×
ContextoExato
Responsive image

Secretário e outros 4 integrantes do alto escalão da Saúde do DF são transferidos para Papuda

Secretário e outros 4 integrantes do alto escalão da Saúde do DF são transferidos para PapudaFoto: TV Globo/Reprodução

Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal

Por Afonso Ferreira, G1 Df - 31/08/2020 - 23:28:28

Previsão era que gestores fossem para presídio na terça (1º). Nesta segunda (31), dois policiais foram presos por suspeita de favorecimento a um investigado.

O secretário de saúde afastado do Distrito Federal, Francisco Araújo, e outras quatro autoridades do alto escalão da pasta, foram transferidos para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, na tarde desta segunda-feira (31). A informação foi confirmada pela Secretaria de Administração Penitenciária do DF (Seape-DF).

Os gestores foram presos preventivamente na semana passada, durante a segunda fase da operação Falso Negativo, que investiga supostas irregularidades na compra de testes para detecção da Covid-19 ( veja mais abaixo ). Eles estavam no Departamento de Polícia Especializada (DPE) e a previsão era que a transferência para o presídio ocorreria na terça (1º), mas foi antecipada.

Nesta segunda (31), o diretor da Divisão de Controle e Custódia de Presos do Distrito Federal e um agente da Polícia Civil foram detidos por suposto favorecimento a um dos investigados. Segundo as investigações, a dupla teria permitido visitas indevidas ao secretário-adjunto de Gestão em Saúde do DF, Eduardo Seara Machado Pojo do Rego ( veja mais abaixo ).

Os cinco presos que foram transferidos para a Papuda são:

  • Francisco Araújo : secretário de Saúde. No sábado (29), a defesa informou que continua convencida de que a prisão foi "desnecessária" e disse que um novo pedido de habeas corpus seria protocolado.
  • Ricardo Tavares Mendes : ex-secretário adjunto de Assistência à Saúde do DF. A defesa dele entrou com pedido de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas teve pedido negado. Para advogados, a decisão é "absurda".
  • Jorge Antônio Chamon Júnior : diretor do Laboratório Central do DF. O advogado de Chamon, não atendeu as ligações da reportagem.
  • Ramon Santana Lopes Azevedo : assessor especial da Secretaria de Saúde do DF. A defesa nega as acusações e prepara habeas corpus.
  • Eduardo Seara Machado Pojo do Rego : secretário adjunto de Gestão em Saúde do DF. A defesa entende que não há fundamento para a prisão preventiva e disse que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Os cinco foram detidos no dia 25 de agosto, durante a segunda fase da operação, e estão afastados dos cargos. O subsecretário de Vigilância à Saúde do Distrito Federal, Eduardo Hage, também chegou a ser preso na ação, mas foi liberado na última sexta-feira (28), após apresentar um habeas corpus ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A Justiça expediu ainda um mandado de prisão contra o subsecretário de Administração Geral da Secretaria de Saúde do DF Iohan Andrade Struck. No entanto, ele não foi encontrado pelos investigadores. A defesa alega que o gestor está em isolamento, com sintomas de Covid-19.

Quarentena e ala de vulneráveis

Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape/DF), os investigados ficarão em quarentena por 14 dias no Centro de Detenção Provisória II (CDPP II), em função da pandemia do novo coronavírus. Conforme a pasta, o procedimento ocorre com todos os detentos recém-chegados ao sistema carcerário.

A Seape informou ainda que o grupo ficará na ala de vulneráveis, separado da massa carcerária, antes de ir para as unidades prisionais relativas a cada tipo de pena.

"Separação da massa carcerária visa a preservação da integridade física dos envolvidos", disse a pasta.

Suspeita de favorecimento

Nesta segunda, o Ministério Público do DF e a corregedoria da Polícia Civil deflagraram uma investigação para apurar suspeita de favorecimento ao secretário-adjunto de Gestão em Saúde do DF, Eduardo Seara Machado Pojo do Rego, durante o período detido no Departamento de Polícia Especializada.

Os investigadores afirmam que ele recebeu visitas da mãe e de um amigo. Por regra, presos que estão na carceragem só podem ser visitados por advogados. Os dois policiais alvo da investigação foram detidos e liberados durante a tarde.

Em nota, a defesa de Eduardo informou à reportagem que o cliente "não recebeu qualquer favorecimento até o presente momento".

"Em verdade, há uma imensa preocupação com seu estado de saúde por parte de seus familiares e dos responsáveis pela sua custódia. Nesse sentido, vale destacar que o Desembargador Humberto Ulhôa, ao tomar ciência do problema de saúde de Eduardo Pojo, prontamente determinou realização de perícia médica por meio do Instituto de Medicina Legal (IML)", dizem os advogados.

A operação Falso Negativo investiga supostas irregularidades na compra de testes para detecção da Covid-19. Na última terça-feira (25), durante a segunda fase da operação, o Ministério Público do DF prendeu os integrantes do alto escalão da Saúde.

Segundo o MP, eles são suspeitos de integrar uma organização criminosa que direcionou e superfaturou a compra dos testes rápidos do novo coronavírus na capital.

O Ministério Público apura suspeitas de fraudes em duas dispensas de licitação para compra de exames. Em ambas, o MP identificou superfaturamento. Ao todo, o prejuízo estimado é de R$ 18 milhões.

Os crimes em investigação são de fraude à licitação, lavagem de dinheiro, organização criminosa, além da prática de corrupção ativa e passiva. O caso ainda pode ser caracterizado como cartel.

Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.

Comentários para "Secretário e outros 4 integrantes do alto escalão da Saúde do DF são transferidos para Papuda":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório