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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 05 de dezembro de 2021

‘Se ele falou, tem de estudar como vai fazer’, diz Heleno sobre AI-5

‘Se ele falou, tem de estudar como vai fazer’, diz Heleno sobre AI-5Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Ministro do GSI afirma que sugestão de Eduardo Bolsonaro teria de ser avaliada 'em um monte de lugares'

Estadão Conteúdo - 01/11/2019 - 09:33:47

Para o ministro do Gabinete de Segurança Institucional ( GSI ), general Augusto Heleno , se o Brasil registrar protestos similares aos que ocorrem atualmente no Chile, algo terá de ser feito. Editar um “ novo AI-5 ”, como sugeriu o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro , exigiria estudos, pois o “ regime democrático ” impõe que uma proposta como essa passe “em um monte de lugares”.

Heleno conversou com o Estado, por telefone, no início da tarde desta quinta-feira, 31, e disse que ainda não tinha visto a entrevista em que o deputado Eduardo defende a reedição da norma de 1968 que levou a ditadura militar (1964-1968) ao auge do autoritarismo. Em nenhum momento da entrevista, o general repudia a hipótese de um novo AI-5.


O general é um dos principais conselheiros do presidente Jair Bolsonaro para assuntos militares. O ministro comparou a dificuldade para emplacar uma regra como o AI-5 ao ritmo lento que tramita o pacote anticrime de Sérgio Moro , ministro da Justiça e da Segurança Pública. Abaixo, leia a entrevista:

Eduardo falou sobre editar uma espécie de novo AI-5, caso protestos no Brasil se radicalizem. O que o senhor acha a respeito?

Ele ( Eduardo ) estava sob forte emoção com esse negócio da TV Globo . Tudo isso tem de ser considerado ( a declaração do deputado foi dada segunda-feira, portanto, antes da reportagem do Jornal Nacional que menciona o nome do presidente no caso Marielle Franco ). Essas coisas, hoje, num regime democrático... é complicado. Tem de passar em um monte de lugares. Não é assim. O projeto do ( ministro da Justiça, Sérgio ) Moro, fundamental para conter crime, não passa. Fazem de tudo para não passar. O pessoal não quer, não quer nada que possa organizar o País. Não quer dizer que isso vai organizar o País. Mas isso aí não é assim, vou fazer e faz. Então, não tenho o que falar.

O AI-5 seria então algo de outro período, que não cabe mais hoje?

Não ouvi ele ( Eduardo Bolsonaro ) falar isso. Se falou, tem de estudar como vai fazer, como vai conduzir. Acho que, se houver uma coisa no padrão do Chile, é lógico que tem de fazer alguma coisa para conter. Mas até chegar a esse ponto tem um caminho longo.

Nos moldes do Chile, o senhor acha que seria viável e até preciso algo como um AI-5?

Não sei. Não presenciei os movimentos do Chile. O que a imprensa noticia normalmente não é a verdade. Isso a gente já se acostumou no Brasil. A imprensa não está acostumada a falar a verdade. Ela torce para o lado que ela quer. Notícia de jornal, televisão, é toda manipulada. A favor ou contra ao que interessa aquele canal. Até os sites de redes sociais são manipulados. Teria de ter uma informação mais segura. Estou fora há 10 dias ( o ministro chegou hoje de uma viagem pela Ásia ). Não tenho ainda informações seguras sobre o que houve no Chile. Hoje em dia não acredito em nada da imprensa. A imprensa hoje eu falo com muito receio que é tudo com segundas intenções, como uma coisa já pensada. O telefonema ( do Estado ) já foi sobre algo que você quer uma resposta, eu sei qual a resposta que você quer, não vou te dar essa resposta. Pode escrever o que você quiser. Vocês estão tão desacreditados que pode escrever o que você quiser.

De maneira geral, qual a sua leitura sobre um AI-5 hoje, ou algo parecido?

Não vou comentar sobre isso. Não ouvi nada sobre isso. Isso aí para mim não faz sentido, não ouvi sobre isso, ele ( Eduardo ) não comentou com a gente.

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