×
ContextoExato

Contexto Exato

Brasil - Brasília - Distrito Federal - 26 de outubro de 2021

Senadora acusa governo brasileiro de omissão em relação ao feminicídio

Senadora acusa governo brasileiro de omissão em relação ao feminicídioFoto: Tribuna da Internet

Rose citou o silêncio de Bolsonaro após recentes casos de feminicídio

Jorge Vasconcellos - Correio Braziliense / Tribuna Da Internet​​​​​​​ - 01/01/2021 - 08:38:44

A senadora Rose de Freitas (Podemos-ES), que é procuradora especial da Mulher no Senado, acusou o governo federal de ser “omisso” em relação ao feminicídio e a outras formas de violência de gênero. Ela disse que, se o governo viesse a público condenar cada crime cometido contra a mulher, a sociedade poderia se conscientizar sobre a necessidade de não se calar diante desse tipo de agressão.

Rose de Freitas citou, por exemplo, o silêncio do presidente Jair Bolsonaro e da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, após os recentes casos de feminicídio que abalaram o país. A senadora se refere aos assassinatos da juíza Viviane Vieira do Amaral, de 45 anos, no Rio de Janeiro, e de Thalia Ferraz, 23, em Jaraguá do Sul, em Santa Catarina. Ambas foram mortas pelos ex-maridos, na noite de quinta-feira (24), véspera de Natal, na frente de familiares.

POSICIONAMENTO – “O governo deveria, diante dos valores que a sociedade cultiva — da luta para preservar a dignidade do homem e da mulher — estar disseminando uma ideia, a de se respeitar a outra pessoa, de se reconhecer a igualdade. Isso deveria ser feito a cada momento, a cada situação de tamanha crueldade, de tamanha injustiça, como acontece com as mulheres no Brasil. Se o governo tivesse um posicionamento, a cada episódio, aqueles que têm admiração, que são seus seguidores, haveriam de pensar duas vezes que não deveriam se calar diante de tamanha crueldade”, disse Rose de Freitas, em entrevista ao Correio.

A senadora continuou: “Ao não fazer isso, o governo se omite diante de uma injustiça e uma discriminação, uma arrogância e um machismo desdenhoso, que a gente reputa como o pior, um comportamento atrasado, cruel, criminoso, em relação à mulher. O governo se pronunciando, o governo, os seus porta-vozes, seus membros, naquele momento, pelo menos sendo solidários às mulheres, com certeza ajudaria muito as pessoas a refletirem”.

CAMPANHAS – A procuradora especial da Mulher do Senado também cobrou do Executivo a realização de campanhas nacionais de conscientização contra a violência de gênero. “Eu ousaria dizer que seria muito melhor que eles [o governo] tomassem consciência de que, para um país ser justo, para ser democrático, verdadeiramente, tem de haver respeito entre as pessoas, sobretudo com as mulheres”, afirmou Rose de Freitas.

A parlamentar também criticou o presidente Bolsonaro por ele ter posto em dúvida a tortura sofrida pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) nos porões da ditadura militar (1964-1985). Rose de Freitas se juntou a Rodrigo Maia, Lula, FHC, Ciro Gomes e outros políticos que repudiaram as declarações do chefe do Executivo.

IRONIA – Na segunda-feira, dia 28, durante conversa com apoiadores, em frente ao Palácio da Alvorada, o Bolsonaro afirmou que “os caras se vitimizam o tempo todo”, citou o caso de Dilma e afirmou que “até hoje” aguarda um raio-x que comprovaria fratura na mandíbula da ex-presidente.

Segundo Rose de Freitas, além de desrespeitosas, as declarações do presidente foram feitas na intenção de desviar a atenção do atraso do Brasil na corrida pela aquisição da vacina contra a covid-19. Dezenas de países já estão imunizando suas populações.

“Essa é a ideologia dele [Bolsonaro]. Ele já defendeu a tortura. Disse que a tortura era necessária. Então ele dizer que a Dilma passou isso ou aquilo não muda a história da Dilma, apenas é o verbo dele solto por aí para, nesse momento, não se falar do que realmente importa, que é, exatamente, a vacina, a responsabilidade pública do governante de fazer tudo para salvar a vida dos brasileiros. Sempre tem uma saída pela tangente, e essa foi uma. Fico pensando nas populações ribeirinhas da Amazônia, nos índios, nas pessoas, não só da região sudeste, mas nesse povo espalhado pelo país morrendo todo dia, toda hora”, declarou a parlamentar.

IGUALDADE DE GÊNERO – A Procuradoria Especial da Mulher do Senado foi criada em 2013 com o objetivo de inserir o Senado, de forma mais efetiva, no debate sobre questões de gênero e na luta pela construção de uma sociedade em que mulheres e homens tenham os mesmos direitos. O órgão tem a função de atuar contra todas as formas de discriminação.

A Procuradoria busca mecanismos legais e práticos para que a mulher tenha efetivo apoio em todas as situações de vulnerabilidade. Uma das principais pautas de atuação do órgão é o incentivo à participação feminina na política, para equalizar a representação de gênero nos espaços de decisão do país.

No início de dezembro, a Procuradoria lançou, em conjunto com o Observatório da Mulher Contra a Violência, o livro intitulado “Histórias de amor tóxico: a violência contra as mulheres”. Com 415 páginas, a publicação é uma coletânea de artigos produzidos por dezenas de profissionais que contam suas experiências no combate à violência contra a mulher. São antropólogos, psicólogos, advogados e outros especialistas.

Comentários para "Senadora acusa governo brasileiro de omissão em relação ao feminicídio":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório
Atleta de Minas Gerais vence campeonato nacional de breaking pela segunda vez consecutiva

Atleta de Minas Gerais vence campeonato nacional de breaking pela segunda vez consecutiva

O breaking surgiu em meados da década de 70 nos guetos de Nova Iorque e logo se espalhou pelo mundo

ONU pede que Bolsonaro reveja veto à distribuição de absorventes

ONU pede que Bolsonaro reveja veto à distribuição de absorventes

No documento, relatores da ONU pedem ao governo Jair Bolsonaro que

Brasileira Paloma Costa promove ação pelo clima

Brasileira Paloma Costa promove ação pelo clima

Paloma Costa na Greve Mundial pelo Clima, em 2020

Unesco premia Brasil e Moçambique em projetos para educação de mulheres

Unesco premia Brasil e Moçambique em projetos para educação de mulheres

Cada um dos premiados receberá US$ 50 mil para ajudar a continuar seu trabalho no avanço da educação de mulheres e meninas

Governo do DF dá abrigo a juízas refugiadas do Afeganistão

Governo do DF dá abrigo a juízas refugiadas do Afeganistão

As juízas foram selecionadas para receber acolhimento no Brasil pelo grau de risco que corriam permanecendo no Afeganistão

Sob ameaça do terror Talibã, juízas afegãs chegam ao Brasil

Sob ameaça do terror Talibã, juízas afegãs chegam ao Brasil

Segundo Clara Motta, diretora da entidade, a chegada ao Brasil é o início do processo de acolhida das juízas, uma vez que elas possuem um visto humanitário.

Polícia do Rio investiga assassinato de autor de livro sobre Marielle Franco

Polícia do Rio investiga assassinato de autor de livro sobre Marielle Franco

Olivero foi velado no cemitério do Catumbi, na zona norte do Rio e depois seu corpo foi enviado para os Estados Unidos

Outubro Rosa e prevenção ao câncer de mama é destaque em podcast do TJDFT

Outubro Rosa e prevenção ao câncer de mama é destaque em podcast do TJDFT

Rotinas que devem ser adotadas para prevenção da doença

Feminicídio: Mais duas mulheres perdem a vida no DF

Feminicídio: Mais duas mulheres perdem a vida no DF

Ato reuniu mais de cem mulheres contra os feminicídios no DF

Peng Liyuan participa da cerimônia de premiação da UNESCO para a educação de mulheres e meninas

Peng Liyuan participa da cerimônia de premiação da UNESCO para a educação de mulheres e meninas

Peng parabenizou os vencedores do Brasil e de Moçambique por vídeo

Conheça relação entre agrotóxicos e o câncer que mais mata mulheres no Brasil

Conheça relação entre agrotóxicos e o câncer que mais mata mulheres no Brasil

Contaminação por agrotóxicos se dá geralmente por meio da pele e do aparelho respiratório