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Quem vai parar Gabriel Medina nesta temporada?

Quem vai parar Gabriel Medina nesta temporada?Foto: WSL

Pode parecer exagero, mas a promessa é de dedicação ainda maior do que no ano passado, quando ficou com o título pela segunda vez.

Estadão Conteúdo - 04/04/2019 - 20:54:37

Bicampeão mundial após atuação perfeita no Havaí. foto: WSL

Ele é o cara a ser batido. O adversário temido. Que não enxerga limites. Será que é possível alguém segurar um ser humano tão faminto por vitórias e conquistas? “Eu nunca estou satisfeito. Sempre busco melhorar.”

foto: WSL

Pódio, vitória, troféu, título. Vocabulário rotineiro de Gabriel Medina, bicampeão mundial de surfe.

A temporada da principal divisão da WSL começa nesta terça-feira na Austrália. E quando a palavra competição entra em pauta, o bicampeão não precisa de muito tempo para encontrar as respostas.

“2019 pode ser o ano mais importante da minha vida. Se tudo der certo, vou chegar no objetivo que eu sempre tive: ser 3 vezes campeão mundial. E automaticamente, alcançaria a vaga no Japão no ano que vem para os Jogos Olímpicos de Tóquio.”

Pode parecer exagero, mas a promessa é de dedicação ainda maior do que no ano passado, quando ficou com o título pela segunda vez.

foto: WSL

Medina sabe que se tornou ‘celebridade’. Conhecido, vigiado e adorado além das ondas. Entrevistas e contato com a imprensa não o incomodam. Mas é no mar que ele esquece a pequena timidez que transmite entre as perguntas.

foto: WSLOnde o tom suave e a fala pausada se transformam em um animal frio, calculista e feroz.

Gabriel lidera o time brasileiro no circuito.

Fã confesso de Ayrton Senna, ele não sente o peso de representar o Brasil, como deixa claro nesta entrevista ao blog.

Atleta de alto rendimento e campeões mundiais nunca estão satisfeitos. Onde você acha que precisa melhorar?
Uma parte da pré-temporada fizemos no COB (Comitê Olímpico do Brasil). A estrutura que eles têm lá é avançada. Fiz uns testes que nunca tinha feito na vida, buscando mais detalhes no meu treinamento. Não tem como parar ou treinar menos, ‘ah, já fui campeão, vou dar uma segurada aqui’.

E tecnicamente?
É difícil né. Porque sempre que estou na água tem bastante gente. A galera vem conversar, perguntar de final e tal. Mas a gente está levando a sério, procurando melhorar as manobras. Em toda seção de surfe eu fico pensando em algo diferente para evoluir. Meu pai sempre está na areia me corrigindo e assistimos todos os outros surfistas. Sabemos como é o circuito, as ondas são as mesmas, então sempre procuro melhorar.

foto: WSL


Entre o primeiro e o segundo títulos foram 4 anos de espera. Qual foi o maior aprendizado durante esse hiato?
Como meta, queria que esse segundo título tivesse vindo rápido. É difícil chegar lá, só que manter é muito mais difícil. Foram anos de muito treino e aprendizado, sempre trabalhando a cabeça para continuar nesse foco, uma hora eu sabia que ia chegar. O foco não muda agora, quero ser tricampeão mundial. O objetivo está na cabeça e é trabalhar para que se concretize.


Por que você normalmente não começa bem as temporadas?
Vou ter de melhorar o que tenho feito de errado nos últimos anos. O começo de ano sempre é mais difícil pra mim, são três etapas complicadas de surfar de backside, mas tenho aprendido bastante. É um ponto que quero corrigir esse ano. Metade do ano pra frente são ondas com as quais me identifico muito bem, meu surfe encaixa. Se eu começar o ano bem, tenho certeza de que vai ser difícil parar.

Como é sua relação com o havaiano John John Florence?
A nossa relação é muito boa, só que sempre criam uma rivalidade? Como a gente tem dois títulos mundiais cada um, essa rivalidade vai crescer mais ainda. Vai ser um ano bem legal, eu estou ansioso, até porque ele estava fora essa última temporada, bom que está de volta. Eu gosto dessa rivalidade, é um cara que eu assisto bastante, me inspiro nele e gosto de ter alguém competitivo como ele. Adoro competir com os melhores, ele está nesse patamar e é sempre bom competir contra ele.

E os tubarões? Já levou algum susto?
Já sim. Ano passado tiveram que paralisar uma bateria minha e saí da água. Graças ao radar, que avisa quando eles se aproximam, conseguimos ver e depois a competição voltou ao normal. E teve uma outra vez, na Austrália. Estava surfando contra um local e vi a barbatana subindo, não era muito grande. Na hora o cara falou: ‘Fica tranquilo, é um tubarão de reef’. Só que eu não sei a diferença de tubarão de reef, tubarão, sei lá o quê… Só sei que botei os pés em cima da prancha e fiquei quietinho até ele passar e ir embora. Mas eu ficava toda hora atento.

Muitas pessoas acham que você carrega a imagem do Senna, que tem a mesma obstinação dele. O que representa ser comparado a um ídolo deste tamanho?
Ele sempre foi a minha inspiração, mas não chego nem aos pés dele. Quando ele morreu, eu tinha um ano e sei de tudo através do filme e do livro. Até me identifiquei em algumas partes. Era muito determinado, amava o país, representava o Brasil de coração, dava tudo de si. E é o que eu sinto hoje quando estou numa bateria. Não tem só eu, minha família e meus amigos ali, é muito além disso. Eu sei que quando um brasileiro ganha um título mundial, quantas pessoas são atingidas, quantas pessoas deixei feliz naquele dia. Eu amo representar meu país, estou vivendo um sonho. Receber esse carinho de todo mundo é muito gratificante.

A sua fama já ultrapassou os limites do esporte. Como lidar com o status de ‘celebridade mundial’?
Tudo que estou vivendo é inesperado. O meu objetivo principal sempre foi fazer o melhor no surfe e me tornei campeão mundial agora pela segunda vez. E aconteceu, coisas da vida. Conheci outras celebridades, hoje tenho vários amigos de outros mundos, nada previsto. Mas vivo minha vida do jeito que tem de ser, não me preocupo com nada. Sei que sempre tem gente assistindo, tomo bastante cuidado, mas não deixo de viver nada que tenho pra viver.

Como as redes sociais ajudam na sua carreira?
As redes sociais estão na vida de todo mundo. Tudo que faço, todos os bastidores estão sendo mostrados. É o jeito de aproximar as pessoas que estão longe. Tem o lado bom e o ruim. A gente acaba perdendo um pouco da privacidade, mas faz parte. Eu gosto de interagir com a galera, porque tem muita gente que gosta de mim e não pode estar perto vendo. Então sempre que faço algo legal, alguma coisa que um ídolo meu postasse e me deixasse feliz, eu tento fazer.

foto: WSL


Você acha que o surfe é um esporte que vem pra ficar na Olimpíada?
Já era para o surfe ser esporte olímpico faz tempo e finalmente deu certo. Como os organizadores estavam procurando atingir um público mais jovem, acredito que o surfe e o skate vieram pra ficar, até por causa dessa geração que a gente tem visto no surfe. A grande maioria ali não passa de 28 anos, é uma geração muito nova. Todos no circuito estão ansiosos e animados. É algo diferente, uma chance a cada 4 anos. Não vejo a hora de fazer parte.

Quem são os principais concorrentes brasileiros na disputa pelas duas vagas do país nos jogos de Tóquio-2020?
Tem uns 3 ou 4 que vão disputar o título mundial, eles têm mostrado isso nos últimos anos. Adriano de Souza, Filipe Toledo e o Ítalo Ferreira são caras que sempre estão juntos comigo no ranking. Esses são os principais, mas todos os brasileiros têm chances de ganhar os eventos. Em geral não dá pra vacilar, tá todo mundo bem esperto. Você conhece Chiba, onde vai rolar a competição olímpica? Nunca fui para o Japão. Provavelmente irei antes para conhecer o lugar e ver como é a onda, porque eu nunca assisti nada de lá, não tenho a noção de como é o país. Vai ser mais uma missão, mas tem bastante tempo, dá pra fazer tudo com calma. Fiquei sabendo que é um lugar de onda pequena, então vamos ver como vai ser. por @thiago_blum

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