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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 19 de outubro de 2021

Rendimentos e desemprego em Brasília

Rendimentos e desemprego em BrasíliaFoto: Correio Braziliense

A redução salarial, as diferenças raça/cor e homens/mulheres, bem como o aumento do número de desempregados levam a perguntar: estamos diante de um quadro estrutural?

Por Aldo Paviani-correio Braziliense - 03/06/2019 - 09:07:34

Pesquisas realizadas no Distrito Federal, como a de emprego/desemprego, mostram o aumento do número de jovens que ingressam no mercado de trabalho sem que surjam atividades para abrigar esses novos trabalhadores. Essa constatação se deve à crise econômica que é mais acentuada nos países situados abaixo do Equador. Acima dessa linha, algumas economias desenvolvidas superam os tropeços e avançam com o uso de tecnologias inovadoras para a evolução de suas economias.


Voltando à temática do título, como estará o trabalho e os respectivos ganhos salariais na capital federal? Comparando os valores de 2018 com os de 2017, notam-se pequenas alterações: o setor privado revela ganhos de R$ 2.012, com incremento, em relação a 2017, em que os valores eram de R$ 1.996. Quanto ao setor público, houve redução de R$ 8.160, em 2018, comparativamente a 2017, quando os valores eram de R$ 8.459. No que diz respeito aos empregadores, os rendimentos médios elevaram-se de R$ 7.198, em 2017, para R$ 7.205, em 2018. Todavia, o que é digno de nota é a discrepância entre o setor público e empregadores em relação ao setor privado, com diferencial de quase quatro vezes a favor dos dois primeiros setores. Já os rendimentos dos autônomos e dos empregados domésticos se mantêm ao redor de R$ 1.891 e R$ 1.182, respectivamente, alterando-se minimamente, em cotejo com 2017, indicando estabilidade.


A condição de desemprego, comparando 2017 e 2018, mostra pequeno aumento de ocupados: eram, respectivamente, 1,319 mil e 1,346 mil pessoas, rebatendo-se na redução do número de desempregados: 315 mil em 2017 e 307 mil, em 2018. A comparação revela, não sem surpresa, a queda da taxa de desemprego que era ascendente nos últimos anos. A PED não revela as principais causas da redução do número de desempregados nos anos indicados. Uma pista encontra-se nos dados de desemprego por características pessoais e experiência de trabalho das pessoas. De forma positiva, se nota que, em relação ao sexo, houve decréscimo dos homens sem emprego: de 17,6%, em 2017, para 16,8%, em 2018. Embora com taxa um pouco mais elevada, as mulheres também apresentaram redução de 21,1% para 20,4% nos anos indicados. Se é vista como positiva a queda das taxas, no caso das mulheres, há um indicador que revela ser o desemprego menor entre os homens em relação às mulheres. Nesse aspecto, não há paridade/isonomia.


No caso da raça/cor, em 2018, os negros apresentaram taxa de 21,4%, enquanto, nos não negros, a taxa se reduz para 15,4% no mesmo ano. Em 2017, a discrepância se mantém, o que é avaliado como preconceito do tratamento dos negros, que apresentam taxas mais elevadas do que a média encontrada no DF em relação aos não negros. No tocante às mulheres, o desemprego pode surgir por diversos fatores, inclusive o da maternidade. Com referências aos negros, além da discriminação, as oportunidades não se apresentam por não terem, talvez, escolaridade completa, pois, no Brasil e no DF, negros e pobres possuem menor chance de frequentar todos os patamares educacionais, como revelam outras pesquisas da Codeplan/DF.


A julgar pela última Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED/DF), de fevereiro de 2019, é urgente avaliar os rumos da atividade econômica, pois a taxa de desemprego de fevereiro elevou-se de 18,3%, em janeiro, para 18,7%. Em termos absolutos, de 308 mil para 314 mil desempregados. Além desses números, quais as outras características que a PED/DF nos mostra? Estimativas de março indicam que o desemprego atingiu 326 mil pessoas ou 19,5% da População Economicamente Ativa (PEA), a mais elevada dos últimos anos. Mais: como estão os rendimentos dos trabalhadores?

As estatísticas da PED de 2019 (Dieese, Codeplan/Setrab) indicam que mudanças ocorreram neste ano, de janeiro para fevereiro. Em primeiro lugar, o desemprego aumentou em 13 mil pessoas. Todavia, como estão os rendimentos no início do ano? Houve queda na média salarial dos ocupados: de R$ 3.438, em janeiro de 2018 para R$ 3.323 em janeiro de 2019. O setor privado teve ganhos pequenos, algo ao redor de R$ 28. O setor público seguiu a mesma tendência de queda de R$ 8.213, em janeiro de 2018, para R$ 7.985,00 em janeiro de 2019. Será importante aprofundar as pesquisas, pois a desigualdade socioespacial do DF se evidencia na distribuição das oportunidades de trabalho. A redução salarial, as diferenças raça/cor e homens/mulheres, bem como o aumento do número de desempregados levam a perguntar: estamos diante de um quadro estrutural?

ALDO PAVIANI
Geógrafo, professor emérito da UnB e membro do
Neur e do Núcleo do Futuro/Ceam/UnB

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