no DF":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório
Vacinação infantil contra a Covid-19 no DF prossegue em 14 pontos

Vacinação infantil contra a Covid-19 no DF prossegue em 14 pontos

Até o momento, foram aplicadas mais de 5 mil doses, sendo 1,3 mil na segunda-feira (17)

Fiocruz investiga hesitação de pais em vacinar crianças contra a Covid-19

Fiocruz investiga hesitação de pais em vacinar crianças contra a Covid-19

Estudo teve participação de 15.297 pais, mães e responsáveis

Farmácias no DF farão teste gratuito de Covid-19

Farmácias no DF farão teste gratuito de Covid-19

Cerca de 800 mil testes gratuitos para a covid-19 serão serão distribuídos para 23 farmácias do DF

Audiência discutirá novas regras para o parcelamento do solo do DF

Audiência discutirá novas regras para o parcelamento do solo do DF

População poderá participar do encontro, a ser realizado em 16 de fevereiro nos formatos presencial e virtual

Procura por vacina infantil contra a Covid-19 no DF é grande no primeiro dia

Procura por vacina infantil contra a Covid-19 no DF é grande no primeiro dia

Imunizante foi disponibilizado em 11 postos de saúde

Domingo de vacinação infantil contra a Covid-19

Domingo de vacinação infantil contra a Covid-19

Paco agradeceu aos profissionais da saúde que, de acordo com ele, estão empenhados, desde o início da pandemia, em atender a população.

Sete dúvidas sobre a vacinação infantil que você precisa tirar agora

Sete dúvidas sobre a vacinação infantil que você precisa tirar agora

Vacina contra covid já começa a ser aplicada em crianças de 5 a 11 anos em diversos estados brasileiros

DF começa hoje vacinação de crianças contra a Covid-19

DF começa hoje vacinação de crianças contra a Covid-19

Ao todo, 11 pontos de imunização funcionam das 8h às 17h

UBSs estão prontas para iniciar a vacinação infantil contra a covid

UBSs estão prontas para iniciar a vacinação infantil contra a covid

Neste domingo (16), serão vacinadas crianças de 5 a 11 anos com comorbidades ou deficiência permanente, e de 11 anos sem comorbidades

Excesso de velocidade lidera ranking das infrações de trânsito no DF

Excesso de velocidade lidera ranking das infrações de trânsito no DF

Como forma de reduzir esses índices, o Detran lança desafio Multa Zero para incentivar o não cometimento de infrações e assim evitar acidentes

Mais de 205 mil pessoas ainda não iniciaram a vacinação contra a Covid-19 no DF

Mais de 205 mil pessoas ainda não iniciaram a vacinação contra a Covid-19 no DF

Índice de imunização completa no DF é de mais de 85% da população com 12 anos ou mais