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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 22 de outubro de 2021

Rodoviária de Brasília. Por uma solução definitiva

Rodoviária de Brasília. Por uma solução definitivaFoto: Agência Brasilia

Rodoviária

Por Circe Cunha - Correio Braziliense/ - 28/06/2019 - 09:49:38

Praticamente, todos os governos que comandaram o Distrito Federal, depois da chamada maioridade política, trataram de realizar algum tipo de reforma na Rodoviária do Plano Piloto. Algumas dessas reformas, na verdade, não foram além da maquiagem do local, com a realização de pintura, limpeza dos azulejos, modernização de banheiros e outras remodelações para conferir, minimamente, apresentação desse ponto central da cidade, visto por todos que aqui residem ou estão de passagem.


Dentro do projeto de concepção de Brasília, a Rodoviária ocupou, desde logo o ponto para onde convergiriam todos os eixos traçados no desenho original e de onde partiriam essas mesmas linhas, que formariam o desenho característico do pássaro de asas abertas no sentido Norte-Sul. A Rodoviária seria, na concepção do urbanista Lucio Costa, o marco zero da capital, ou, como afirmou em sua biografia, “o gesto primário de quem assinala um lugar e dele toma posse”.


No início dos anos 1960, era o local de peregrinação e de passeio para os primeiros moradores das asas Sul e Norte. No mezanino, que corta em sentido transversal toda essa estação, havia, naqueles longínquos tempos, uma agência dos Correios e Telégrafos, uma estação telefônica, de onde eram realizadas todas as chamadas interurbanas para os mais distantes pontos do país, uma pequena lojinha de suvenires e um charmoso restaurante, frequentado pela gente granfina aos domingos. Era o ponto central da capital nos fins de semana.


Com o crescimento da cidade, a Rodoviária, embora tenha perdido um pouco dessa freguesia candanga para a W3 Sul, mantinha seu charme e era ponto de encontro das pessoas na cidade. Infelizmente, o inchaço populacional provocado pelo processo de emancipação política da capital, nos fins dos anos 1980, desfigurou completamente essa estação, que passou a ser sobrecarregada de veículos e pessoas.


Com isso, as plataformas inferiores foram invadidas por dezenas de instalação comerciais improvisadas, transformando-se numa verdadeira feira ao ar livre, onde se vende e compra de tudo, de comida a vestuário. Hoje, o local é o retrato do descaso: sujo, com maus odores frequentes, perigoso e extremamente decadente. Quando a noite cai, seus arredores são tomados por usuários de drogas, mendigos e menores de rua, o que faz do local um risco para qualquer um. Seis décadas depois de construída, a Rodoviária do Plano Piloto é tudo o que seu criador sonhou que não existiria na nova capital, um local pensado para ser a casa do homem novo, de um novo país, mas que ainda reflete os problemas de um velho Brasil, triste e desigual.



A frase que foi pronunciada


“Pensar é o trabalho mais difícil que existe. Talvez por isso,

tão poucos se dediquem a ele.”


Henry Ford, empreendedor e engenheiro mecânico estadunidense



Volta

» Foram os próprios alunos da 5ª série do Colégio Marista da Asa Sul que conseguiram reduzir em 80% o uso de copos descartáveis. A escola espalhou mais bebedouros e o resultado foi mais que positivo. As crianças voltam a usar os antigos copos retráteis.


Voto já

» Talvez os ouvidos moucos da Câmara Legislativa deem mais força ao Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE). A Mesa da Câmara retirou de pauta o Projeto de Resolução nº 61/2018, que permite a coleta de subscrições digitais ou eletrônicas em projetos de lei de iniciativa popular. A cobrança é do MCCE, que conquistou pela vontade dos assinantes a Lei Contra a Compra de Votos (Lei nº 9840 de 1999) e da Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar nº 135 de 2010).



Não se procura emprego

» É preciso saber se a taxa de desemprego alcança a população que não quer trabalhar porque vive às custas do Bolsa Família. Uma observação importante se dá no Paranoá, Santa Maria, Ceilândia. Basta dar uma volta no dia de semana à tarde pelas principais avenidas. Adolescentes e mulheres passeando, no parque, nas praças.



Para meditar

» Por falar nisso, esses projetos, tidos como sociais, que dão imóveis precisam ser revistos com urgência. Os imóveis, apesar da proibição são vendidos. Correto seria o governo cobrar um aluguel de valor proporcional à renda da família. Assim, a propriedade seria do governo. Arruaças, drogas, ou qualquer prática ilícita seria declarado despejo imediato.


Casa da mãe Joana

» De repente, deputados federais resolveram colocar placas nos corredores da Casa marcando o gabinete como “Rua Marielle”, “Lula Livre”, “Marginal Lula”, “Tá preso babaca” “Avenida Operação Lava-Jato”. A Diretoria-Geral explicou que apenas a Comunicação Social da Casa autoriza a fixação de placas. Algumas foram retiradas.


Divas

» Glória Menezes e Fernanda Montenegro estão internadas.


História de Brasília


Uma coisa é certa, presidente: um médico sanitarista para a presidência de um banco é uma pena, porque o nosso lago está infestado de borrachudos, e não há nenhum economista que venha resolver o assunto. ( Publicado em 23/11/1961 )


Por uma solução definitiva

Por Roberto Fonseca

Todo brasiliense tem uma história para contar sobre a Rodoviária do Plano Piloto. Nascido e criado aqui, sempre circulei por um dos monumentos-símbolos da capital federal. Além de ser o principal ponto de encontro urbano de Brasília, concentra serviços públicos fundamentais para o dia a dia da população. Tanto que a notícia da interdição de parte da plataforma superior por conta de um risco de desabamento iminente assusta e causa preocupação.

Da época de estudante, em meados dos anos 1980 e 1990, lembro da Rodoviária como ponto de passagem. Usava para pegar ônibus para ir ao colégio/universidade ou para um lanche rápido, o tradicional pastel com caldo de cana. Já na vida adulta, estive muito por ali para usar serviços do Na Hora ou resolver pendências do alistamento militar. Com o uso do carro, diminui muito a frequência, mas sempre permaneceu a sensação de que o terminal, por onde circulam 700 mil pessoas diariamente, havia parado no tempo.

A estrutura é a mesma praticamente desde a época da inauguração da Rodoviária, ocorrida em setembro de 1960. Reformas pontuais sempre foram feitas aqui e ali. A mais recente delas começou há cinco anos, com a troca de instalações elétricas, hidráulicas, eletrônicas e a gás, além de um novo sistema contra incêndio.

Mas o problema era ainda mais grave. Trecho de um laudo da Novacap, tornado público na quarta-feira, aponta que os engenheiros identificaram na laje de cobertura da plataforma inferior “o rompimento de cabos por corrosão; movimentação anormal com abertura de frestas em vigas de encabeçamento do caixão perdido da plataforma superior; problemas de infiltração; problemas com estrutura do reservatório de incêndio; e corrosão nos guarda-corpos dos viadutos, fissuras de vigas e lajes”.

É muito triste ver uma cidade nova, prestes a completar 60 anos, com tão graves problemas estruturais e cada vez mais distante de jorrar leite e mel, como sonhou o padre italiano Dom Bosco. A lembrança do viaduto da Galeria dos Estados, que desabou perto dali em fevereiro do ano passado, torna-se, então, inevitável, até porque uma eventual ruptura da estrutura da Rodoviária tem um potencial trágico muito maior. Antecipar-se aos problemas faz parte da tarefa de qualquer governo. Os transtornos causados pela interdição do trânsito aparentam ser temporários, mas a solução precisa ser definitiva. Não dá mais para o medo continuar a rondar pelo terminal. Basta.

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