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Risco de instabilidade com eventual demissão

Risco de instabilidade com eventual demissãoFoto: CorreioWeb

A deputada Carmen Zanotto: ministro tem apoio da Frente Parlamentar Mista da Saúde

Correio Braziliense - 04/04/2020 - 12:38:32

Para evitar mais desgaste, a orientação interna no Ministério da Saúde é de concentração total nas tomadas de decisões técnicas, deixando de lado qualquer embate pessoal. Quem atua na linha de frente afirma que a liderança do ministro Luiz Henrique Mandetta tem agradado cada vez mais aos membros da equipe e se convertido em união de esforços. Segundo membros do gabinete estratégico ouvidos pelo Correio, esse alinhamento ecoa na sociedade.

Os apoios a Mandetta também surgem fora do ministério. Coordenadora da Frente Parlamentar Mista da Saúde (FPMS), a deputada federal Carmen Zanotto (Cidadania-SC) evitou avaliar que tipo de sinal o presidente Jair Bolsonaro emitiria se demitisse Mandetta. A parlamentar afirmou, entretanto, que “não trabalha com a possibilidade” de saída do ministro. “Ele tem todo o apoio da Frente Parlamentar”, enfatizou, ressaltando que o titular do ministério é necessário neste momento.

Sanitarista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Brasília, Cláudio Maierovitch acredita que retirar Mandetta da pasta atrapalharia todos os esforços no combate ao coronavírus. “Qualquer movimento de instabilidade neste momento no ministério, que é a única parte do governo que está conduzindo adequadamente a epidemia, ameaça o que está sendo feito”, ressaltou.

Para ele, o combate à pandemia depende muito de credibilidade e de três frentes: conhecimento, amplamente compartilhado pelos veículos de comunicação; medo, uma vez que as pessoas estão assustadas; e confiança. “As pessoas acreditam em alguém que oriente e diga que o que elas estão fazendo, é prática de uma política de saúde pública que enfrenta a epidemia. No momento em que a equipe fica instável, essa credibilidade vai (embora) junto”, afirmou.

O sanitarista frisou, ainda, que trocar um ministro que tem seguido orientações técnicas, mesmo divergindo do presidente, pode significar colocar no seu lugar alguém sem divergências com o chefe do Executivo e que pode minimizar a doença; alguém que acredite que a economia deve voltar com força. “E isso vai dar um baita impulso na transmissão do vírus”, ressaltou.

Cientista político da Arko Advice, Cristiano Noronha afirmou que a eventual saída de Mandetta e da equipe seria extremamente negativa para o governo em um momento de crise como este. Ele pontuou que o gestor e seus assessores estão familiarizados com as ações contra o coronavírus e sabem de todo o histórico de medidas. “Uma eventual substituição dele poderia causar uma certa descontinuidade (das ações)”, argumentou.

Outro ponto citado pelo cientista político é o que a substituição poderia significar, uma vez que o ministro tem se pautado em questões técnicas e científicas para tomar decisões. “Poderia causar a impressão de que a postura mais técnica estaria sendo deixada de lado, e isso não seria muito bem-aceito. Poderia, inclusive, afetar a imagem do país no exterior”, enfatizou.

“Resista aos despreparados”

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), fez elogios ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. “Queria prestar minha solidariedade ao ministro da Saúde. Mandetta tem sido dedicado, correto, fluido nas informações com os estados e, especialmente, com a área da saúde”, afirmou. “Tenho certeza de que seu esforço é reconhecido por todos, pelo mundo da ciência, da medicina, de outros governadores também. Esperamos que o senhor resista aos despreparados. A sua resistência como ministro da Saúde está ajudando a salvar vidas de milhares de brasileiros, e os brasileiros estarão ao seu lado.”

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