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Rita Lee lança duas recriações da sua série literária infantil Dr. Alex

Rita Lee lança duas recriações da sua série literária infantil Dr. AlexFoto: CorreioWeb

Quatro perguntas/ Rita Lee

Maria Baqui* - Correioweb - 30/08/2020 - 18:34:42

Meio ambiente e fofuras

Rita Lee lança duas recriações da sua série literária infantil Dr. Alex, em que contempla a importância da preservação do meio ambiente com desenhos e linguagem lúdica

Aos 72 anos, com a conhecida autenticidade, Rita Lee volta a preencher as prateleiras literárias com um toque de narrativa infantil. A primeira série de livros juvenis lançada por Rita, em 1986, recebeu o nome Dr. Alex e contou com quatro exemplares, sendo o último divulgado em 1992. Dando voz à criatividade aflorada, a paulista recriou dois episódios da saga: Dr. Alex e o Phantom é um título novo para Dr. Alex e o Oráculo de Quartz (1992) e Dr. Alex e os Reis de Angra, originalmente divulgada em 1986.

A história do ratinho Alex não surgiu pensada para o livro. O animal existiu e foi adotado por Rita Lee quando os três filhos dela eram pequenos. “Na hora de ir para a cama, eu inventava historinhas sobre as aventuras de Alex. Isso foi nos anos 1980. Foi daí que pensei em escrever quatro livrinhos para outras crianças também curtirem o mundinho do ratinho”, relembra a escritora, ao Correio. O personagem principal da trama é um roedor pacifista, que luta por igualdade para todos.

Naquela época, segundo ela, não eram comentados temas relacionados ao meio ambiente, por isso o interesse da Globo Livros em publicar o conteúdo. O objetivo do conteúdo, acompanhado de ilustrações de Guilherme Francini e Quihoma Isaac, é conscientizar o público infantil de que a natureza está sendo destruída. Para Rita, dar voz aos animais, como feito em Dr. Alex, mostra ao leitor que “não se deve tratar bichos como se fossem coisas”.

“Não é de agora que a Amazônia vem sendo estuprada por gananciosos. Mas, hoje, o que se vê no noticiário é que vão ‘passando a boiada’ na moita e fazendo cara de paisagem, como se nada grave estivesse acontecendo. E ainda há quem ache que os defensores do meio ambiente são uma gentinha desocupada”, destaca a autora.

Quando questionada sobre as mudanças sociais percebidas desde a publicação dos primeiros livros, Rita Lee explica que os assuntos tratados em Dr. Alex, como a proteção da fauna e flora brasileira, têm mais pressa em serem abordados e resolvidos. “A destruição só aumenta. O mundo inteiro está de olho e cobrando atitudes firmes quanto às queimadas, aos desmatamentos, aos garimpos ilegais, ao genocídio do pouco que resta da rica cultura dos indígenas e por aí vai”, considera a artista.

Mas, além da temática recheada de temas engajados, a leitura é leve e os desenhos, coloridos. A artista inseriu mágica à narrativa e “fofura” às personagens. “Os quatro livrinhos do ratinho são para crianças mais novas — os pais lerão para elas —, e também para a gurizada que sabe ler. Com as ilustrações fofas, elas também viajam no visual da história. Crianças querem levar um papo de igual para igual”, conclui Rita Lee.

 (Guilherme Francini/ Divulgação)

Toque de cor

Guilherme Francici e Quihoma Isaac foram os responsáveis pelo projeto visual das obras Dr. Alex e o Phantom e Dr. Alex e Os Reis de Angra, respectivamente. Para os desenhos, os artistas preocuparam-se em utilizar a linguagem fantasiosa para retratar os temas polêmicos.

Para Guilherme, a intenção é de que o leitor se imagine parte da história e tenha a experiência de ser amigo do ratinho Alex e da vovó Ritinha. “Coube a mim dar um rosto para cada um deles e retratar os acontecimentos de forma bonita, sensível e respeitosa”, diz o ilustrador.

Para Quihoma, cada página desenhada foi uma grande surpresa mágica. O pensamento dele, durante o processo criativo, era de que a obra ficasse com a cara dos livros que ele lia na infância. “Em uma, eu estava pintando um índio; na outra, um pigmeu albino; na seguinte, sereias douradas… Me diverti muito fazendo”, comemora o artista.

*Estagiária sob a supervisão de Igor Silveira


Quatro perguntas/ Rita Lee

 (Guilherme Francini/ Divulgação)

Como é possível conscientizar o público infantil sobre as dimensões que as próprias ações têm para o planeta?

A raça humana está fazendo a Mãe Terra ficar doente agindo assim, como esse vírus maldito que anda matando gente aos milhares. Se você tem uma criança em casa, converse com ela sobre o respeito e a proteção a todas as formas de vida que nossa Nave Mãe Terra abriga.

De que maneira?

Fale sobre o aquecimento global, que é uma realidade. Ensine a elas a defesa dos animais, do verde das matas, dos minerais, enfim, de nossa inigualável natureza. Essa criançada de hoje é atenta e antenada, quanto mais souberem sobre o que acontece no Brasil, mais conscientes e prontos estarão para mudar os rumos que o país segue.

Diversos artistas e ativistas estão se mobilizando para cobrar medidas do governo federal a fim de mudar esse cenário. Como você avalia essas participações?

Acho ótimo, quanto mais gente de dentro e de fora do país pressionar, melhor. Pena que, com a pandemia, fica mais difícil para que nós, que somos responsáveis, possamos ir às ruas protestar. Torço para que apareçam na cena política homens e mulheres do bem, com a missão de colocar o Brasil no patamar de um país decente, com um belo, moderno e sustentável futuro pela frente.

Como você analisa esse momento

de tensão e quais são os reflexos, na sua opinião, dessas críticas para a imagem do Brasil no exterior com a atual política ambiental?

Hoje, aquela imagem do país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza foi substituída por poderosos com total falta de visão moderna e sustentável de futuro.

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