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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 19 de outubro de 2021

Sob ameaça de morte e expulsão grupo de grileiros aterrorizava famílias em Brasília

Sob ameaça de morte e expulsão grupo de grileiros aterrorizava famílias em BrasíliaFoto: Correio Braziliense

Quadrilha exigia o pagamento de taxas e ameaçava os moradores do Assentamento Grito da Terra Agulhada, em São Sebastião. Polícia prendeu sete suspeitos no fim de semana, na 2ª etapa da investigação.

Por Walder Galvão-correio Braziliense - 21/05/2019 - 05:35:17

Segundo investigação da Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente, o grupo criminoso cobrava R$ 150 mensais dos moradores: medo

Moradores do Assentamento Grito da Terra Agulhada, no Pinheiral, em São Sebastião, viviam uma rotina de medo. Sob ameaça de morte e expulsão, eles passaram a pagar taxas a uma associação criminosa de grileiros, que agia de forma semelhante a milícias. Armados, eles hostilizavam quem vivia nos barracos e repreendiam aqueles que se rebelavam. Até que, no fim de semana, agentes da Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente (Dema) prenderam sete integrantes do grupo — um suspeito segue foragido.


Deflagrada na sexta-feira, essa é a segunda etapa da Operação Grito da Terra. Em abril, os investigadores da Dema desarticularam o grupo criminoso e prenderam o mentor do esquema, Alexandre Xavier, 49 anos. No entanto, após a ação policial, outras pessoas do assentamento decidiram dar continuidade ao trabalho do líder, voltando com as ameaças e a venda irregular dos lotes. “Mensalmente, eles cobravam taxas aos moradores e se intitulavam donos das terras. O grupo ainda expulsava e ameaçava aqueles que eram contrários”, explica a delegada Mariana Araújo Almeida.

Por mês, os criminosos cobravam R$ 150 aos moradores, a maioria de baixa renda e em situação de miséria, segundo a delegada. No assentamento, há cerca de 150 famílias. Para conseguir um lote no lugar, elas deveriam pagar as taxas e cooperar com os criminosos. De acordo com a investigação, os suspeitos fizeram barricadas no local. “Eles agiam de forma semelhante a milicianos, com armas pesadas. Também ameaçavam quem demonstrava interesse em cooperar com a polícia. Invadiram a casa da nossa principal testemunha, deram facadas no portão e bateram no cachorro dela”, explica a investigadora.

Articulados, os criminosos usavam promissórias e blocos de notas para fazer o controle de pagamento das taxas. Toda a documentação foi apreendida, além de uma motocicleta roubada. “As ameaças às nossas testemunhas fizeram com que deflagrássemos essa nova fase da operação. Agora, continuaremos acompanhando a situação do assentamento para que o grupo não volte a se instalar no lugar”, ressalta Mariana.


Perigosos

Segundo a delegada Mariana, os agentes ainda não localizaram as armas dos criminosos, mas há suspeitas do paradeiro delas. Além das ameaças aos moradores, os integrantes do grupo respondem por crimes como tentativa de homicídio e roubo. “Após a prisão deles, conseguimos associar diversas ocorrências de roubo em Sobradinho aos suspeitos. As investigações continuam para saber quais outros crimes eles cometeram”, diz.

O grupo será indiciado por extorsão, dano ambiental, parcelamento irregular do solo, associação criminosa armada, coação, corrupção de menores e roubo. No entanto, caberá à Justiça decidir por quais crimes cada acusado responderá. “Agora, continuaremos à procura pelo outro foragido. Fomos ao assentamento no sábado e no domingo, mas ainda não conseguimos localizá-lo. Não vamos revelar o nome dele para não atrapalhar as investigações”, justifica a investigadora.

Além de agir no Distrito Federal, os investigadores constataram que o grupo costumava ir a Minas Gerais, onde alguns suspeitos têm parentes. “Eles arrecadavam bastante dinheiro e partiam para cidades mineiras, onde consumiam drogas e executavam crimes. Temos informações de que eles ficaram presos durante 20 dias após cometerem uma tentativa de homicídio”, detalha Mariana. O assentamento fica em uma área pública, de mata fechada, o que dificulta o monitoramento dos policiais.

Primeira fase

Em 25 de março, policiais civis prenderam cinco pessoas e cumpriram um mandado de busca e apreensão contra grileiros de terras, em São Sebastião. Os criminosos eram especialistas em extorsão e parcelamento irregular de terra. Nessa etapa da Operação Grito da Terra, os investigadores prenderam o líder do esquema, que tinha envolvimento em homicídios, roubos e ameaças. Além de agir no DF, ele atuava em regiões de Minas Gerais e Goiás.

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