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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 16 de outubro de 2021

Saiba os cuidados necessários para evitar pegar dengue. Unidades Básicas de Saúde oferecem atendimento emergencial

Saiba os cuidados necessários para evitar pegar dengue. Unidades Básicas de Saúde oferecem atendimento emergencialFoto: Minervino Junior/CB/D.A Press

Com o aumento no número de casos, manter a atenção para evitar a doença é essencial

Por Mariana Machado E Pedro Canguçu* - 29/05/2019 - 19:42:04

Febre, dor no corpo, vômito e formigamento. Os sintomas comuns da dengue estão impedindo a costureira Elisângela Lima da Silva, 40 anos, de trabalhar há quatro dias. Moradora do Paranoá, ela tem dois filhos e enfrenta a doença pela segunda vez. Ela é uma entre os 21.360 casos suspeitos no Distrito Federal. Segundo o último boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde (SES-DF), divulgado na segunda-feira, já são mais de 18 mil casos prováveis de dengue e 21 óbitos. A última vez que houve registro de números tão altos foi em 2016. No ano passado, apenas uma pessoa morreu, e a pasta registrou cerca de 2,4 mil ocorrências.


Segundo o médico especialista em epidemiologia e controle de doenças e professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB) Pedro Luiz Tauil, a dengue, como outras doenças virais, tem ciclos. Ele explica que há quatro tipos diferentes de sorotipos. Uma vez que a pessoa é infectada por um, fica imunizada contra ele para sempre, mas ainda pode ter a dengue dos outros tipos. “Observando o histórico da doença desde 1985, vemos que há épocas com mais casos e épocas com menos. Quando as pessoas ficam muito tempo sem introdução de um sorotipo, elas não adquirem imunidade”, analisa.


De acordo com ele, há cerca de dois anos o tipo 2 tinha poucas manifestações e isso fez com que ele agora se alastrasse. “É um vírus com maior capacidade de produzir casos graves e até letais”, alerta. Além disso, ele ressalta a importância do saneamento básico para evitar a formação de focos do mosquito transmissor. O professor destaca a importância do papel da população no combate.


Programas de conscientização, no entanto, quase não foram vistos, de acordo com moradores do Itapoã que ontem procuraram a tenda montada pelo GDF na Unidade Básica de Saúde 1. Uma delas era a jovem Geovana Silva Ferreira, 14, que tomava soro deitada em uma maca. A mãe, a empregada doméstica Shirley da Silva, 42, afirma que diversos pneus acumulando água estão espalhados na rua onde moram, no Itapoã 2. “Ninguém se preocupa. Se cada um fizesse a sua parte, isso não estaria acontecendo”, critica.


Como ela, a dona de casa Jandira Brito, 48, levou o neto Wendel Brito, 3, para a tenda. O pequeno vem apresentando os sintomas da doença desde sexta-feira. “Faço de tudo para evitar dengue na minha casa, mas não sei como os vizinhos agem”, pondera. Começou a funcionar ontem o sétimo ponto de hidratação para combate à dengue, em Samambaia, ação emergencial do GDF.


O professor especialista em saúde comunitária e médico de família Melchior Machado, da Universidade Católica de Brasília (UCB), acredita que o governo agiu tardiamente. “Campanhas de prevenção são fundamentais e poderiam ter sido feitas desde o início. Nós, da área de saúde fazemos isso o tempo todo, mas é trabalho de formiguinha.”


Cobrança

Nesta terça-feira (28/5), o Ministério Público do Trabalho (MPT) decidiu manter a interdição do serviço de fumacê, suspenso desde 6 de maio. Segundo a procuradora Renata Coelho, responsável pelo caso, os documentos entregues pela Secretaria de Saúde não cumpriam as exigências. Faltaram certificados que comprovem a qualificação dos trabalhadores, recibos de entrega de equipamentos de proteção individual (EPI) e exames médicos dos funcionários.


Para o professor Melchior, o fumacê seria uma contribuição significativa. “Diminuiria o número de mosquitos, porque ele mata o que fica escondidinho. Seria uma ajuda, mas a gente costuma fechar a porta depois que o ladrão vem. Não se pensa muito em prevenção”, lamentou o especialista.


O GDF tem até esta quinta-feira (30/5) para apresentar a documentação final. “Vamos entrar com uma ação civil pública pedindo o cumprimento, a responsabilização do gestor e indenização à sociedade”, afirmou Renata Coelho. A Secretaria de Saúde informou, em nota, que “atendeu a todas as exigências do Ministério Público do Trabalho, que deverá receber a documentação complementar nas próximas horas”. O MPT não é o único de olho na pasta. O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) deu 15 dias para que a secretaria se manifeste sobre o aumento do número de casos, decisão tomada com base em representação do deputado Leandro Grass (Rede), que aponta negligências nas ações de combate a doenças endêmicas.


Na segunda-feira, a subsecretária de Vigilância à Saúde, Elaine Morelo, foi exonerada pelo governador em exercício, Paco Britto. Em nota, a SES-DF disse que “cargos comissionados são de livre provimento. Nomeações e exonerações ocorrem de acordo com a avaliação das chefias e do governo”.


Divino Valero Martins, que já foi coordenador geral dos Programas Nacionais de Controle e Prevenção da Malária e das Doenças transmitidas pelo Aedes no Ministério da Saúde assume a vaga. Em 23 de maio, o diretor de Vigilância Ambiental Petrônio da Silva Lopes entregou carta de demissão alegando “motivos pessoais”. O cargo agora é ocupado por Rômulo Henrique da Cruz, que foi coordenador da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).


Dengue em números


Veja a quantidade de casos de dengue e mortes causadas pela doença em outros anos:


2019* — 21 mortes e 18.649 casos prováveis

2018 — 1 morte e 2.463 casos prováveis

2017 — 12 mortes e 4.752 casos prováveis

2016 — 22 mortes e 19.982 casos prováveis

2015 — 28 mortes e 10.898 casos prováveis

* Números até 18 de maio

Fonte: boletins epidemiológicos da dengue/Secretaria de Saúde

Proteja-se

Sintomas


O diagnóstico da dengue é dado por meio de exame de sangue. Veja quais são os sintomas mais comuns:


Febre alta com início súbito

(entre 39 e 40 ºC)


» Fortes dores de cabeça

» Dor atrás dos olhos (que piora com o movimento)

» Manchas e erupções na pele

» Cansaço extremo

» Dores nas articulações

» Náuseas

» Vômitos

Cuidados

Saiba quais cuidados tomar para evitar a proliferação do mosquito transmissor:


» É preciso evitar água parada. Por isso, tampe baldes, caixas d’água e tonéis, deixe garrafas viradas para baixo e mantenha lixeiras sempre tampadas

» Coloque areia nos pratos

de vasos de plantas

» Mantenha ralos e calhas

sempre limpos

» Utilize repelente

» Acione a Vigilância Ambiental, SLU ou Novacap caso suspeite que um local é foco do mosquito.

* Estagiário sob supervisão de Mariana Niederauer

» Colaborou Bruna Lima

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