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'Se queremos voltar a viajar, tem de ser necessariamente sem aglomeração'

'Se queremos voltar a viajar, tem de ser necessariamente sem aglomeração'Foto: Mônica Nobrega

No feriado da virada de ano circulou nas redes sociais um post que dizia que havia mais gente de folga em praias desertas do que existem praias desertas no Brasil todo

Por Mônica Nobrega, O Estado De S.paulo - 12/01/2021 - 15:30:44

No feriado da virada de ano circulou nas redes sociais um post que dizia que havia mais gente de folga em praias desertas do que existem praias desertas no Brasil todo.

Alô, pessoal da praia deserta: aqui da nossa casinha alugada no Litoral Norte de São Paulo , eu e a minha família convidamos todo mundo a admitir que é verdade. Essas praias para as quais nós escapamos em busca de ilusão estão cheias de gente como a gente. Gente que sempre soube que esse deserto estaria repleto de outros desesperados esperançosos encharcados de álcool em gel.

Ocorre que eu não sou – e acredito que você também não é – negacionista da pandemia. A covid-19 está aí, em expansão e mutação. Não dá para descuidar mesmo, não há exceção. A vacina está próxima; precisamos ficar saudáveis e manter os outros vivos até a picadinha da redenção.

A essa altura, sabemos que o distanciamento social é fundamental, decisivo, incontornável para evitar a propagação ainda maior do vírus. Vale para o turismo. Se queremos voltar a viajar, tem de ser necessariamente sem aglomeração. Nesse sentido, a minha praia, Santiago, na cidade de São Sebastião , mesmo longe de ser deserta, se mostrou bastante promissora.

Espremida entre Toque-Toque Pequeno e Maresias, Santiago é isolada por um morro ao sul e um costão rochoso ao norte. Pitica, tem 600 metros de uma faixa de areia larga, muita sombra de amendoeiras, água doce fresca de uma bica que desce o morro até o canto esquerdo e um mar transparente que vez ou outra fica bravo, mas, na maioria dos dias, é suficientemente tranquilo para crianças.

O bairro tem uma única ruazinha principal, outras quatro sem saída. Trinta casas no máximo. Uma pousada (Nai, uma graça, desde R$ 590 a diária para duas pessoas) e um camping (do Cacau, R$ 60 por pessoa, por noite). E uma guarita na única entrada.

A guarita é da Sociedade de Preservação Ambiental da Praia de Santiago. É essa associação que garante o cumprimento de regras de convivência, como a maravilhosa proibição às caixas de som. Santiago, além de linda, é uma praia onde se pode escutar o som do mar. Pode haver cenário melhor?

Pois nessa praia idílica e nem tão deserta assim, para garantir o isolamento social, alugamos uma casa enorme, ventilada, com um quarto com banheiro para cada família. Fomos à praia sempre muito cedo, até as 10 horas, antes de encher. E no fim do dia, para o pôr do sol, de máscara.

Para viajar na pandemia, é preciso ser realista. Agora, em pleno verão, não existe essa tal praia deserta no Brasil. A proposta deste espaço, a partir de agora, será a de pensar e buscar sugestões práticas de como – e mesmo se – é possível viajar com a covid-19 entre nós.

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