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Sem Trump, o que sobra para Bolsonaro no cenário mundial, além de Polônia e Hungria? Nada.

Sem Trump, o que sobra para Bolsonaro no cenário mundial, além de Polônia e Hungria? Nada.Foto:

Um outro efeito na política interna pode ser que, quanto mais Bolsonaro caia com Biden, mais o vice-presidente Hamilton Mourão suba e mais a pauta ambiental entre no centro das relações.

Eliane Cantanhêde - Estadão / Tribuna Da Internet - 24/11/2020 - 19:08:44

Confirmadas as previsões de vitória do democrata Joe Biden, não sobra pedra sobre pedra da política externa do presidente Jair Bolsonaro, que usou até a vacina contra covid para atacar a China, chicoteou os parceiros do Brasil na Europa, gerou desconfianças inúteis no mundo árabe e apostou suas fichas numa suposta “amizade” com o republicano Donald Trump. A vitória de Biden, porém, muda literalmente tudo.

Sem Trump e sem os Estados Unidos, o que sobra para Bolsonaro no cenário internacional, além de Polônia e Hungria, ambos secundários e tão desacreditados quanto o Brasil desde janeiro de 2019? Portanto, a derrota de Trump é uma derrota de Bolsonaro, assim como sua vitória seria também de Bolsonaro e do projeto nacional-populista que os quatro países tentam exportar para o mundo.

ALINHAMENTO TOLO – Além de se aventurar num mal disfarçado alinhamento automático com Washington, Bolsonaro foi ainda mais incauto ao meter o Brasil num confronto de gigantes. O resultado é que o Brasil pode perder os dois simultaneamente: a China, que já busca fornecedores e mercados alternativos, e os EUA, porque Biden não tem compromissos com o Brasil, pelo contrário.

A derrota de Trump para Biden tem reflexos também na política interna brasileira, porque deixa Bolsonaro sem discurso e sem uma forte referência de extrema direita. Com o PT em baixa e o ex-presidente Lula caminhando para o ocaso político, é improvável que só “varrer o PT” seja suficiente para a reeleição em 2022. E quem ainda acredita em “nova política”, “combate à corrupção” e outros slogans jogados no lixo bolsonarista?

QUESTÃO AMBIENTAL – Um outro efeito na política interna pode ser que, quanto mais Bolsonaro caia com Biden, mais o vice-presidente Hamilton Mourão suba e mais a pauta ambiental entre no centro das relações.

Ficando Trump, nada mudaria nessa seara. Ele não dá a mínima para queimadas na Amazônia e Pantanal. Mas com Joe Biden haverá graves cobranças, como ele já deixou claro na campanha eleitoral.

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